Investimento continuado na Educação é garantia de futuro

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O presidente da Câmara Municipal, André Martins, afirmou no dia 10, na abertura da XI Conferência Anual de Educação de Setúbal, que o investimento continuado na educação é a mais segura garantia de futuro.

André Martins deu como exemplo deste investimento continuado na Educação em Setúbal a “qualificação e construção de novas escolas, em particular o novo Centro Escolar Barbosa du Bocage, obra que já vai adiantada e representa um investimento de mais de cinco milhões de euros”, ou a nova escola básica a construir na Quinta da Amizade, “uma das zonas do concelho em que a população mais rapidamente cresce”.

 

Salientou, no entanto, que “a educação não acontece apenas nas escolas, mas em toda a cidade”, nomeadamente em áreas como bibliotecas, museus e outros espaços culturais, ou nos bairros, nas associações, no desporto, nas ruas e até nas relações quotidianas dos cidadãos.

 

Recordou que Setúbal é uma Cidade Educadora e que, como tal, “não se demite da sua responsabilidade” e trabalha para transformar “cada espaço e cada momento numa oportunidade de aprendizagem, de cidadania e de crescimento humano”.

 

Ao longo do dia, a XI Conferência Anual de Educação de Setúbal, organizada pela Câmara Municipal no Fórum Municipal Luísa Todi subordinada ao tema “A educação como bem comum da humanidade”, é um espaço de encontro, reflexão e capacitação da comunidade educativa, incentivando a partilha de experiências e a definição de ações adaptadas às especificidades do território.

 

“Este título não é apenas uma expressão feliz. É uma afirmação de princípio, uma declaração de valores. Desde os primórdios da humanidade, o conhecimento e a capacidade de o transmitir foram aquilo que permitiu ao ser humano sobreviver, criar comunidades, desenvolver culturas, construir ciência, tecnologia e arte. Sem educação, não haveria evolução. Sem partilha de saber, não haveria progresso”, disse o autarca.

 

O presidente da Câmara salientou que “a humanidade enfrenta desafios globais” ambientais, sociais, tecnológicos e políticos que exigem “respostas coletivas, sustentadas, enraizadas no conhecimento, na ética e na cooperação”, as quais só podem ser garantidas através da educação.

 

“Quando dizemos que a educação é um bem comum, estamos a dizer que ela deve ser protegida e promovida como se protege a água, o ar ou a própria vida. Não pode ser reduzida a mercadoria nem vista apenas como ferramenta para o mercado de trabalho. É muito mais do que isso: é a base da liberdade, da dignidade, da cidadania e da possibilidade de futuro para cada pessoa e para a humanidade no seu conjunto”, frisou.

 

André Martins abordou problemas como “as desigualdades profundas no acesso e no sucesso escolar, as dificuldades em garantir inclusão plena de todas as crianças e jovens, independentemente da sua origem social, cultural ou geográfica ou a desvalorização do papel dos professores, cuja missão é central”, alertando que o futuro coletivo fica comprometido se estes não forem enfrentados.

 

O presidente da Câmara sublinhou que o desafio é “fazer da educação não apenas um serviço público, mas verdadeiramente um bem comum da humanidade, capaz de unir, de libertar e de transformar”, notando que o programa da conferência “distingue-se pela sua riqueza e qualidade, reunindo reflexões teóricas, experiências comunitárias e contributos institucionais que espelham a diversidade de olhares sobre a educação”.

 

Destacou a participação da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal, “parceiro fundamental e incontornável deste percurso, cuja colaboração tem sido decisiva para consolidar Setúbal como Cidade Educadora”, e a presença do professor Joan Manuel del Pozo, presidente do Conselho de Educação da Catalunha.

 

A sessão começou com um momento cultural no âmbito do Projeto PO.VOAR “Trilhos de Memórias”, a apresentação de “Caleidoscópio de Estórias: Vivências do Bairro”, uma criação do coletivo Repasseado, dedicado às músicas de raiz e identidades locais para dar vida a histórias de bairro, com o tema “Fonte da Charoca” a ser cantado por mulheres do bairro de Troino.

 

Trata-se de um projeto dinamizado pelo município e apoiado no âmbito do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, Comunidades em Ação, candidatura OIL – Operação Integrada Local na União das Freguesias de Setúbal, Coesão Socio-Territorial Através das Margens.

 

“Quero sublinhar que o investimento que o PRR tem permitido concretizar, em matéria de educação, inclusão e trabalho com as comunidades será mais detalhadamente apresentado no período da tarde, mostrando como estas iniciativas se traduzem em projetos estruturantes para o futuro coletivo”, disse o presidente da Câmara.

 

André Martins recordou que à tarde haveria ainda a oficina “Manifesta-te”, dinamizada por Paula Moita, da associação Dar Cor à Vida, a partir do projeto “Palavras que Ferem”, igualmente desenvolvido no âmbito do PRR – Comunidades em Ação. “Esta atividade dirige-se aos jovens do concelho e constitui um espaço de expressão, reflexão e criação coletiva em torno de temas que os tocam diretamente”, notou.

 

O autarca agradeceu “a todos os que tornaram possível este encontro”, dos oradores aos participantes, passando por parceiros, instituições, escolas, associações e trabalhadores municipais, e reafirmou “o compromisso de Setúbal em continuar a ser uma cidade que se educa e que educa”, porque “educar é o ato mais poderoso de esperança no futuro”.

 

A abertura da conferência terminou com a exibição do vídeo “Setúbal, Cidade Educadora”, seguindo-se a intervenção “A Educação Como Bem Comum da Humanidade: Uma Reflexão Ética”, com Joan Manuel del Pozo, presidente do Conselho de Educação da Catalunha.

 

De manhã, a professora Luzia Lima-Rodrigues, da Escola Superior de Educação, do IPS, abordou ainda o tema “A Educação Como Bem Comum da Humanidade: Inclusão e Desenvolvimento Humano”, enquanto a tarde começa com a sessão “Caminhos Que se Trilham: Experiências da Escola e da Comunidade”, moderada pelo diretor da Escola Superior de Educação do IPS, João Pires, e com apresentação de projetos locais.

 

“Território Educativo de Intervenção Prioritária”, por Carlos Martins, do Agrupamento de Escolas Ordem de Sant’Iago, e “PRR – Operação Integrada Local na União das Freguesias de Setúbal, Coesão Socio-Territorial Através das Margens”, por Vasco Caleira, da Câmara Municipal de Setúbal, são também temas para a tarde.

 

São ainda apresentados “Mudar a caixa negra”, por Nuno Mantas, do Agrupamento de Escolas da Boa Água, e “A Educação como alavanca de transformação das cidades: projetos que saem e entram das aulas das nossas escolas e institutos”, por Albert Soler Fuentes, do município espanhol de Granollers e membro do Comité Executivo da AICE – Associação Internacional de Cidades Educadoras.

 

A conferência, enquadrada nos princípios da Carta das Cidades Educadoras e da Rede Global de Cidades de Aprendizagem da UNESCO, encerra às 17h00 com intervenções da vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Carla Guerreiro, e de Cristina Gomes da Silva, da Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Setúbal.

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