O presidente da Câmara Municipal, André Martins, afirmou na noite de 1 de fevereiro, após o concerto de encerramento da segunda edição, a intenção de continuar a apostar na realização do Festival Luísa Todi – Canto Lírico em Setúbal.
A segunda edição do festival que homenageia a cantora lírica setubalense Luísa Todi, promovido pela Câmara Municipal e pela Associação Setúbal Voz, decorreu entre 4 de janeiro e 2 de fevereiro, com 16 espetáculos e workshops em vários locais da cidade, tendo o penúltimo evento sido o concerto cómico de encerramento “Constança e a Orquestra de Assobios”, realizado no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
“O que nós queremos é que os setubalenses, os azeitonenses, todos aqueles que nos visitam, gostem e desfrutem desta possibilidade de ter canto lírico em Setúbal”, disse o presidente da Câmara. “Um agradecimento muito grande a todos, vamos continuar esse trabalho”.
O autarca sublinhou que Luísa Todi, nascida há 272 anos, é “uma marca” de Setúbal, que representou a cidade a cantar “nos salões da Europa daquele tempo”, e manifestou a intenção de se continuar “a fazer tudo para que haja efetivamente um festival de canto lírico em Setúbal que faça homenagem” à cantora lírica, considerada uma das mais importantes do seu tempo e a artista portuguesa do género mais célebre de sempre.
André Martins saudou os artistas que participaram no concerto de encerramento e a Associação Setúbal Voz, considerando que para Setúbal é “um privilégio” ter uma associação cultural que afirma a sua importância “a cada ano que passa”, fazendo depois um agradecimento especial ao maestro Jorge Salgueiro, o diretor artístico do festival. “No fundo, é ele que cria estas diversidades todas a que nos vem habituando”.
Jorge Salgueiro manifestou, por seu turno, um “profundo agradecimento pelo carinho” que o presidente da Câmara tem dedicado ao canto lírico em Setúbal. “É ele o pai deste festival, foi ele que acreditou”.
O maestro reconheceu que “os 30 mil euros que a Câmara investe neste festival são um esforço para o município, para os setubalenses, para os azeitonenses”, porque “saem dos seus impostos”, e que “todo este movimento se deve muito” ao presidente da Câmara, “à sua força em acreditar que a cidade de Setúbal tem uma marca que a diferencia”.
Essa marca é “uma mulher que foi a mais importante cantora lírica do seu tempo, que, numa altura em que era tão difícil viajar, foi a Londres, a Paris, à Polónia, a Madrid, à Rússia”, tendo sido “até ao século XX” o cidadão português “que mais divulgou e que mais longe levou o nome de Portugal”.
Para Jorge Salgueiro, “é muito bonito” que todos os anos se comemore o nascimento de “uma mulher que é uma inspiração para a cidade” e para todos serem cada vez melhores nas respetivas atividades. “É muito bonito uma cidade ter como ícone uma artista, que não é um guerreiro, que não é ninguém que conquistou nada, que sacrificou outros povos”, concluiu.
A segunda edição do festival decorreu entre 4 de janeiro e 2 de fevereiro. No primeiro dia, a Igreja do Convento de Jesus foi palco da apresentação do festival e encheu-se para o primeiro evento, o concerto “Os Três Barítonos”, inspirado nos “Três Tenores” e no qual Gonçalo Martins, Diogo Oliveira e João Merino, três dos maiores barítonos portugueses da atualidade, foram acompanhados ao piano por Tiago Mileu.
O programa foi depois retomado em 9 de janeiro, data em que Luísa Todi nasceu há 272 anos, com a cerimónia de abertura na Glorieta a Luísa Todi, na avenida com o nome da cantora lírica, com deposição de flores e intervenção de convidados, e o segundo evento, “As Viagens de Luísa Todi à Chuva”, com a soprano Helena de Castro e a participação da Academia de Dança Contemporânea de Setúbal.
O concerto cómico de encerramento, “Constança e a Orquestra de Assobios”, com a cantora Constança Melo acompanhada pela Orquestra de Assobios, sob direção de Jorge Salgueiro e do maestro brasileiro Aldo Brizzi, do Núcleo de Ópera da Bahia, teve lugar às 21h00 de 1 de fevereiro.
Na manhã do mesmo dia, a Igreja do Convento de Jesus acolheu o penúltimo espetáculo do programa, um recital de canto e piano com a convidada internacional, a soprano brasileira Graça Reis, do Núcleo de Ópera da Bahia, que foi acompanhada ao piano por Eduardo Jordão no recital “Brasil Ancestral e Moderno”.
Na tarde do dia seguinte, domingo 2 de fevereiro, Graça Reis e Aldo Brizzi foram os formadores no último evento do festival, a formação/oficina “Canto Lírico no Brasil”, realizada no Auditório do Mercado do Livramento.
O programa contou ainda com eventos no Fórum Municipal Luísa Todi, no Auditório Bocage e no Auditório da Escola Secundária D. João II, alguns pagos e outros de entrada livre.
Um cine-concerto da Companhia de Ópera de Setúbal, Coro Setúbal Voz e Pequena Orquestra com música e imagens da série da RTP O Americano, concertos encenados, um musical juvenil, óperas para o 1.º ciclo e para bebés e um recital coletivo por alunos dos Conservatórios de Palmela, Setúbal e Montijo integraram o programa.
Além do espetáculo de Graça Reis, também houve recitais de canto e piano por Elisa Bastos, vencedora do Concurso Setúbal Voz para Jovens Cantores de Ópera 2024, Carlos Guilherme e Carla Caramujo, os dois primeiros acompanhados ao piano por Tiago Mileu e a terceira por Pedro Oliveira Lopes.












