Na sessão de abertura do seminário, integrado nas Comemorações Bocagianas 2026, a vice-presidente do município, Maria do Carmo Tiago, revelou que a candidatura, com o lema “Setúbal – Mar de Cultura”, a entregar até ao dia 3 de dezembro, assenta em sete dimensões, designadas de “Marés”, as quais “dão forma a um programa concreto e ambicioso”.
Mar de Criação, Mar de Memória, Mar de Paisagem, Mar de Sabores, Mar de Cidade, Mar de Comunidade e Mar de Futuro são os sete eixos do projeto o qual foi “pensado para deixar um legado para além do próprio título” de Capital Portuguesa da Cultura.
“Setúbal tem uma identidade cultural própria, construída pelo rio, pelo mar, pela serra, pela paisagem, pela memória do trabalho, pelo património, pelos sabores e, sobretudo, pela criatividade e pela força da sua comunidade. Não partimos do zero. Partimos de uma cidade que tem cultura, que cria, que participa e que tem um plano para o futuro. É essa identidade plural que a candidatura organiza através das suas sete marés.”
De acordo com Maria do Carmo Tiago, o programa da candidatura foi construído com todos, num processo aberto, participado e mobilizador, com o envolvimento de artistas, instituições, escolas, coletividades, freguesias, empresas, comunidades e cidadãos em geral.
“Desde o primeiro momento quisemos ouvir Setúbal em vez de decidir por Setúbal. Foi esse o propósito do processo ‘Ouvir Setúbal’ que levou a equipa da candidatura às juntas de freguesia e ao encontro dos deputados municipais e da comunidade.”
O caminho percorrido até aqui contemplou reuniões com mais de 350 participantes, a realização de um formulário online que obteve 378 respostas, contributos escritos e visitas a equipamentos, num processo que resultou em 42 propostas concretas apresentadas diretamente pela comunidade.
“Estes números são importantes, mas mais importante ainda é aquilo que representam: uma candidatura que nasce da escuta e da participação. Esta candidatura não pertence a uma pessoa, a uma equipa ou a uma instituição. Pertence a Setúbal”, vincou Maria do Carmo Tiago.
Coube ao comissário executivo da candidatura, João Filipe Abrantes, apresentar com mais detalhe as sete dimensões, ou “marés”, e a matriz programática da candidatura.
“As ‘marés’ são uma das peças mais importantes, são uma ferramenta de trabalho. Ajudam-nos a ler o território, a organizar a participação, a selecionar ações, a articular parceiros, a distribuir orçamentos e a avaliar o legado. Sem ‘marés’, teríamos uma lista de eventos. Com ‘marés’, temos uma candidatura.”
Mar de Criação, Mar de Memória, Mar de Paisagem, Mar de Sabores, Mar de Cidade, Mar de Comunidade e Mar de Futuro representam diferentes aspetos da identidade do concelho, “mas todas se cruzam entre si”, constituindo “uma estrutura conceptual, programática e territorial, capaz de dar coerência ao que Setúbal é e ao que Setúbal quer projetar”.
A primeira dimensão, Mar de Criação, assenta na “força artística de Setúbal” e “valoriza os artistas, os equipamentos, as novas obras artísticas”, afirmando Setúbal “não apenas como um lugar que recebe cultura, mas fundamentalmente como um concelho que produz cultura”.
Mar de Memória “trabalha a memória, o património, o arquivo e a identidade” setubalenses e Mar de Paisagem tem como objetivo valorizar e “afirmar como cultura” a riqueza natural de Setúbal.
Mar de Sabores “reconhece a gastronomia como cultura viva” e Mar de Cidade olha para Setúbal como um espaço que “não é apenas cenário, mas sim um palco e uma oficina de cultura em cada bairro e em cada rua”.
Mar de Comunidade coloca as pessoas no centro, mobilizando “a participação, a proximidade, a inclusão e o sentimento de pertença” e, por fim, Mar de Futuro é dedicado à educação à juventude e à inovação.
Esta visão foi traduzida numa matriz programática que contempla 206 ações, três de âmbito internacional e oito de envergadura nacional, as quais envolvem diversos equipamentos, instituições, escolas, freguesias, agentes culturais, parceiros e comunidade.
Fórum Internacional de Cidades de Água, Cultura e Sustentabilidade, Bienal Atlântica de Arte, Paisagem e Futuro e um fórum sobre Cultura, Ciência e Juventude são as ações internacionais propostas pela candidatura.
No plano nacional, a candidatura propõe a realização da Cerimónia de Abertura Mar de Todos, a Exposição Nacional Setúbal, Trabalho, Rio, Serra e Cidade, o Festival Nacional de Criação e Território, o Encontro Nacional Cultura de Proximidade e Participação, o Congresso Nacional de Cultura, Paisagem e Sustentabilidade, o Mercado Nacional de Sabores, Memórias e Produtos Locais, o Encontro Nacional da Educação, Juventude e Futuro Cultural e o Programa Setúbal República da Palavra.
A candidatura propõe, igualmente, medidas “a pensar no que fica para o futuro”, designadamente a qualificação física e cultural de salas médias e de espaços de criação, a qualificação técnica do Fórum Municipal Luísa Todi, a criação da Casa Luísa Todi – Núcleo de Interpretação e circuitos culturais e pedonais das freguesias, entre outros.
“Mais do que obras, falamos de capacidade instalada para além de 2028. Falamos de melhores condições para criar, apresentar, acolher públicos, circular, participar e continuar.”
O programa do seminário realizado ao final da tarde sexta-feira incluiu a apresentação do tema “Setúbal, Capital Portuguesa de Cultura – Cultura, Identidade e Desenvolvimento”, por Fernando António Baptista Pereira, professor universitário, curador e antigo conservador do Museu de Setúbal/Convento de Jesus.
O especialista, que é também embaixador da candidatura, defendeu que este “não é um projeto de betão, mas sim um investimento nas pessoas” que vai deixar um legado para o futuro.
O evento contemplou ainda uma conferência sobre “A importância da candidatura para o desenvolvimento cultural e social do território”, conduzida por Luís Castro Mendes, diplomata, escritor, poeta, ficcionista e ministro da Cultura do XXI Governo Constitucional de Portugal (2016-2018), que considerou “notável todo o trabalho desenvolvido para fazer desta oportunidade o resultado de um diálogo permanente com o maior número de pessoas”.
Foram também divulgados os nomes dos embaixadores da Candidatura de Setúbal a Capital Portuguesa da Cultura 2028. São eles o chef de cozinha Chakall, o engenheiro vitivinícola Domingos Soares Franco, o historiador Fernando António Baptista Pereira, o artista Herman José, o ator Manuel Marques, a fadista Teresinha Landeiro e o cantor Toy.
A vice-presidente do município aproveitou o evento para anunciar que o prazo limite para a submissão das candidaturas a Capital Portuguesa da Cultura 2028 foi alterado de 19 de setembro para o dia 3 de dezembro.
Para Maria do Carmo Tiago, esta é “uma oportunidade de fazer ainda melhor, para envolver mais setubalenses e azeitonenses, aprofundar o diálogo com as instituições, ouvir os conselhos municipais e outros órgãos consultivos e realizar, pelo menos, mais dois seminários”.
Apesar de garantir que a candidatura está pronta para ser apresentada, a autarca entende que, desde modo, “há mais tempo para fortalecer” o projeto e construir uma candidatura forte que “quer deixar mais cultura, mais participação, mais conhecimento e mais oportunidades”.
As propostas a Capital Portuguesa da Cultura 2028 são avaliadas por um júri, que dispõe de um prazo máximo de 75 dias após o termo do prazo de apresentação das candidaturas para elaborar o relatório final e deliberar sobre a cidade vencedora, seguindo-se a divulgação da decisão.






