O regresso até 1926 começou no Cais 3 do porto da cidade, com o desfile do centenário, organizado pela Câmara Municipal de Setúbal a cruzar avenidas e ruas numa celebração da história partilhada e da riqueza e da identidade de diferentes municípios que fazem parte do distrito.
A dar corpo a esta travessia no tempo, dinamizada no âmbito dos programas das Comemorações Bocagianas 2026 e dos 100 anos do Distrito de Setúbal, estiveram perto de meio milhar de participantes, de diferentes gerações, que proporcionaram uma recriação para ficar na memória.
O desfile, além das delegações municipais, contou com juntas de freguesia, bandas musicais e representantes do movimento associativo e de outras instituições do concelho de Setúbal, bem como de figuras evocativas da época, que asseguraram o transporte simbólico do Edital da Proclamação.
A viagem ao passado culminou na Praça de Bocage, defronte dos Paços do Concelho, com a evocação da proclamação de Setúbal como Capital de Distrito, incluindo a leitura encenada do Edital de 22 de dezembro de 1926, a cerimónia de empossamento do primeiro governador civil de Setúbal e a interpretação do Hino Nacional.
A vice-presidente do município de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, exaltou a decisão que marcou a história administrativa, económica, social e cultural deste território. “Cem anos depois, celebramos um percurso, as pessoas, as comunidades e as gerações que ao longo de um século deram vida a este distrito.”
A autarca falou num distrito de histórias partilhadas, de trabalho, de cultura, de património, de sonhos e de desafios. “Este é, acima de tudo, um território vivo com importância que ultrapassa as fronteiras administrativas, de extraordinária diversidade, feito de mar, de campo, de indústria, de tradição, de inovação e de conhecimento.”
Apesar das realidades distintas dos 13 municípios que compõem o distrito, há desafios comuns que, isoladamente, são difíceis de superar. “Garantir habitação e qualidade de vida, melhorar a mobilidade, proteger o território, responder às alterações climáticas e assegurar uma economia capaz de criar emprego e oportunidades sem deixar ninguém para trás.”
Nesta perspetiva, a autarca frisou que “o futuro do Distrito de Setúbal dependerá também da capacidade de cooperar, de planear em conjunto e de transformar a diversidade dos 13 municípios, com uma história comum e de aproximação, numa força coletiva”.
A vice-presidente Maria do Carmo Tiago realçou que Setúbal, enquanto Capital de Distrito, tem assumido ao longo de 100 anos uma responsabilidade que vai muito além da dimensão administrativa, a qual passa também pelas funções “de acolher, de unir, de cooperar e de valorizar cada um dos concelhos que fazem parte deste território”.
Na celebração, foram evocados todos aqueles que, através do trabalho, da dedicação, da criatividade e da visão ajudaram a construir Setúbal e este distrito. “A todos eles deixamos o nosso reconhecimento e a nossa gratidão”, evidenciou a autarca.
O desfile e a recriação desta tarde deram início a um ciclo comemorativo do centenário da elevação de Setúbal a Capital de Distrito, o qual se prolonga até 2027, feito de “memória e de futuro, para conhecer melhor a história, valorizar o património, celebrar as identidades e reforçar os laços entre os municípios e as populações”.
O evento contou com a presença da presidente do município e do presidente da Assembleia Municipal de Alcácer do Sal, respetivamente Clarisse Campos e Gabriel Geraldo, da presidente da autarquia de Palmela, Ana Teresa Vicente, e do vice-presidente do município de Sesimbra, José Polido.
Estes representantes, a que se juntaram os vereadores do município de Setúbal Paulo Maia e Ivone Campos, foram recebidos nos Paços do Concelho, onde houve um Moscatel de Honra e uma visita guiada ao edifício, a qual esteve a cargo do historiador setubalense Diogo Ferreira.
A elevação de Setúbal a Capital de Distrito foi oficializada pelo Decreto 12:870, publicado no antigo Diário do Governo n.º 287/1926, Série I, de 23 de dezembro de 1926, documento no qual é definida uma nova circunscrição administrativa em Portugal continental, denominada de Distrito Administrativo de Setúbal.
No mesmo decreto, foi definida a desanexação do distrito de Lisboa dos concelhos de Setúbal, Almada, Seixal, Sesimbra, Barreiro, Alcochete, Moita, Montijo (antiga Aldeia Galega) Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Palmela, os quais passaram a integrar o novo distrito.








