O Parque Urbano da Várzea foi destacado enquanto exemplo inovador de boa prática de resiliência às alterações climáticas no espaço da União Europeia, tema em reflexão na segunda edição da cimeira climática digital CLIMAAX Webstival.
As características singulares do equipamento urbano setubalense, que concentra num único espaço valências de índole ambiental, de lazer e de prevenção de riscos climáticos, em particular a precipitação extrema e intensa, mereceram a referência diferenciadora da Missão de Adaptação às Alterações Climáticas da União Europeia.
O cenário climático de precipitação extrema e intensa centrou a apresentação realizada na manhã de 29 de janeiror do município de Setúbal no CLIMAAX Webstival, cuja segunda edição, a decorrer até dia 30 de janeiro, tem como tema “From Insights to Action, Advancing Climate Resilience” – em português “Dos insights à ação, avançar na resiliência climática”.
A chefe do Gabinete de Desenvolvimento Sustentável e Emergência Ambiental na autarquia de Setúbal, Cristina Coelho, partilhou que a precipitação forte e intensa é um dos principais riscos climáticos do território, o que provocou, no passado, situações de inundações rápidas em vários pontos da cidade, em particular na zona da Baixa.
A técnica municipal deu ainda nota de que, apesar dos menores índices de pluviosidade no território, os fenómenos de chuva forte e intensa são cada vez mais frequentes, sendo que a ocorrência de cheias rápidas extremas já não se verifica, resultado das bacias de retenção de águas existentes no Parque Urbano da Várzea.
A segunda edição da cimeira CLIMAAX Webstival conta com representantes dos cinco municípios europeus de Portugal, em que Setúbal é o único representante, Espanha, Eslováquia, Letónia e Finlândia, para partilhar experiências e estratégias locais para os desafios das alterações climáticas.
O CLIMAAX – CLIMAte risk and vulnerability Assessment framework and toolboX é um projeto-piloto lançado em 2023 nos Países Baixos, no âmbito da Missão de Adaptação às Alterações Climáticas da União Europeia, com recursos financeiros e analíticos para desenvolver e melhorar a resiliência contra os riscos climáticos.
Baseia-se em estruturas, métodos e ferramentas de avaliação de risco existentes e promove o uso de conjuntos de dados e plataformas de serviços para implantação em escala local e regional, apoiado por um quadro robusto e coordenado de avaliações de risco consistentes, harmonizadas e comparáveis.
O projeto procura desenvolver um novo conjunto de ferramentas e serviços, com prioridade ao desenvolvimento da acessibilidade, orientação, sintonia com os contextos locais, interpretação e aceitação pelas autoridades representativas da gestão do risco de desastres e da proteção civil.