Episódio dos ‘fuzilamentos de Setúbal’ recordado

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Uma conferência realizada no dia 27 de março, no Museu do Trabalho Michel Giacometti, deu a conhecer pormenores desconhecidos da Greve Geral de 1911, na qual foram mortos dois operários conserveiros numa ação de luta por melhores condições laborais.

Uma conferência realizada no dia 27 de março, no Museu do Trabalho Michel Giacometti, deu a conhecer pormenores desconhecidos da Greve Geral de 1911, na qual foram mortos dois operários conserveiros numa ação de luta por melhores condições laborais.

No encontro, com o tema “Os «Fuzilamentos de Setúbal» de 13 de março de 1911: a história de Mariana do Carmo Torres e de António Mendes”, organizado pela Câmara Municipal de Setúbal, o historiador Diogo Ferreira apresentou o resultado da investigação para apurar quem foram Mariana do Carmo Torres e António Mendes e reconstituir os eventos do dia dos confrontos entre os grevistas e a Guarda Republicana.

“Sabíamos os nomes deles e pouco mais. Consultei muitos documentos e imprensa da época com o objetivo de saber, com alguma profundidade, quem eram esta pessoas e o que aconteceu exatamente nos dias em que morreram”, afirmou o historiador, que realizou uma pesquisa em diversos arquivos do país, incluindo a Torre do Tombo e a Biblioteca Nacional.

Mariana do Carmo Torres, 42 anos, trabalhadora da Gonzaga, Vagueiro e Comp.ª, e António Mendes, 19, da Rouillé, estavam entre as centenas de operários conserveiros de Setúbal que no dia 13 de março de 1911 se manifestavam nas ruas da cidade em luta pelo aumento dos salários quando a Guarda Republicana foi chamada a intervir.

Na conferência, integrada no Ciclo de Conferências Valorizar o(s) Património(s) e nas Comemorações do 25 de Abril, do projeto Venham Mais Vinte e Cincos, Diogo Ferreira explicou que a intervenção dos elementos de segurança, que faziam a escolta às carroças que transportavam conservas de peixe, violando a greve, originou confrontos com os grevistas que terminaram com tiros entre o Largo do Carmo e a Avenida Luísa Todi.

Mariana do Carmo Torres, homenageada pela Câmara Municipal de Setúbal com uma estátua na Praça Machado dos Santos, na Fonte Nova, e António Mendes, acabaram por morrer em resultado dos confrontos.

“Na minha investigação descobri que, ao contrário do que se pensava, ela não morreu no local, mas sim no antigo Hospital da Misericórdia [instalações do Convento de Jesus], no dia seguinte. O funeral aconteceu na madrugada de dia 15 para evitar mais confrontos”, adiantou Diogo Ferreira.

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