A saúde física e mental das mulheres com deficiência foi o mote para uma conversa realizada no dia 14 de março, no Centro Sónia Rio, da APPACDM, a qual contou com a participação da vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Carla Guerreiro.
Na sessão “A Saúde da Mulher com Deficiência e Neurodiversidade: Quanto está por fazer?”, integrada no programa Março Mulher 2025, Carla Guerreiro sublinhou a importância de falar sobre os temas relacionados com a igualdade de direitos entre mulheres e homens.
“Estes assuntos são recorrentes, mas é necessário continuar a falar sobre eles, pois ainda não estão resolvidos, sobretudo para as mulheres com deficiência. Muitas vezes, existe falta de empatia por parte da sociedade. Por isso, é importante formar e informar as pessoas, para que a mensagem seja interiorizada.”
A autarca manifestou que uma das principais preocupações que tem sentido é “perceber que há uma certa degradação da saúde mental que tem vindo a causar limitações a nível pessoal e profissional às pessoas” e defendeu que “ainda há muito caminho por fazer” na promoção da saúde.
Na conversa de dia 14 de março, organizada pela APPACDM, a técnica municipal Sandra Bailarote apresentou o “Chá com História”, o primeiro grupo de apoio a pessoas com demência e cuidadores criado em Setúbal com o objetivo de “promover uma abordagem segura e de confiança e proporcionar suporte emocional”.
O projeto é dinamizado numa parceria entre a Câmara Municipal de Setúbal e a Clínica Mentes INquietas, no âmbito de candidatura aprovada pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, Comunidades em Ação, candidatura OIL – Operação Integrada Local na União das Freguesias de Setúbal – Sem Âncoras.
A neuropsicóloga Andreia Cordeiro, da Mentes INquietas, conduz as sessões, de participação gratuita, realizadas uma vez por mês na Casa do Largo, com inscrições no correio eletrónico gabinete.saude@mun-setubal.pt ou pelo telefone 936 616 738.
“O grupo tem atualmente 15 pessoas, maioritariamente mulheres cuidadoras, que partilham medos e frustrações, mas também os sucessos. O objetivo é reduzir o sentimento de solidão e de sobrecarga. Além disso, as pessoas confortam-se umas às outras e encontram estratégias para lidar com as situações que enfrentam no dia a dia”, adiantou Sandra Bailarote.
As sessões do “Chá com História”, que contam sempre com a participação de um especialista de saúde para esclarecer dúvidas sobre questões como a nutrição ou a terapia de fala, entre muitas outras, são complementadas com um lanche nutritivo e saudável que inclui chá.
A iniciativa “A Saúde da Mulher com Deficiência e Neurodiversidade: Quanto está por fazer?” contou, igualmente, com a intervenção de Joana Simões, da Associação Portuguesa Voz do Autista, que abordou a temática dos direitos reprodutivos das mulheres com deficiência que “enfrentam barreiras adicionais, como estigmas e falta de informação, que dificultam o exercício desses direitos”.
De acordo com Joana Simões, as mulheres com deficiência são “frequentemente infantilizadas e as suas necessidades e direitos reprodutivos são ignorados”, além de, na maioria das vezes, não serem incluídas nas discussões sobre saúde reprodutiva e sofrerem violações aos direitos nesta área.
“As mulheres com deficiência são alvo de estigmas e preconceitos e é-lhes negado o direito à privacidade e intimidade. A educação sexual é considerada desnecessária e mesmo nociva e são, muitas vezes, alvo de esterilização forçada.”
Já Vânia Veríssimo, técnica de educação especial e reabilitação na APPACDM, destacou a importância da intervenção psicomotora na promoção da saúde das mulheres e partilhou a experiência da instituição.
“Olhamos para a pessoa como um todo e desenvolvemos um plano consoante as necessidades. Estas mulheres precisam de uma aproximação à realidade, por isso desenvolvemos uma abordagem que alia a psicomotricidade a atividades terapêuticas, socioprofissionais e de estímulo à criatividade e valorização pessoal.”
A iniciativa contou, igualmente, com a partilha do testemunho de Anabela Resende, utente do CAVI – Centro de Apoio à Vida Independente da APPACDM, que disponibiliza um serviço de assistência pessoal à pessoa com deficiência, possibilitando-a de realizar atividades que esta não possa realizar por si própria, promovendo a liberdade e autonomia.





