Conferências do Sapal voltam ao Salão Nobre

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O presidente da Câmara Municipal, André Martins, afirmou em 20 de janeiro que o mundo vive tempos difíceis, na abertura da Conferência do Sapal intitulada “O Problema da Paz e da Guerra no Século XXI”, que teve Viriato Soromenho Marques como palestrante.

O presidente da Câmara Municipal, André Martins, afirmou em 20 de janeiro que o mundo vive tempos difíceis, na abertura da Conferência do Sapal intitulada “O Problema da Paz e da Guerra no Século XXI”, que teve Viriato Soromenho Marques como palestrante.

A ideia central da conferência estava relacionada com o facto de, como sublinhou o conferencista, o mundo estar, “pela primeira vez desde 1945”, numa situação em que, com a guerra na Ucrânia, “existe a possibilidade de um grande conflito, que poderá ir ao limite das armas nucleares”.

À margem da conferência, Viriato Soromenho Marques sublinhou que apenas houve uma guerra nuclear nos últimos dias da II Guerra Mundial, atingindo as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki, tendo depois havido dois períodos de risco nuclear, em 1962 e entre 1983 e 1985.

“O meu objetivo nesta conferência é fundamentalmente mostrar que as decisões em matéria de política internacional que envolvam o risco de guerra têm de ser tomadas com muita prudência e com muito conhecimento, que é aquilo que está a faltar”, afirmou.

André Martins, ainda antes da intervenção de Viriato Soromenho Marques, disse que “há quem decida pelos cidadãos, e não tem decidido bem”. O presidente da Câmara Municipal recordou que, após a II Guerra Mundial, se viveram tempos em que as pessoas acreditaram que “estavam vacinadas” contra a guerra.

“A guerra é destruição e não é nada boa para o planeta. Está-se agora a entrar num caminho com nuvens muito carregadas, muito negras”, afirmou o presidente da Câmara.

O autarca, disse que a construção de um futuro melhor para as gerações vindouras é “uma ideia que está um pouco em causa”, considerou que a conferência do “ilustre” filósofo, professor universitário e ambientalista setubalense era “uma boa iniciativa” e deu as boas-vindas as todos ao Salão Nobre da Câmara Municipal, “a sede da democracia em Setúbal”.

Viriato Soromenho Marques abriu a terceira série das Conferências do Sapal, que são organizadas pela UNISETI – Universidade Sénior de Setúbal e regressam após um interregno de cerca de quatro anos, na sequência da pandemia de covid-19.

Segundo o filósofo e professor, desde 1982-1985, o momento atual é o primeiro em que há risco nuclear, e isso acontece “desde que começou a guerra na Ucrânia e desde que a NATO resolveu intervir quase diretamente no conflito, criando-se uma tensão muito grande”.

Após afirmar que “o comportamento da União Europeia, dos Estados Unidos e dos países da NATO, envolvendo também Portugal, tem privilegiado uma abordagem de tipo estritamente militar a uma abordagem de tipo político e diplomático”, disse que houve “décadas em que a diplomacia podia ter evitado este confronto, porque a intenção da Rússia de se opor ao alargamento da NATO à Ucrânia é conhecida desde os anos 90”.

Viriato Soromenho Marques defende que deve ser dado “primado à diplomacia e aos interesses comuns”, considerando que muitos dirigentes políticos “parece que se esqueceram da fragilidade” em que o mundo vive, com “alterações climáticas gravíssimas” e “uma situação de tecnologia explosiva, e que está fora de controle, nomeadamente na inteligência artificial”.

Acredita que estas questões podiam ser resolvidas através da “cooperação entre a União Europeia, os Estados Unidos, a Rússia e a China”, que atrás de si levariam “o resto do mundo”, mas sublinha que, “em vez disso”, há um conflito militar “que se arrisca a acrescentar uma guerra nuclear” àqueles problemas, o que “seria terrível”.

A terceira série das Conferências do Sapal prossegue dentro de uma semana com o também professor universitário e ambientalista setubalense Francisco Ferreira. A ideia é realizar uma série por ano, cada uma com cerca de quatro conferências.

O presidente da UNISETI, Arlindo Mota, recordou que o ciclo teve início há oito anos e notou que vê com “muita dificuldade” a realização das palestras noutro local que não o Salão Nobre dos Paços do Concelho, porque a Praça de Bocage chamava-se Praça do Sapal antes de ter a atual designação.

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