Mário Ventura Henriques homenageado nos 90 anos do nascimento

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Mário Ventura Henriques, jornalista, escritor e fundador do festival de cinema Festroia, foi homenageado a 24 de maio, dia em que se completam 90 anos do seu nascimento, pelo contributo dado na projeção cultural de Setúbal.

Em cerimónia realizada no Cinema Charlot – Auditório Municipal, cuja sala tem agora o nome de Mário Ventura e onde foi descerrada uma placa de homenagem, o vereador Paulo Maia, da Câmara de Setúbal, falou numa personalidade de referência na esfera da cultura, do jornalismo, da literatura e do cinema.

“É o reconhecimento de um legado público que nos deixa um contributo consistente para a liberdade, para a liberdade de pensamento, para a liberdade de cultura e para a própria cultura, assim como para a afirmação cívica em termos particularmente exigentes da nossa história coletiva.”

Jornalista e autor, com uma volumosa e dispersa obra jornalística e literária, publicada em editoras, jornais e revistas, que lhe valeram vários prémios, Mário Ventura foi opositor ao regime salazarista, tendo participado em diversas eleições, com especial relevo para as realizadas em 1969, em que foi candidato a deputado por Évora.

“A sua obra literária, ampla e reconhecida, foi distinguida com importantes prémios”, sublinhou o vereador Paulo Maia, que evocou a dimensão cívica do homenageado. “Foi um homem de intervenção que viveu de forma assumida um compromisso com a democracia e com a liberdade.”

Mário Ventura foi fundador do Festroia – Festival Internacional de Cinema de Troia, cuja primeira edição teve lugar em 1984 e se transferiu para Setúbal em 1995, sendo renomeado de Festroia – Festival Internacional de Cinema de Setúbal, onde se realizou até à trigésima e derradeira edição, em 2014.

O autarca afirmou que o homenageado “deixou uma marca decisiva na afirmação cultural do território e na sua projeção nacional e internacional”, uma ligação já reconhecida pelo município, que, em 2001, lhe atribuiu a medalha de honra da cidade, na classe Cultura.

Após o falecimento em 2006, a Câmara Municipal de Setúbal voltou a prestar-lhe homenagem, em 2009, com o descerramento de duas placas toponímicas na freguesia de São Sebastião, com os nomes de Mário Ventura Henriques e do Festroia – Festival Internacional de Cinema de Setúbal.

A autarquia atribuiu agora o nome de Mário Ventura à sala do Cinema Charlot, um gesto com uma dupla dimensão. “Reconhece o legado já inscrito na história da cidade e afirma a vontade de preservar na memória coletiva aqueles que contribuíram de forma relevante para a construção de uma sociedade mais livre e crítica.”

A presidente da Associação Festroia, Débora Silva, agradeceu o apoio do município na organização da homenagem desta tarde, a qual “recordou Mário Ventura, o seu percurso de vida e paixões”, e para tornar possível “este momento de encontro, de memória e de reconhecimento”.

A cerimónia contou ainda com testemunhos de Luís Teixeira, membro da direção da Associação Festroia, assim como do jornalista Germano Campos, a que se seguiu a apresentação de um vídeo evocativo, com imagens captadas ao longo de várias edições do Festroia.

O programa de homenagem a Mário Ventura Henriques prosseguiu com a apresentação da edição fac-similada de “Quarto Crescente: A Ficção da Verdade”, com leituras de Paula Farinhas e Dina Barco, um livro de memórias e ficção publicado em abril de 2001, que explora a vertente autobiográfica do autor.

Seguiu-se a exibição do filme “O Segredo de Miguel Zuzarte”, realizado em 2010 por Henrique Oliveira, uma adaptação cinematográfica baseada na obra de Mário Ventura que retrata uma aldeia perdida no Alentejo em que a notícia da implantação da República tarda a chegar.

O evento de homenagem culmina à noite, às 21h30, com a exibição do clássico italiano “O Sheik Branco”, realizado em 1952 por Federico Fellini, uma história das ilusões e desilusões de uma provinciana, fã de fotonovelas, que durante uma viagem a Roma quer conhecer o herói de uma série.

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