O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, afirmou na ocasião que publicar um livro de poemas sobre a Arrábida era “uma grande aventura”, mas sublinhou que Alexandrina Pereira e Nuno David “são aventureiros e fazem bem” as coisas a que se dedicam.
“Nós somos, naturalmente, os grandes beneficiários, por razões que todos nós reconhecemos, a nossa Serra da Arrábida”, disse o presidente da Câmara, salientando também o “empenhamento na divulgação da cultura setubalense e no acompanhamento da obra de Sebastião da Gama”, conhecido como o Poeta da Arrábida, por parte de João Reis Ribeiro, o autor do prefácio e apresentador do livro.
Referindo-se à inspiração da autora na candidatura dinamizada pela AMRS – Associação de Municípios da Região de Setúbal, pelos municípios de Setúbal, Sesimbra e Palmela e pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, admitiu a certeza de que, no final do mês, a UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura vai considerar a Arrábida como Reserva da Biosfera.
“E isso é uma forma de nós promovermos, de nós divulgarmos. A experiência diz-nos que, quando nós conhecemos melhor, somos capazes de defender melhor. E é esse o grande objetivo que os municípios que integram o território da Serra têm”, salientou, frisando a necessidade de as gerações futuras encontrarem “um mundo melhor” do que o atual.
Segundo o presidente da Câmara, iniciativas como a publicação deste livro de poemas sobre a Arrábida “só vêm dar força” às razões que levaram à apresentação da candidatura a Reserva da Biosfera. “É quase certo que esta candidatura será vencedora e nós, setubalenses e azeitonenses, palmelenses e sesimbrenses, somos gente que está cá para defender este património e para o valorizar”.
Alexandrina Pereira agradeceu a Nuno David “a bondade e a gentileza” de ter aceitado o seu convite para fazer as ilustrações da obra, sublinhando que se trata de “um apaixonado” pela Arrábida e “um dos maiores conhecedores dos seus segredos”.
Afirmou que a edição apenas foi possível por ter garantido um apoio financeiro, através da aquisição de livros, por parte de várias entidades, públicas e privadas, incluindo as câmaras municipais de Setúbal, Palmela e Sesimbra, juntas de freguesia dos três concelhos e ARMS, às quais depois foram pedidos depoimentos que integram a publicação.
“Muito obrigado por me terem concedido antecipadamente os créditos para que a edição fosse avante. Quando temos um sonho, há que lutar pela sua concretização. Sinto que vale a pena porque se trata de um livro destinado a todos os setubalenses, palmelenses e sesimbrenses. É de todos os que têm o privilégio de olhar um lugar que há mais de sete milhões de anos nos abraça. Esta serra é ímpar e faz parte de nós”, afirmou.
Nuno David agradeceu o convite de Alexandrina Pereira e recordou que a Arrábida foi a sua “casa de trabalho durante 30 anos”, o que faz de si “um homem de sorte”, tendo ficado deslumbrado quando, após passagens por África e pelo Brasil, conheceu a Serra-Mãe inspiradora de Sebastião da Gama.
João Reis Ribeiro felicitou Raul Reis pelo design gráfico, afirmando que o livro “fica bem em qualquer biblioteca e conceptualmente corresponde exatamente àquilo que era esperado”, afirmando que os 30 poemas da obra são “outros tantos louvores da Arrábida”, que classificou como “um lugar mágico”, e os seis desenhos de Nuno David “abrem espaço para este hino à Arrábida”, numa paisagem de tons diversos.
Na contracapa há um texto de Viriato Soromenho Marques, que André Martins considerou “um protagonista primeiro da defesa do ambiente e da conservação da natureza em Setúbal há muitos anos”, reconhecido como “alguém que sabe da importância da promoção, da defesa dos valores da natureza”.
A cerimónia contou ainda com a declamação de alguns poemas do livro por parte de Dina Barco e de João Completo, além de um momento musical em que a voz de Maria Vinagre foi acompanhada pela viola de Rui Reis.




