Encontro reflete sobre desporto adaptado

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A importância de definir uma estratégia nacional que promova a prática desportiva foi destacada no dia 12 de março pelo vereador Pedro Pina, da Câmara Municipal de Setúbal, na primeira sessão de 2025 do ciclo Conferências do Forte, dedicada ao desporto adaptado.

A importância de definir uma estratégia nacional que promova a prática desportiva foi destacada no dia 12 de março pelo vereador Pedro Pina, da Câmara Municipal de Setúbal, na primeira sessão de 2025 do ciclo Conferências do Forte, dedicada ao desporto adaptado.

“O problema é que não há uma política desportiva para o país. É muito importante que saibamos, em conjunto, exigir uma estratégia nacional, pois nenhum cidadão deve ser discriminado em função do território onde vive”, afirmou o autarca no encontro com o tema “Desporto para pessoas com deficiência – Onde estamos? Para onde vamos?”, realizado no Forte de Albarquel, numa organização da Câmara Municipal de Setúbal.

Pedro Pina enalteceu o trabalho desenvolvido pelas autarquias, que “fazem tudo o que é possível”, bem como dos clubes e associações, que “desenvolvem todos uns dias um esforço tremendo para promover a prática do desporto e proporcionar espaço para o desenvolvimento de várias atividades”, mas advertiu que é preciso mais.

“Este trabalho ficará sempre aquém enquanto o país não decidir definitivamente que o desporto é um eixo central do desenvolvimento. Por muito que as autarquias tentem e consigam fazer, é impossível dar resposta a tudo.”

O vereador manifestou “um orgulho tremendo” no trabalho desenvolvido pelas pessoas e instituições na área do desporto “apesar de todas as dificuldades” e assegurou que a Câmara Municipal de Setúbal vai continuar a fazer a sua parte.

“Nós não nos resignamos e nunca nos resignaremos. Vamos continuar, dentro das nossas parcas condições, a fazer o nosso trabalho.”

O encontro “Desporto para pessoas com deficiência – Onde estamos? Para onde vamos?”, moderado pelo jornalista Paulo Sérgio, refletiu sobre os desafios que se colocam ao desporto adaptado em Portugal cujo “número de praticantes, designadamente no alto rendimento e nas representações paralímpicas, tem vindo a diminuir desde 2004”, lamentou o presidente do Comité Paralímpico de Portugal, José Lourenço.

De acordo com o responsável, os dados do IPDJ – Instituto Português do Desporto e da Juventude indicam que “apenas menos de 1 por cento das pessoas com deficiência em Portugal praticam desporto” num universo de mais de um milhão de pessoas.

Para o antigo presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Almada-Seixal, José Patrício, o incentivo à prática desportiva das pessoas com deficiência “tem de começar pelas famílias”, o que “não é fácil, pois passam muitos anos à procura da normalidade e da cura e o desporto é a última das preocupações”.

Além disso, “existe um divórcio na área da saúde relativamente aos benefícios do desporto para as pessoas com deficiência” e “não havendo esse encaminhamento para o desporto por parte dos profissionais da saúde, também não são as famílias que o vão procurar”.

José Patrício acredita que para captar o interesse pelo desporto “é necessário um grande trabalho de proximidade junto das famílias” por parte de instituições como a Associação de Paralisia Cerebral de Almada-Seixal, o qual “deve ser aliado a políticas a nível local, regional e nacional que sejam verdadeiramente promotoras da prática desportiva e não apenas direcionadas para o desporto de alto rendimento”.

Sobre esta questão, o coordenador para o Desporto da Conferência de Ministros da Juventude e Desporto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Jorge Carvalho, defendeu que, além da necessidade de se definirem políticas públicas a nível nacional, há que rever a questão do investimento.

“O financiamento público tem vindo a decrescer. Não chegamos a atingir os 50 milhões de euros de investimento por ano, sendo que a maior parte desta verba é absorvida pelo alto rendimento. Não há um investimento na base e não há incentivos à prática de desporto”, concluiu.

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