Artes performativas proporcionaram 12 dias de eventos

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A oitava edição da MAPS – Mostra de Artes Performativas de Setúbal, que encerrou no dia 18 com um projeto de teatro comunitário e um espetáculo musical, atraiu cerca de duas mil pessoas às duas dezenas de iniciativas apresentadas.

Com o tema “Herança”, a MAPS, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal, proporcionou performances, música, cinema, conversas e projetos comunitários em vários espaços da cidade transformados em palcos de artes e de partilha de experiências que atravessam gerações e ajudam a construir identidades individuais e coletivas.

O evento registou, entre os dias 7 e 18 de julho, duas dezenas de atividades de entrada gratuita, com o objetivo de reforçar o compromisso com a democratização do acesso à cultura, a formação de públicos e o acesso universal à criação artística contemporânea.

O último dia teve como ponto alto a apresentação, no Miradouro de São Sebastião, de “Tecido Comunitário”, projeto de teatro comunitário desenvolvido em cocriação com moradores, com idades entre os 6 e os 98 anos, que resulta de um processo de recolha de memórias, histórias de vida e experiências do território, afirmando a cultura como ferramenta de inclusão, participação e transformação social.

A programação de dia 18 reservou ainda uma conversa sobre teatro comunitário dinamizada pelo projeto Gaivina de Agueiro e uma festa ao som de “A Minha Vida Dava uma Banda Sonora”, projeto musical da portuense Susana, ambos realizados no espaço A Gráfica – Centro de Criação Artística.

Já na noite de 17, subiu ao palco do espaço A Gráfica, em duas sessões, o espetáculo “Sinto, Logo Existo”, da Noisy Crew, que aborda a saúde mental, a identidade e a importância do reconhecimento das emoções enquanto experiência fundamental da existência humana.

Também neste dia, a memória coletiva e as questões sociais estiveram em destaque no Espaço Ágora, no Jardim do Quebedo, numa conversa sobre o projeto teatral “Carga” que investiga o papel das mulheres trabalhadoras na construção da sociedade contemporânea.

O programa da MAPS reservou, igualmente, dois espetáculos no Fórum Municipal Luísa Todi, concretamente, a 7, “Musseque”, performance do coreógrafo e intérprete angolano Fábio (Krayze) Januário, em parceria com a BoCA – Bienal de Artes Contemporâneas, e, a 8, “Sobre o Fim”, de Gio Lourenço e Sofia Berberan, experiência performativa que cruza dança, teatro e botânica.

As “Performances no Bairro” transformaram a Baixa comercial de Setúbal, no dia 11, num percurso artístico onde escritores, bailarinos, atores, mágicos, caricaturistas, tatuadores, artistas plásticos e performers ocuparam lojas, montras, varandas e espaços públicos.

No mesmo dia, o Espaço Ágora acolheu um encontro animado por DJ Batida, acompanhado de um lanche comunitário com cachupa e, à noite, no espaço A Gráfica, realizou-se o concerto multimédia “Sons de Resistência”, de Luís Bittencourt.

O dia 12 foi dedicado à MINI-MAPS, programação especialmente pensada para famílias e crianças, no Parque do Bonfim, com jogos tradicionais em madeira, instalações sonoras participativas, oficinas criativas, dança contemporânea para a infância, teatro físico e concertos.

A 14, no Cinema Charlot – Auditório Municipal, foi exibido o documentário “Peixe p’ó Gato – Histórias da Luta pelo Pão em Setúbal”, realizado por Leonardo Silva, que resulta de um trabalho de investigação histórica e recolha de testemunhos sobre a pobreza, a desigualdade e as formas de resistência que marcaram a história social da cidade.

A programação reservou, ainda, a 16, na Praça de Bocage, a criação de teatro visual e poesia física “Sombras”, da companhia Teatro Só, que aborda a violência doméstica através de uma linguagem acessível e profundamente emotiva.

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