Portal de notícias do Município de Setúbal

Portal de notícias do Município de Setúbal

Portal de notícias do Município de Setúbal

Portal de notícias do Município de Setúbal

🌤️21 °C

Primeiro quadro de comunicação inclusiva abre caminho a parques mais acessíveis em Setúbal

Partilhar notícia

Crianças com dificuldades de comunicação passam a ter uma nova forma de expressar vontades, emoções e escolhas no Jardim do Bonfim, com a inauguração, a 27 de outubro, do primeiro quadro de comunicação inclusiva do concelho.

“A instalação deste primeiro quadro no concelho é um ponto de partida. Queremos continuar a trabalhar para que os nossos espaços infantis sejam espaços verdadeiramente acessíveis, não apenas do ponto de vista físico, mas também de comunicação, de participação e de igualdade de oportunidades”, afirmou a vice-presidente da Câmara Municipal, Maria do Carmo Tiago.

Instalado no parque infantil, o equipamento utiliza símbolos pictográficos organizados por cores que permitem às crianças expressar emoções, fazer escolhas e interagir com outras crianças e adultos, mesmo quando não conseguem comunicar através da fala.

“Brincar é um direito fundamental da infância e comunicar é essencial para que esse direito seja vivido em pleno”, sublinhou a autarca, ao defender que todas as crianças devem poder participar nas brincadeiras, independentemente das suas capacidades ou dificuldades de comunicação.

A iniciativa integra o projeto “Aqui Comunicam TODOS!”, desenvolvido em parceria pela ANDITEC – Tecnologias de Reabilitação e pelo projeto Nas Asas da Diversidade, em articulação com a Câmara Municipal de Setúbal.

O responsável pelo projeto Nas Asas da Diversidade, João Torres, manifestou a intenção de levar estes equipamentos a outros parques infantis da cidade, defendendo que a acessibilidade dos espaços públicos deve ultrapassar a eliminação das barreiras físicas.

“Queremos que exista em mais parques da nossa cidade, vamos fazer de tudo para que isso seja possível”, afirmou o terapeuta da fala, salientando que a criação de espaços verdadeiramente inclusivos implica assegurar também a comunicação e a participação de todas as crianças.

O quadro destina-se a apoiar crianças com perturbação do espetro do autismo, paralisia cerebral ou outras dificuldades de comunicação, podendo igualmente ser utilizado por crianças migrantes que não dominam a língua portuguesa e por aquelas que estão a desenvolver a linguagem oral.

Durante a inauguração, Miriam Azevedo, representante da ANDITEC, explicou que o equipamento não recorre a dispositivos eletrónicos, utilizando símbolos que representam pessoas, ações, objetos e sentimentos, organizados por categorias e cores para facilitar a identificação.

“É algo simples, não é nada tecnológico. A simplicidade é o objetivo”, destacou, exemplificando que os adultos podem falar e apontar simultaneamente para os símbolos enquanto perguntam à criança se quer ir ao baloiço ou se está com calor ou frio.

A utilização não exige conhecimentos especializados e pode ser feita por pais, avós, educadores e outras pessoas que frequentem o parque, estando as instruções disponíveis no próprio equipamento.

“O quadro foi construído para ser intuitivo, para a comunicação ser fácil para qualquer pessoa”, explicou Miriam Azevedo, acrescentando que as crianças podem participar nas interações através do olhar, de gestos ou apontando para os símbolos.

O desenvolvimento do equipamento contou com a colaboração de um painel de especialistas, famílias e pessoas com necessidades complexas de comunicação, cujas sugestões contribuíram para aperfeiçoar o projeto.

“Foi um conjunto de peritos que nos ajudou a perceber se aquilo que nós pensámos fazia sentido”, referiu João Torres, destacando a importância dos contributos de pessoas com experiência direta nesta área.

A inauguração reuniu crianças, famílias, representantes de agrupamentos de escolas, equipas de intervenção precoce, centros de recursos para a inclusão e outros projetos da cidade.

Para Miriam Azevedo, o novo equipamento representa uma resposta às barreiras invisíveis que persistem nos espaços públicos, lembrando que “sem comunicação não há participação, e sem participação não há inclusão”.

Relacionadas
Não há notícias relacionadas
Mais lidas