Padre Casimiro Henriques alvo de nova homenagem

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O padre Casimiro Henriques foi alvo de nova homenagem dia 13, num jantar com cerca de 120 pessoas promovido pelos Amigos da Paróquia de São Sebastião, que vai deixar ao fim de oito anos.

No jantar realizado no Novotel de Setúbal, 12 dias depois de o clérigo ter sido homenageado pela Comissão de Festas de Nossa Senhora do Rosário de Troia, estiveram presentes o presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, o vereador Pedro Pina e o presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, Luís Matos.

 

Ao fim de oito anos na Paróquia de São Sebastião, o padre Casimiro Henriques transfere-se para a Paróquia da Costa da Caparica e da Trafaria, no concelho de Almada.

 

“Todos queremos dizer ao senhor padre Casimiro Henriques que nós ficamos aqui em Setúbal e ele vai só ali para a Costa da Caparica, é mesmo aqui ao lado. Nós, que o acompanhámos aqui durante oito anos, tivemos muito gosto e reconhecemos todo o trabalho e esforço que ele fez com a nossa comunidade”, disse o presidente da Câmara.

 

Depois de agradecer aos Amigos da Paróquia de São Sebastião por terem organizado a homenagem, André Martins salientou que o padre Casimiro Henriques “fez muito por esta comunidade”, manifestando-lhe reconhecimento “por todo esse trabalho, por toda essa dedicação e pela simplicidade” com que lidou com todos.

 

“Conseguiu fazer com que nós apreciássemos muito a sua presença e a forma como lidou com a comunidade. Mais uma vez, muito obrigado, padre Casimiro”, afirmou o autarca.

 

O presidente da Câmara sublinhou a “relação muito próxima” com as pessoas mantida pelo clérigo ao longos dos oito anos em São Sebastião, desejando-lhe que tenha “um percurso também de proximidade com a comunidade para onde vai”, embora em Setúbal fiquem “várias portas abertas para quando quiser vir cá matar saudades”, porque “é sempre muito bem-vindo”.

 

Salientou ainda “ligação muito forte” do padre às Festas de Nossa Senhora do Rosário de Troia e à comunidade piscatória de Setúbal. “O senhor padre esteve sempre ligado a esse projeto e a essa missão. Desde o descascar das batatas até ao lavar da loiça, é uma pessoa dedicada e empenhada”, frisou.

 

O padre Casimiro Henriques admitiu que, a sua chegada à paróquia de São Sebastião, em 2017, “não foi fácil”, porque, além de ter perdido o pai há pouco tempo e estar a sair da sua zona de conforto, “não sabia nada” do território que abraçava, “não conhecia as suas gentes”.

 

Recordou que na sua primeira missa estavam “apenas seis pessoas naquele igrejão” e que, ao olhar para o templo quase vazio, percebeu que tinha de fazer qualquer coisa para alterar a situação.

 

“A dor a seguir foi perceber as dores do meu povo. Se eu não estava bem, então fiquei pior à medida que fui percebendo isso, as dores do meu povo. E eu senti como minhas essas dores de uma comunidade que tinha sido muito martirizada, muito magoada, muito ferida e muito dorida. Isso feriu-me profundamente, saber como é que se pode magoar tanto pessoas como eu”, adiantou.

 

Ao lembrar que o presidente da Câmara afirmara que há sempre portas abertas, o sacerdote considerou que “a maior graça da nossa vida é abrirmos as portas do nosso coração e da nossa casa” uns aos outros.

 

“Aquilo que fizemos foi muito. Não sei se foi bastante, mas foi muito e dou graças a Nosso Senhor por tudo isso. O padre é sempre a figura mais visível, mas atrás do padre há os vossos rostos, as vossas mãos, que efetivamente foram aqueles que trabalharam”, disse, referindo que “o mais importante de todas as obras” foi ter-se criado comunidade. “Sou muito grato por cada um de vós ter embarcado nesta aventura”.

 

António Melo, dos Amigos da Paróquia de São Sebastião, afirmou que o jantar pretendia render uma “sincera homenagem ao padre Casimiro, pessoa que ao longo destes oito anos marcou profundamente a vida da comunidade paroquial e setubalense em geral”.

 

Lembrou que, ao chegar à paróquia, o padre Casimiro “teve a capacidade de diagnosticar a situação” em que esta se encontrava, sendo “bastante cinzenta a todos os níveis”, tanto quanto à comunidade, “que estava enfraquecida, desestruturada”, quanto ao património, “que carecia de uma urgente recuperação”.

 

Segundo António Melo, “a sua capacidade de organização, partilha e dedicação” permitiu “alterar a situação e construir laços onde havia até então algum desânimo e apatia das pessoas” que faziam parte da paróquia.

 

“Ele fez da paróquia a sua própria casa e dos paroquianos a sua família”, frisou. “Deixa obra feita a vários níveis, mas sobretudo deixa-nos o mais importante, pois criou de novo uma comunidade atenta e dinâmica. A si, padre Casimiro, esteja onde estiver, na Costa da Caparica e Trafaria ou noutro lugar, fará sempre parte desta paróquia”.

 

O presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, Luís Matos, notou que “é sempre um desafio” trabalhar no concelho de Setúbal e “em particular” nesta freguesia, “que é multifacetada e multicultural”, mas o padre Casimiro tem “o dom de saber juntar todas as pessoas”, os crentes e os não crentes.

 

“Vamos continuar, com toda a certeza, a partilhar momentos bonitos, vamos, com toda a certeza, continuar a partilhar momentos de lavagem de loiça, não se safa disso. É com enorme amizade que lhe dou um abraço de até já, que vá e que venha todos os dias, porque nós cá o esperamos todos os dias. Havemos de continuar a saber construir aquilo que nos cá deixou, à freguesia e à comunidade”, referiu.

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