O presidente da Câmara Municipal, André Martins, recordou em 28 de fevereiro a importância de Joana Luísa da Gama para a produção poética de Sebastião da Gama, na inauguração de um largo com o seu nome em Vila Nogueira de Azeitão.
No dia em passavam 102 anos sobre o seu nascimento, a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia de Azeitão e a Associação Cultural Sebastião da Gama inauguraram o Largo Joana Luísa da Gama, situado na intersecção entre as ruas Francisco Gonçalves de Oliveira, da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense e Poeta Sebastião da Gama.
O autarca disse que, pelos testemunhos de quem acompanhou a vida do casal, Joana Luísa da Gama era uma “mulher dedicada” que teve grande influência no “muito do que de bom foi produzido por Sebastião da Gama”, pela “estabilidade e amor” que ofereceu ao marido, o pedagogo e poeta que celebrou a Serra da Arrábida.
Depois de salientar que o concelho continua a comemorar o centenário de Sebastião da Gama, André Martins agradeceu a Joana Luísa por ter sabido “fazer tudo o que esteve ao seu alcance para projetar o homem e a sua obra”, mesmo depois da sua morte, que a deixou viúva aos 28 anos.
“Também agradeço à família todo o apoio que tem dado a estas iniciativas da associação, da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia e todo este trabalho que o presidente e os órgãos sociais da associação têm feito para projetar Azeitão, projetar Setúbal, projetar a Arrábida, projetar as nossas tradições e as nossas riquezas, que, no fundo, são também estas”, disse.
O presidente da Câmara considerou que “há muitas formas de riqueza”, mas a poesia “é das mais importantes”, pois é das “que penaliza menos a nossa vida e urge na relação com os outros”, sendo normalmente “muito bem dirigida” pelo poeta “àquilo que é importante” os homens refletirem.
“Estamos aqui a contribuir para construir um futuro melhor e é com estes homens e com estas mulheres que nós nos revemos naquilo que é positivo no ser humano”, afirmou, considerando que os azeitonenses passaram a ter “um largo onde revêm a sua cultura, a sua tradição, a humanidade de quem vive e viveu em Azeitão”.
A presidente da Junta de Freguesia de Azeitão, Sónia Paulo, recordou que Joana Luísa da Gama “dedicou a vida ao amor e manteve Sebastião da Gama como seu companheiro de vida”, assegurando que “o homem e a obra vivessem além do seu tempo” na Terra.
“Hoje vivemos numa sociedade em que escutamos que atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher. Discordo em absoluto de tal afirmação e digo que Joana Luísa é a prova antes do tempo de que o caminho é feito lado a lado, sem competição e sem ver quem vai atrás ou na frente”, afirmou.
A autarca agradeceu o trabalho que foi desenvolvido pela associação com a Câmara Municipal, com a realização de várias conferências ao longo dos dois anos em que se comemorou o centenário de Joana Luísa e Sebastião da Gama, as quais permitiram aprofundar o conhecimento da obra do poeta e o reconhecimento do papel que a mulher “teve em toda a sua obra”, tanto na publicada em vida como a título póstumo.
O presidente da Associação Cultural Sebastião da Gama, Lourenço de Morais, sublinhou que o largo “só fazia sentido existir” naquele local, “junto à Rua Poeta Sebastião da Gama”, considerando que se trata de “uma homenagem muito justa e merecida a uma mulher cuja presença discreta e silenciosa, mas não menos firme e assertiva, marcou a vida e definiu aquilo que foi o legado” de Sebastião da Gama.
“Joana Luísa foi a mulher de Sebastião da Gama, a sua companheira de vida, a sua confidente e a guardiã da sua memória e obra”, notou, lembrando que “teve um papel fundamental na preservação do legado do poeta, garantindo que as suas palavras continuassem a ecoar no tempo e a inspirar as gerações futuras”.
A cerimónia terminou com o descerramento de uma segunda placa, no mesmo largo, com o texto de “Madrigal”, um poema de Sebastião da Gama sobre o amor.


