A sessão comemorativa do Dia de Bocage e da Cidade decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, numa iniciativa da LASA – Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, na presença de diversas individualidades, incluindo a vice-presidente da autarquia, Maria do Carmo Tiago, e o presidente da Assembleia Municipal, Paulo Lopes.
As Medalhas LASA de Mérito Cultural distinguiram Maria de Fátima da Câmara Ribeiro de Medeiros pelo percurso dedicado ao livro, à leitura e à dinamização cultural e António Galopim de Carvalho pelo trabalho científico e pela defesa e valorização do património geológico.
Geólogo e professor catedrático jubilado, Galopim de Carvalho tem uma ligação à preservação do património geológico de Setúbal, nomeadamente da Pedra Furada, geomonumento classificado como bem de interesse público.
Na intervenção, voltou a chamar a atenção para o património geológico do concelho e manifestou disponibilidade para regressar à cidade para partilhar conhecimento sobre esta área.
“Eu gostava, enquanto tivesse força, de vir aqui uma tarde e falar convosco”, afirmou o geólogo, que recordou ainda um antigo projeto de musealização e criação de um centro de interpretação dedicado ao património geológico local.
Maria de Fátima Medeiros evocou, por sua vez, um percurso de décadas dedicado à aproximação dos livros e da leitura às pessoas, desenvolvido em escolas, livrarias, instituições e iniciativas culturais.
“Um livro para cada criança. Um livro para cada pessoa. Sem livros não há leitura. Sem leitura não há cultura”, afirmou, ao recordar algumas das máximas que marcaram a atividade de promoção da leitura.
A cerimónia ficou igualmente marcada pela atribuição do XXIV Prémio Bocage à obra de poesia “Geografia da Sede”, de Cláudia Gigante, distinção que inclui um prémio monetário de 1500 euros e a publicação da obra pela LASA.
O júri, constituído por Sérgio Fonseca, Sara Loureiro e Isabel Melo, destacou a unidade temática e simbólica da obra e a forma como elementos como a água, o deserto, a chuva e a secura se transformam numa reflexão sobre a condição humana.
“É precisamente nessa capacidade de converter a paisagem em reflexão sobre a condição humana que reside uma das grandes qualidades da obra”, afirmou Sérgio Fonseca.
Cláudia Gigante explicou que “Geografia da Sede” fala “de lugares, de distâncias, de memória, de ausência e de desejo” e de geografias interiores que não surgem nos mapas, mas que todos, de alguma forma, habitam.
“Ver esta obra reconhecida é uma enorme honra e também um estímulo para continuar a escrever”, salientou a poetisa, para quem receber uma distinção com o nome de Bocage, em Setúbal, tem “um significado muito especial”.
A vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, salientou que uma cidade que se orgulha de Bocage não pode limitar-se a recordar o poeta, devendo criar condições para valorizar a palavra, estimular novos autores e manter a literatura presente na vida da comunidade.
“Celebrar Bocage é também isso, celebrar a liberdade da palavra”, afirmou.
As presidentes da direção e da assembleia geral da LASA, Joaquina Soares e Maria Helena Fragôso de Mattos, respetivamente, destacaram igualmente a dimensão literária e cívica do legado de Bocage e a ligação do poeta à identidade cultural de Setúbal.
A sessão encerrou com um recital de canto lírico dirigido pelo maestro Jorge Salgueiro, da Associação Setúbal Voz, com Helena de Castro, soprano, e Eduardo Jordão, piano, num repertório com obras de Beethoven, Cathy Berberian e Giuseppe Verdi.
Durante a tarde, as comemorações incluíram ainda, na Casa Bocage, visitas às exposições dedicadas ao poeta e a primeira edição de “O Meu Bocage”, iniciativa de partilha de poemas. Mais tarde, nos Paços do Concelho, foi apresentada “O Fascínio da História”, antologia póstuma de ensaios de Álvaro Arranja organizada e editada por Daniel Pires, seguindo-se o recital “Poesia de Bocage”.



