“Abril ensinou-nos que, quando um povo se une em torno de um propósito maior, é capaz de transformar a sua história. É com essa convicção que devemos olhar o futuro. Com determinação, com sentido de responsabilidade e com esperança, continuemos a construir um concelho mais justo, mais coeso e mais desenvolvido”, disse a autarca esta manhã na sessão solene da Assembleia Municipal de Setúbal comemorativa da Revolução dos Cravos, realizada na manhã do dia 25 de Abril no Fórum Municipal Luísa Todi.
Numa sessão marcada por uma homenagem aos antigos presidentes da Assembleia Municipal de Setúbal, a presidente Maria das Dores Meira afirmou que o objetivo do município é construir “um território bom para viver e para trabalhar, onde ninguém fique para trás”, pois “é assim que se defendem e valorizam, no presente, os valores de Abril”.
A autarca afirmou que “ainda há ainda muito por fazer” e que esta é uma tarefa de toda a sociedade setubalense. “Autarquias, movimento associativo, instituições da sociedade civil, tecido empresarial, entidades públicas e, sobretudo, os cidadãos e cidadãs do nosso concelho têm um papel insubstituível neste caminho de desenvolvimento.”
Apelou a “que ninguém falte a esta chamada” e que não se permita que “interesses pessoais ou institucionais, ou mesmo as legítimas diferenças políticas e de opinião, nos afastem do essencial, o interesse público, que é comum, que é transversal, que é de todos os setubalenses e das suas instituições representativas”.
Este caminho, sublinhou, deve alicerçar-se também na “valorização do papel dos órgãos, no respeito entre os seus membros e numa presença no espaço público assente na verdade da informação, na seriedade, sem populismo, sem desinformação e sem demagogia, contribuindo para um debate esclarecido”.
Aproveitando a homenagem feita aos 12 presidentes da Assembleia Municipal de Setúbal eleitos desde 1977, a presidente da Câmara assinalou a importância de, “em todos os órgãos autárquicos do concelho, se honrar o seu exemplo e a natureza profundamente democrática das autarquias”.
Esta é uma homenagem “muito justa e merecida” não apenas aos antigos autarcas, mas “sobretudo à participação cívica das populações e ao funcionamento profundamente democrático das autarquias”.
Honrar estes homens e mulheres que em 52 anos de democracia serviram o concelho e o país é promover “a elevação do discurso político, da qualidade da intervenção e da discussão em torno das questões que efetivamente preocupam as populações e que interessam ao município e ao seu desenvolvimento”.
Maria das Dores Meira acredita que só desta forma “se reforça a cidadania e se promove uma participação mais ativa da população na vida do concelho”, e que esta é “uma responsabilidade e uma obrigação” de todos os autarcas.
“É essa herança democrática que nos responsabiliza. É por ela que continuamos a afirmar a importância de construir um concelho onde a educação, a saúde, a habitação, a cultura, o desporto e o lazer sejam direitos efetivos de todos.”
Na sessão solene, o presidente da Assembleia Municipal de Setúbal, Paulo Lopes, evocou também os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, um documento que “representa uma promessa viva de saúde, educação e dignidade para todos, os que aqui nasceram e os que aqui encontraram casa”.
Paulo Lopes afirmou que no dia 25 de Abril celebra-se também a “democracia local” na qual as assembleias municipais assumem um importante papel no “debate de diferentes ideias, mas com o mesmo compromisso de servir as pessoas”.
O presidente da Assembleia Municipal evocou todos os presidentes deste órgão, agradecendo a todos os que “ao longo destas décadas dedicaram a sua vida ao serviço público”.
A sessão solene, que contou com intervenções de todas as forças políticas com assento na Assembleia Municipal, teve como ponto alto a homenagem aos presidentes da Assembleia Municipal eleitos desde 1977, com oferta de um quadro personalizado da imagem oficial de cada presidente durante o mandato respetivo.
Fidélio José Cavaco Guerreiro, entre 1980 e 1981 e entre 1990 e 1993, Alberto Manuel de Sousa Pereira, 1981-1982, Marino Baptista de Vasconcelos Barbosa Vicente, de 1983 a 1985 e de 1986 a 1989, Luís Armando Catarino da Costa, entre 1998 e 2001, Ricardo Jorge Fialho Oliveira, entre 2009 e 2013, Rogério da Conceição Palma Rodrigues, de 2013 a 2017, e Manuel Joaquim Pisco Lopes, 2021-2025, receberam a homenagem.
As ofertas em homenagem aos restantes presidentes, António Manuel Maldonado Gonelha, de 1977 a 1979, Henrique de Oliveira Constantino, entre 1994 e 1995, José Manuel de Almeida Miranda, de 1996 a 1997, Maria Odete dos Santos, de 2002 a 2005 de 2005 a 2009, e André Valente Martins, de 2017 a 2021, foram entregues a familiares e amigos que os representaram nesta sessão.
No início da sessão solene, foi exibido um filme sobre os 50 anos da constituição das Assembleias Municipais com destaque para os 12 presidentes eleitos em Setúbal.
As comemorações dos 52 anos do 25 de Abril incluíram, no período da manhã de dia 25, a cerimónia protocolar de hastear da bandeira nos Paços do Concelho e uma arruada no centro histórico com Banda de Música da Sociedade Musical Capricho Setubalense.
Seguiu-se uma pequena homenagem aos antigos presidentes da Assembleia Municipal de Setúbal com a inauguração de uma placa na Sala do Município, nos Paços do Concelho, que perpetua os nomes de todos os autarcas eleitos para aquele órgão desde 1977.
“Estava na hora de homenagear todos os presidentes da Assembleia Municipal, que juntamente com os presidentes de câmara, fizeram a história do município. A pedido do atual presidente, Paulo Lopes, decidimos fazer esta pequena homenagem”, disse a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira.
Já Paulo Lopes afirmou que a Câmara e a Assembleia Municipal “têm desenvolvido, neste mandato, um enorme esforço para dignificar cada vez mais o órgão da Assembleia Municipal, que, a nível nacional, tem sido um parente pobre do poder autárquico”.
Seguiu-se deposição de flores no monumento à resistência antifascista na Avenida Luísa Todi, com a União de Resistentes Antifascistas Portugueses que, em 2026, assinala 50 anos de atividade “marcada pela resistência e luta contra o esquecimento e a reescrita da história”, disse a representante Angelina Soares.
Angelina Soares considera que, atualmente, se tem verificado um “aumento de organizações fascistas e da xenofobia” e lamenta que “alguns tentem reescrever a história fazendo o branqueamento dos crimes do fascismo”.
A representante da URAP garantiu que a associação vai “sempre resistir e lutar”, através da realização de projetos e iniciativas, em que se destacam o Museu da Resistência e Liberdade na Fortaleza de Peniche, ações de luta e manifestações e sessões de sensibilização nas escolas ao longo do ano letivo.
“É tempo de resistência e luta. A URAP está presente”, concluiu.
A presidente do município, Maria das Dores Meira, enalteceu a luta de “todos os que contra a opressão escolheram não se calar, pessoas comuns que ousaram sonhar com um país livre e que transformaram esse sonho em realidade”.
A homenagem aos resistentes antifascistas “celebra a coragem de homens e mulheres a quem devemos, mais do que a liberdade política, o direito à palavra, à escolha, à dignidade”.
O programa comemorativo dos 52 anos do 25 de Abril prossegue às 16h00, com a inauguração do novo Pavilhão Desportivo Municipal das Manteigadas, um espaço multifuncional que, além da prática desportiva regular de diferentes modalidades, pode receber o movimento associativo e a comunidade escolar.
O equipamento, localizado a poente do pavilhão municipal que já existia nas Manteigadas e ligado a este edifício através de um corredor interno coberto, representou um investimento de cerca de 1,9 milhões de euros, incluindo a taxa de IVA.
À noite, às 21h30, no recinto do Mercado Mensal de Azeitão, há um espetáculo musical, com abertura de Pedro Carvalho, vocalista da banda Big Up Ragge Tribute, seguido de concerto de Nenny, projeto a solo de Marlene Tavares com ritmos africanos. No final, tem lugar um espetáculo pirotécnico.
A música levou na noite de 24 de abril milhares de pessoas à Praça de Bocage para assistir a um concerto com atuações de A Cantadeira, projeto artístico da setubalense Joana Negrão com base na música tradicional portuguesa, e de Olavo Bilac, músico com 35 anos de carreira que prestou homenagem ao legado de José Afonso.
Após o final das atuações, realizou-se uma arruada com fanfarra até à Doca dos Pescadores, onde, à meia-noite, as atenções se centraram no tradicional espetáculo pirotécnico sobre o rio Sado que anunciou a chegada do Dia da Liberdade.









