O presidente da Câmara Municipal, André Martins, salientou em 12 de janeiro a solidariedade e a generosidade de Manuel de Sousa Tomé, na inauguração do busto com que a comunidade de Vendas de Azeitão homenageou o empresário.
“A Câmara Municipal tem a responsabilidade de estar sempre presente quando as comunidades se mobilizam. O que temos hoje aqui é uma comunidade que se mobiliza em torno de uma coisa que consideramos extremamente importante na nossa vida, na nossa comunidade”, disse o presidente da Câmara, sublinhando que Manuel de Sousa Tomé “serviu tanta gente” com solidariedade e generosidade.
Inaugurado perante as duas filhas e uma neta do benfeitor, o busto feito pelo escultor Francisco Cid está colocado junto pavilhão desportivo do Solidó – Grupo Musical Desportivo União e Progresso, edificado num terreno doado por Manuel de Sousa Tomé, e homenageia o empresário, nascido em 29 de junho de 1921 e falecido em 21 de novembro de 2018.
André Martins sublinhou que Manuel de Sousa Tomé “era um dirigente de uma empresa, mas era também um trabalhador que lidava com a comunidade”, a qual se juntou “para o reconhecer”, e agradeceu à sua família, por ter “uma dinâmica empresarial extremamente importante” no concelho de Setúbal e na região, “seguindo as pegadas do progenitor”, do qual herdou “os mesmos valores”.
O autarca saudou ainda os promotores da homenagem, sublinhando que se deve “elogiar sempre estes cidadãos e estas cidadãs que estão sempre disponíveis” para protagonizarem iniciativas deste tipo.
“Fazemos sempre este caminho de grande solidariedade com os outros, de grande generosidade para que esta comunidade seja cada vez mais respeitada e reconhecida e para que ela própria se sinta bem naquilo que faz e por aquilo que luta. Agradeço muito aos que são ativos, que se mobilizam e mobilizam os outros no sentido de fazer o bem comum”, disse.
A presidente da Junta de Freguesia de Azeitão, Sónia Paulo, que não conheceu pessoalmente Manuel Tomé, disse que, quando chegou ao local, apenas sabia que um grupo de pessoas de Vendas de Azeitão, “coordenado por Celestina Neves”, se tinha juntado para prestar homenagem ao empresário, o que lhe “parecia ser de valorizar e de apoiar, visto que era algo que a comunidade queria”.
“Saio daqui a conhecer mais um bocadinho do Manuel Tomé e agradeço por isso. O que eu reconheço é um homem de valores e um homem tem valores quando as suas filhas estão na sociedade com valores, quando esses testemunhos passam para as suas netas”, afirmou. “Parabéns à família por ter no seu seio familiar um homem a quem toda a comunidade acha justo fazer esta homenagem”.
Impulsionadora da homenagem com outros habitantes de Vendas de Azeitão, o Solidó – Grupo Musical Desportivo União e Progresso, o Real Clube da Malha, onde Manuel de Sousa Tomé passou muitas das suas últimas tardes, e várias empresas, com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, Celestina Neves notou que o empresário “deu muito” a Vendas de Azeitão, a terra onde vivia, e em particular ao Solidó.
“É nossa obrigação lembrar, homenagear e perpetuar o nome daqueles que fizeram da sua vida um exemplo de dedicação e ajuda aos outros. A vida de Manuel de Sousa Tomé é um desses raros exemplos. Sem nada esperar em troca, tudo fazia para ajudar aqueles que com ele trabalhavam ou simplesmente conviviam”, disse.
Celestina Neves recordou que em alguns verões da década de 1970 “até de beber deu às populações de Vendas, Pinheiros e Vila Fresca”, sendo “do furo da sua quinta que a rede pública era abastecida” quando a captação de água era insuficiente. “Não fosse a sua generosidade e as torneiras nada deitariam”.
Salientou que “em termos de generosidade foi um ser de exceção, com quem a população de Vendas tinha uma dívida de gratidão”, adiantando que a homenagem “só foi possível com a ajuda de muitos”.
Manuela Tomé, uma das filhas do empresário, recordou que Manuel de Sousa Tomé nasceu no Algarve e “veio com a família para Azeitão em 1952, por via da sua profissão de empreiteiro de obras públicas, aquando das obras de construção da Estrada Nacional 10 de Cacilhas a Setúbal, conferindo-lhe o atual traçado exterior às aldeias”, e ali permaneceu “até ao seu último dia”.
Após afirmar que Manuel de Sousa Tomé “não procurava louros, nem protagonismo e certamente não esperaria” a homenagem, manifestou a honra e o agradecimento da família pelo “reconhecimento” do mérito do pai de uma forma que “perpetua e testemunha um ser humano de bem”, por parte de “uma comunidade que soube reconhecer e perpetuar a sua memória”.
A neta, Susana Tomé, revelou a alegria que sentia por na homenagem “ver pessoas da terra, pessoas de Vila Fresca, pessoas da Quinta Nova que acompanharam” o seu avô desde 1952 até à sua morte. “Foi uma pessoa que se dedicou muito à empresa. A empresa e os trabalhadores era como se fosse tudo uma família. E nós, família, fazíamos parte disso”.








