Comissões consultiva e científica da Arrábida Biosfera tomam posse

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A presidente da Câmara Municipal de Setúbal destacou a 2 de março, na cerimónia de tomada de posse das comissões consultiva e científica da Arrábida Biosfera, a importância da nova fase de operacionalização do modelo de governação para este território protegido.

“A Arrábida é um território vivo onde a biodiversidade, o património natural, a cultura e as comunidades locais coexistem há gerações, com o reconhecimento da UNESCO a ser um compromisso permanente com o equilíbrio entre a conservação, o desenvolvimento sustentável e a valorização das pessoas”, afirmou a autarca, na cerimónia realizada no Cine-Teatro São João, em Palmela.

A presidente do município realçou que a Arrábida é uma riqueza que impõe visão, planeamento e cooperação institucional. “Exige que saibamos proteger os ecossistemas, promover a investigação científica, apoiar atividades económicas sustentáveis e garantir que as futuras gerações herdam um território mais resiliente do que aquele que recebemos.”

Maria das Dores Meira reiterou que a Arrábida deve ser exemplo nacional e internacional, ao conciliar a proteção ambiental com um desenvolvimento económico responsável. “É um desafio exigente, mas também inspirador. Que este novo ciclo seja marcado pela cooperação, pela inovação e por uma liderança firme, na defesa do nosso património cultural.”

A tomada de posse das comissões consultiva e científica, que congregam várias entidades dos concelhos de Setúbal, Palmela e Sesimbra, resulta no início de uma nova fase de implementação do plano de definido para um horizonte de dez anos no âmbito da Arrábida Biosfera e de concretização dos objetivos estratégicos definidos para o território.

“O conselho científico terá a missão de transformar a estratégia em ação e com a comissão consultiva serão espaços de participação, escuta e construção coletiva, porque a governação de uma Reserva da Biosfera faz-se com conhecimento técnico, mas também com diálogo e compromisso”, frisou a presidente. “A Arrábida é identidade, futuro e responsabilidade de todos.”

A comissão consultiva, que integra mais de uma centena de agentes do território, particulares, públicos e privados, institucionais e informais, assume um papel determinante na gestão da Reserva da Biosfera e assegura um ambiente para a participação, diálogo qualificado e reflexão conjunta, essenciais para a implementação de um plano de ação e para a definição de etapas futuras.

Já a comissão científica, composta por catorze instituições de reconhecido mérito académico e com especial relevo científico no território da Arrábida, tem como responsabilidade apreciar o desenvolvimento de parcerias para a promoção de investigação científica em matérias relevantes para a Arrábida Biosfera e apoiar a entidade gestora na criação de um repositório científico.

Compete também a esta comissão de composição plural colaborar na elaboração de candidaturas em que a componente científica assume carácter determinante e garantir a integração do conhecimento científico nas intervenções a desenvolver, o que reforça a procura de soluções mais sustentadas para a gestão de territórios sensíveis, reconhecidos pela riqueza natural.

A presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, que também lidera a AMRS – Associação do Municípios da Região de Setúbal, falou “num ponto de partida para uma nova etapa” do reconhecimento da Arrábida enquanto Reserva da Biosfera, “uma distinção justíssima e o culminar de uma grande caminhada”, que avança para o futuro com um plano de ação estruturado.

O Plano de Ação 2025-2035 estabelece como objetivos estratégicos a concretização das três funções fundamentais das reservas da Biosfera, designadamente conservação desenvolvimento e apoio logístico, para reforço do compromisso com a proteção dos valores naturais, a promoção de desenvolvimento sustentável e a valorização do conhecimento científico ao serviço do território.

A autarca de Palmela, ao afirmar que o reconhecimento da UNESCO à Arrábida, que agora faz parte desta restrita rede mundial que “integra 5 por cento de territórios em todo o mundo, fomenta uma atividade humana de sustentabilidade”, evidenciou “o enorme desafio na gestão desta reserva, que congrega três municípios com uma vasta área urbana, um parque natural e um parque marinho.”

O presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Francisco Jesus, falou num “caminho partilhado e participativo” para o reconhecimento da Arrábida enquanto Reserva da Biosfera, o qual “não acrescenta nem retira medidas restritivas” e que, pelas características singulares, “traz valor acrescentado a um território que a todos nos enche de orgulho”.

Já o presidente do Comité Nacional MaB – Man and Biosphere, da UNESCO, Marco Rebelo, saudou a “representatividade alargada das entidades que integram” as comissões empossadas esta tarde e partilhou que a Arrábida, que agora faz parte das 13 reservas da Biosfera nacionais, “é um exemplo de riqueza singular” cujo futuro assenta “em compromisso e visão partilhada”.

Também o diretor regional da Conservação da Natureza e Florestas de Lisboa e Vale do Tejo, Carlos Albuquerque, exaltou a singularidade da Arrábida e os novos compromissos que o reconhecimento da UNESCO motiva. “É um diamante e a Reserva da Biosfera é uma das muitas faces desse diamante. É um novo patamar de exigência e de responsabilidade.”

A Arrábida Biosfera, constituída a 27 de setembro de 2025, é dirigida por uma comissão executiva composta pelos municípios de Setúbal, Palmela e Sesimbra, pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e pela AMRS – Associação de Municípios da Região de Setúbal, que assume também o papel de entidade gestora com o apoio da respetiva comissão técnica.

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