Numa visita ao parque, realizada na companhia do vereador Pedro Pina, o presidente da Câmara sublinhou que neste momento “falta apenas instalar todo o mobiliário urbano, fazer as sementeiras e prolongar a rega”, ligando o coletor existente na periferia do parque às zonas que vão ser semeadas, o que acontece no âmbito de uma empreitada que já está a ser iniciada.
“E, numa última fase de intervenção, será feita a requalificação de todo o edificado que ainda aqui existe. Nessa altura, podemos dizer que o Parque Urbano da Várzea estará concluído para todos poderem usufruir deste parque, que é o maior parque urbano do nosso concelho”, disse.
O autarca lembrou que o Parque Urbano da Várzea, com 19 hectares, teve a sua origem na sequência das cheias de 2008 em Setúbal, quando a Câmara Municipal, à data em que André Martins era vereador do Urbanismo, decidiu “tomar medidas para evitar” que as mesmas se repetissem, tendo sensibilizado “várias entidades, entre as quais o Instituto Nacional da Água”, para a “necessidade de fazer uma intervenção que permitisse controlar” as inundações na cidade.
“Ficaram muito sensibilizados e começámos a trabalhar numa solução para resolver este problema”, referiu, notando que, como aquela área era privada, a Câmara Municipal, através dos serviços que dirigia, contactou todos os proprietários da Várzea para que se chegasse a um acordo “em que eles libertavam as suas propriedades numa parte significativa, deixando a área da várzea disponível e passando-a para a gestão municipal”.
A autarquia, por seu lado, elaborou “um estudo urbanístico na periferia que permite a esses proprietários terem uma capacidade construtiva que viesse a compensar essa libertação dos terrenos” da várzea.
“E foi assim que tudo começou. A partir daí foram elaborados projetos, mas os projetos iniciais que elaborámos também tiveram de ser alterados, porque estamos numa área muito sensível em que, quando vêm as chuvas, há espaços que ficam inundados e, quando vem o Sol, a área onde as pessoas podem circular e usufruir deste espaço verde urbano é muito maior”, declarou.
O presidente da Câmara salientou que foi necessário “adaptar o projeto inicial à evolução do conhecimento aprofundado” que se foi tendo da realidade da várzea, mas frisou que a iniciativa “teve consequências e pelo menos há três anos que não há cheias na cidade” de Setúbal.
André Martins recordou ainda que o projeto “tem percorrido vários fóruns europeus” e é apontado como “um exemplo” no combate às alterações climáticas. “Isso é levar o nome de Setúbal por esse mundo fora, o que nos deixa a todos muito orgulhosos”.
O chefe da Divisão de Projetos, Concursos e Empreitadas da Câmara Municipal, José Amaro, afirmou que as intervenções em curso, realizadas em duas fases e com financiamento comunitário pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, acontecem “na sequência da execução da bacia de retenção e de algumas obras acessórias que também têm vindo a ser feitas, nomeadamente o anel de rega”, já concluído.
Salientou que a primeira fase da intervenção, que está “praticamente concluída”, consistiu na execução dos pavimentos de circulação em todo o espaço do parque e da rede de iluminação pública.
A segunda fase, agora iniciada, visa “concluir as infraestruturas de rega para as futuras zonas regadas do parque, onde serão também criados espaços de paisagismo com algum tratamento mais cuidado”, sendo ainda colocados “vários equipamentos, como papeleiras e mobiliário urbano, que darão uma resposta em termos de utilização” do parque.
“Nenhuma das intervenções que estamos a fazer retirará capacidade àquilo que é o objeto deste espaço”, disse, notando que este consiste em haver uma bacia de retenção das águas provenientes da serra através da Ribeira do Livramento, “permitindo uma proteção à cidade que nos últimos anos tem funcionado”.
Segundo José Amaro, a previsão é de que estas intervenções, que ainda incluem a plantação de mais 17 mil 183 arbustos e de 905 árvores, “após o sistema de rega ser concluído”, estejam terminadas “até ao final de setembro”.
A empreitada de valorização do corredor ecológico da Ribeira do Livramento, financiada no âmbito de candidatura ao Lisboa 2030, foi adjudicada por cerca de 783 mil euros (com IVA) e inclui a pavimentação dos caminhos, a construção de travessias sobre a Ribeira do Livramento, o reforço da iluminação e o alargamento do passeio da Avenida da Europa, na zona confinante com o parque.
Destinada a reforçar o parque com as condições necessárias para o seu usufruto pela população enquanto refúgio climático e área de recreio e lazer, a empreitada “Refúgio Climático da Várzea” foi adjudicada por mais de 715 mil euros (IVA incluído).
Esta segunda empreitada inclui a construção de um sistema de rega automatizado para desenvolvimento de um coberto vegetal, sementeira de prados, prados floridos e relvados, e plantação de arbustos, contemplando ainda a colocação de mobiliário urbano, designadamente bancos, papeleiras e bebedouros.








