Além de ter escolhido os filmes a concurso no festival, apresentado a 26 de maio no Rooftop do Fórum Municipal Luísa Todi, vai ser também o povo a eleger a melhor longa-metragem e a melhor “curta”, com votações logo após as exibições, sendo os prémios entregues no dia 21 de junho, às 15h00, na Sociedade Musical Capricho Setubalense.
Nesta derradeira sessão do evento vai também ser exibido o documentário “Festival do Bairro – Uma História de Outros Olhares de Cinema”, encomendado pela organização ao realizador setubalense Pedro Augusto Almeida.
O programador e jornalista de cinema Rui Pedro Tendinha, coordenador deste festival comunitário organizado pela Câmara Municipal de Setúbal, salientou a participação ativa da comunidade na tomada de decisões, afirmando que o seu curador “foram as pessoas de diversos bairros” do território da União das Freguesias de Setúbal.
Depois de notar que o festival era “aberto à população” e a todas as pessoas que se pretendiam inscrever para participar, considerou que o facto de ser “programado pelo povo” torna-o um caso de estudo em Portugal.
“Como jornalista de cinema, devo dizer que acho que vocês fizeram uma bela seleção”, disse, dirigindo-se aos moradores dos bairros presentes na apresentação do festival, que tem entrada livre em todas as sessões.
O festival tem início em 19 junho com a exibição, às 21h45 nos Edifícios Montalvão, do filme “Bairro do Povo”, de João Bordeira e Sérgio Braz d’Almeida, com produção da Monstro Colectivo Associação Cultural e financiamento da Câmara Municipal no âmbito do programa Viver a Anunciada.
O filme, parte de um trabalho de pesquisa desenvolvido pelos realizadores e pela antropóloga Vanessa Iglésias Amorim nos bairros dos Pescadores e do Grito do Povo, aborda as condições precárias nos antigos bairros de lata, passando pela luta conjunta pelo direito à habitação digna, até ao quotidiano na atualidade, através da partilha de testemunhos dos moradores, que participaram nas gravações.
No dia 20 há duas sessões, uma com as quatro curtas-metragens às 18h00 na Capricho e outra às 21h45 no Largo da Misericórdia, onde é exibida a longa-metragem “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira, um drama íntimo sobre um veterano de guerra idoso forçado a ir para uma casa de repouso, onde confronta os fantasmas de seu passado e forma um vínculo inesperado com sua cuidadora negra.
“Salto”, de Nuno Baltazar, “Chama”, de Lucas Dutra, “Vasco da Gama – O Mar Infinito”, de Cláudio Jordão, e “O Menino de Baião”, de João Seugirdor, são os quatro filmes do concurso de “curtas” exibidos na sessão da tarde.
Este dia vai ter como madrinha a atriz Anabela Moreira, que participa no documentário “Festival do Bairro – Uma História de Outros Olhares de Cinema”, que, segundo Rui Pedro Tendinha, tem “um elenco incrível” por também contar com o músico The Legendary Tigerman, o ator Paulo Pires ou o escritor Alex Couto.
O realizador Pedro Augusto Almeida manifestou-se satisfeito com o produto final do documentário, com cerca de 35 minutos, sublinhando que “raramente acontece um produtor oferecer carta branca a um realizador”, como sucedeu neste caso.
“Acompanhei o processo todo, fiz entrevistas com convidados, alguns membros do comité de seleção e a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira”, afirmou, notando que o documentário também aborda o lado histórico do cinema em Setúbal, desde finais do século XIX até hoje.
Organizado pela Câmara Municipal, o Festival do Bairro – Cinema de Rua conta com o apoio da União das Freguesias de Setúbal e é apoiado no âmbito do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, Comunidades em Ação, candidatura OIL – Operação Integrada Local na União das Freguesias de Setúbal, Coesão Socio-territorial Através das Margens.

