Exposição celebra o 25 de Abril feito nos palcos

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O presidente da Câmara Municipal, André Martins, afirmou em 27 de março que a inauguração da exposição “Liberdade! Liberdade! A Revolução no Teatro”, no Fórum Municipal Luísa Todi, significa o reforço do compromisso de Setúbal com a memória, a cultura e a cidadania.

O presidente da Câmara Municipal, André Martins, afirmou em 27 de março que a inauguração da exposição “Liberdade! Liberdade! A Revolução no Teatro”, no Fórum Municipal Luísa Todi, significa o reforço do compromisso de Setúbal com a memória, a cultura e a cidadania.

“Ao acolhermos esta exposição itinerante do Museu Nacional do Teatro e da Dança, estamos a reforçar o compromisso de Setúbal com a memória, a cultura e a cidadania”, disse o presidente da Câmara na cerimónia de inauguração da mostra que está patente na zona da entrada daquele equipamento municipal, realizada no Dia Mundial do Teatro.

O autarca salientou que “Setúbal tem profunda ligação às artes performativas e o teatro foi, em muitos momentos, um espaço de resistência, de questionamento e também de esperança”, dando aquela exposição “um testemunho vivo desse percurso”, no qual “o palco foi trincheira e a palavra arma de mudança, de transformação” social.

“É com grande satisfação que hoje nos reunimos para celebrar o teatro e a liberdade, duas forças inseparáveis que marcam a nossa história coletiva, desta cidade também. Fazemo-lo num momento de especial significado, uma vez que assinalamos hoje o Dia Mundial do Teatro e os 50 anos do Teatro de Animação de Setúbal, isto no mesmo ano em que continuamos a celebrar meio século da Revolução de Abril”, sublinhou.

André Martins notou que os documentos, imagens e objetos presentes na exposição permitem “revisitar os tempos de censura, os gestos de coragem, a explosão criativa que se seguiu ao 25 de Abril”, ao mesmo tempo que recordam que “a liberdade conquistada nunca pode ser dada por garantida porque é um exercício permanente, que também se pode construir nos palcos, na arte e na cultura”.

A celebração do Dia Mundial do Teatro ficou “ainda mais completa” com a estreia da peça “Simplesmente Abril”, com texto de Rui Zink e levada à cena pelo TAS – Teatro de Aminação de Setúbal, que o presidente da Câmara considerou “um dos pilares do teatro em Setúbal”, porque, “ao longo de cinco décadas, tem sempre dado voz às histórias” da cidade e do tempo atual.

Após notar que o programa só era possível “graças ao apoio da Câmara Municipal de Setúbal” e ao “envolvimento do Ministério da Cultura e da Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril”, o autarca agradeceu “a todas as entidades envolvidas” e desejou que a noite fosse “de celebração” e de “reflexão”, tendo em vista a construção de um futuro onde a arte seja “um espaço de resistência, de criação e de verdade”.

A diretora do TAS, Célia David, afirmou ser “com imenso gosto e com uma enorme honra” que a companhia integrava a exposição, com a qual o Ministério da Cultura “distinguiu dez companhias históricas, aquelas que trabalharam ininterruptamente desde o 25 de Abril”, tendo o grupo setubalense sido fundado em 1975 por Carlos César, António Assunção, Carlos Daniel e Francisco Costa.

“Fomos desafiados para fazer um espetáculo comemorativo desse evento e fizemos também um desafio ao Rui Zink. Podíamos ter feito uma reposição, mas quisemos fazer algo novo, jovem, mais ou menos original”, disse, referindo-se à peça “Simplesmente Abril”, exibida após a inauguração da exposição.

A atriz considerou que a exposição “é muito interessante porque realça o trabalho de descentralização que foi feito” pelo TAS em Setúbal e por outras companhias que não de Lisboa, até do Porto, “que na altura também não era considerado central”, as quais “tiveram um forte impacto na descentralização teatral e cultural” ocorrida em Portugal.

“Tudo isso ter sido distinguido ao fim deste tempo todo e nós termos conseguido completar 50 anos é, de facto, uma grande façanha neste país, em que isto é tão mal apoiado e nós sabemos as dificuldades. É preciso muita resistência, muita força, muita coragem, muita teimosia, até”, disse.

Célia David recordou que Francisco Costa é o único fundador do TAS ainda vivo e que, após Carlos César ter dirigido a companhia durante 25 anos, o testemunho foi agarrado por si, por Duarte Victor – que celebra 50 anos de carreira –, por Miguel Assis e por Carlos Curto, “que já está reformado e regressou”, encenando a nova produção.

“Estamos de parabéns”, sublinhou, agradecendo o apoio do público e da autarquia. “A Câmara Municipal de Setúbal tem sido o nosso essencial parceiro ao longo destes 50 anos. O nosso apoio fundamental é do município”.

A Diretora do Museu Nacional do Teatro e da Dança, Mariana Viterbo Brandão, deu igualmente os parabéns ao TAS por meio século de existência e considerou ser “muito bom” inaugurar a exposição num dia tão significativo, não só em Setúbal, mas também no Porto, com o Teatro Experimental do Porto.

“É para nós um gosto, no Dia Mundial do Teatro, não só termos esta parceria como termos a oportunidade de associar uma exposição em que estamos envolvidos a um espetáculo, porque nós temos a nossa atividade muito centrada em documentos, mas esses documentos não fazem muito sentido sem o acontecimento”, disse.

A peça “Simplesmente Abril”, com texto de Rui Zink, encenação de Carlos Curto e interpretação de Célia David, Duarte Victor, Miguel Assis e João Fernandez, subiu depois ao palco e foi concluída com a diretora do TAS a ler a mensagem oficial do Dia Mundial do Teatro do Instituto Internacional de Teatro da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

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