“O Fascínio da História”, organizada e editada por Daniel Pires, foi apresentada no Salão Nobre dos Paços do Concelho, numa sessão das comemorações do Dia de Bocage e da Cidade, promovida pelo Centro de Estudos Bocageanos em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal.
“Esta não é apenas uma sessão de apresentação de uma obra. É também mais um momento de homenagem a um historiador que dedicou grande parte da sua vida ao estudo e à divulgação da história contemporânea portuguesa e, muito em particular, da história de Setúbal”, afirmou o vereador da Câmara Municipal Paulo Maia.
O autarca destacou a investigação de Álvaro Arranja sobre a Primeira República, o movimento operário, a resistência à ditadura e a Revolução de Abril, assim como o trabalho dedicado à memória dos trabalhadores, movimentos associativos e sindicais, republicanos e resistentes.
“É esse um dos grandes méritos do seu trabalho, o dar visibilidade às pessoas que fizeram a história e que tantas vezes ficaram fora das narrativas mais conhecidas”, sublinhou.
Paulo Maia salientou igualmente a ligação de Álvaro Arranja a Bocage, enquanto membro do Centro de Estudos Bocageanos, onde se dedicou à investigação e divulgação da vida e obra do poeta.
“Bocage deixou-nos uma obra que atravessou séculos. Álvaro Arranja deixou-nos uma investigação que nos permite compreender melhor essa obra e o mundo em que ela nasceu”, afirmou.
Durante a apresentação, Daniel Pires revelou que “O Fascínio da História” constitui a 50.ª publicação do Centro de Estudos Bocageanos e o 19.º volume da coleção Clássicos de Setúbal.
O organizador e editor percorreu o trabalho de investigação de Álvaro Arranja sobre diferentes períodos da história portuguesa, do Antigo Regime e da Monarquia Constitucional ao republicanismo e aos movimentos políticos e sociais que marcaram a transição para a República.
A capa da antologia, concebida pelo designer Jorge Silva a partir de uma ilustração publicada em 1940, evoca, segundo Daniel Pires, a luta por direitos e pela liberdade, temas presentes no percurso de investigação do historiador.
“Uma cidade que conhece melhor a sua história é também uma cidade mais consciente daquilo que é e daquilo que pode vir a ser”, afirmou o vereador Paulo Maia, para quem a publicação permite que o trabalho de Álvaro Arranja continue a chegar a novos leitores e investigadores.
A sessão terminou com o recital “Poesia de Bocage”, por Ana Margarida Chora, António Galrinho e Lina Soares, no qual foram interpretados, entre outros textos do poeta setubalense, “Na solidão do cárcere” e “Epístola III (Olinda a Alzira)”.


