O encontro serviu para debater a forma como é organizado o tempo escolar, uma dimensão que, como referiu o diretor do Departamento de Educação, Bibliotecas e Arquivos da Câmara Municipal de Setúbal, Carlos Cunha, é “estruturante da organização pedagógica das escolas” e tem “impacto direto na forma como se desenvolvem as aprendizagens, na qualidade do trabalho docente e no bem-estar dos alunos”.
Recentemente, algumas escolas e agrupamentos escolares têm experimentado a organização do ano letivo em dois semestres, com o objetivo de conseguirem benefícios nas aprendizagens, na avaliação e na gestão dos ritmos de trabalho ao longo do ano letivo.
No seminário, foi apresentado um estudo do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa sobre estas experiências e os benefícios que lhes são apontados, nomeadamente uma distribuição mais equilibrada do tempo letivo, a criação de pausas pedagógicas mais ajustadas e um maior alinhamento entre avaliação, ensino e aprendizagem.
Este trabalho de investigação foi apresentado por Joana Viana, professora auxiliar do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, que enquadrou cientificamente o debate.
Na mesa-redonda que se seguiu, as diretoras do Agrupamento de Escolas de Azeitão, da Escola Secundária du Bocage e dos agrupamentos de escolas de Nun’Álvares e Pedro Eanes Lobato, ambos do Seixal, Gisélia Piteira, Raquel Polainas, Maria Paula Coito e Célia Almeida, respetivamente, abordaram a experiência concreta das suas escolas e agrupamentos.
Após frisar a importância da reflexão, Carlos Cunha sublinhou que Setúbal tem “procurado afirmar um modelo de gestão local da educação assente na cooperação institucional, no reforço das parcerias com os agrupamentos de escolas e na criação de espaços de reflexão conjunta sobre os desafios que a escola enfrenta”, como é o caso deste seminário, um espaço que cruzou investigação, experiência e prática educativa.
O seminário deixou claro que o tema da organização do ano letivo em dois semestres está hoje no centro do debate educativo, pelos benefícios que pode trazer e pelos desafios que coloca, e que a organização do tempo escolar é uma questão central na Educação por influenciar em grande medida a aprendizagem, o bem-estar dos alunos e o trabalho dos professores.


