Fórum da Península de Setúbal lança a estratégia da região para a próxima década

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Cerca de 200 pessoas, entre autarcas, investigadores, empresários e alguns dos agentes mais dinâmicos da região, juntaram-se no dia 1 no primeiro Fórum da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal, “Península de Setúbal — Uma Visão Estratégica para a Região”.

O encontro, realizado no Cine-Teatro São João, em Palmela, com a presença, entre outros autarcas, da vice-presidente da Câmara de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, e do vereador Paulo Maia, constituiu o primeiro grande momento público da nova comunidade intermunicipal e o arranque formal da construção da agenda estratégica da região para o próximo ciclo de fundos europeus.

Assumido como um momento fundador, o encontro deu o “tiro de partida” de um percurso há muito esperado, afirmou o presidente da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIMPS), Frederico Rosa, que também preside à autarquia do Barreiro. “Este não é o tempo de quem divide, é o de quem quer construir em conjunto.”

Um dos dados que marcou o dia foi o crescimento demográfico da região. Segundo os números mais recentes do INE – Instituto Nacional de Estatística, a Península cresceu cerca de 13 por cento entre 2021 e 2025, aproximando-se de um milhão de habitantes, um sinal de que, como foi sublinhado, algo estrutural está a mudar neste território.

O Fórum da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal marcou o início da elaboração do Plano Estratégico 2028-2034, suportado pelo recém-empossado Conselho Estratégico da CIMPS, que reúne 31 entidades públicas e privadas, presidido pela indústria e secundado pelo ensino superior.

“No primeiro trimestre de 2027 estaremos todos juntos a apresentar o nosso plano estratégico, participado e que traduz uma visão”, anunciou o presidente Frederico Rosa, convicto de que “a Península de Setúbal vai ser central no desenvolvimento do país na próxima década”.

O presidente da CIMPS sublinhou ainda a urgência de fechar o Plano Regional de Ordenamento do Território, “a peça-chave que encaixa todos os grandes investimentos” esperados há décadas pela região.

Ao longo do dia, o debate percorreu, em seis mesas-redondas, o essencial dos desafios e oportunidades do território, como os fundos europeus e a governação multinível, a inovação, a competitividade económica, a indústria e a transição energética, os recursos humanos, a qualificação e a atração de talento, o desenvolvimento e os fatores diferenciadores do território, o turismo e a valorização territorial.

As infraestruturas estratégicas, do novo aeroporto e da terceira travessia do Tejo à alta velocidade, dos portos e à mobilidade metropolitana, estiveram igualmente em foco no encontro que reuniu, à mesma mesa, Governo, administração regional, autarquias, universidades, centros de conhecimento, associações e empresas.

De todas as intervenções sobressaiu a ideia comum de que com a nova configuração estatística a Península de Setúbal deixa de ser avaliada pela média da Área Metropolitana de Lisboa e passa a ser reconhecida pela sua realidade, o que permitirá aceder, no próximo quadro comunitário, a taxas de cofinanciamento europeu substancialmente mais favoráveis.

Mais do que o volume de fundos, o desafio identificado foi o da preparação, com a definição de prioridades claras e de ter projetos maduros, prontos a arrancar no momento certo.

A sessão de encerramento, com o vice-presidente do Conselho Intermunicipal, Paulo Silva, e o secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, reforçou a leitura do dia. A criação da CIMPS foi o momento fundador e o Fórum o início do Plano Estratégico, sendo que o passo seguinte é a execução.

A Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal, constituída em dezembro de 2025, reúne os nove municípios da região – Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal – num território de mais de 1.600 quilómetros quadrados e uma população que se aproxima de um milhão de habitantes.

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