O vereador Paulo Maia, da Câmara Municipal de Setúbal, apontou a ideia feliz de a iniciativa de apresentação do livro “Peixe P’ó Gato – História da Luta pelo Pão” decorrer num espaço “tão emblemático”, onde “a memória de Setúbal, das suas gentes e do seu trabalho está particularmente presente”.
Um espaço, referiu, marcado “pela sua ligação à indústria conserveira, numa cidade construída por homens e mulheres que aqui trabalharam, que conheceram a dureza desse trabalho e as dificuldades da vida, e que protagonizaram tantas formas de organização, de solidariedade e de luta”.
O autarca indicou que “este não é apenas o lançamento de um livro”, mas sim o momento em que o projeto Peixe P’ó Gato “ganha uma nova forma de permanecer”, o qual começou na investigação e na recolha de histórias de vida, saiu para a rua em performance, incluiu uma exposição no espaço A Gráfica e que agora fica patente na Escola Secundária Sebastião da Gama, no âmbito da Festa do Teatro, e chegou ao Cinema Charlot em documentário.
Paulo Maia recordou que a frase peixe p’ó gato era como muitas pessoas pediam pescado no mercado, “de forma discreta, quase sussurrada, dizendo que era para o animal de estimação, porque era mais fácil do que dizer que era para comer”, escondendo “uma expressão que pertence à memória desta cidade e que serviu, durante décadas, para esconder uma palavra que ninguém queria dizer em voz alta: fome”.
Por isso, com este livro, “não estamos perante uma memória distante”, mas sim “perante uma memória viva que tem rostos, vozes e experiências, e que continua a dialogar com o presente”, afirmou o autarca, deixando “uma palavra de reconhecimento muito especial a Leonardo Silva, que esteve no centro deste processo”.
Juntou ainda os nomes de outras pessoas envolvidas na construção desta obra, como Patrícia Paixão, António José Bexiga, João Mota, Diogo Ferreira, José Luís Neto, João Santos, Luís Junqueira, Susana Costa, Sara Honrado, Cristina Paixão, Ana Filipa Rodrigues e Paula Moita.
Deixou também um agradecimento a diversas instituições, assim como às pessoas que abriram as suas memórias para falar da infância, das famílias, do trabalho, das dificuldades e das estratégias encontradas para continuar.
O livro, indicou, diz-nos algo muito importante: “a pobreza não é uma realidade distante, que a vulnerabilidade pode atravessar vidas e que nenhuma comunidade pode considerar que o problema do outro não lhe diz respeito”.
Deste modo, o livro, mais do que uma obra sobre o passado, é um “convite a olhar o presente e, sobretudo, a construir o futuro sem deixar ninguém para trás”.

