O Setúbal Connect resulta de um consórcio criado pela Câmara Municipal, que lidera a parceria, a Associação Bairro Cool e a União das Freguesias de Setúbal, o qual viu aprovada uma candidatura ao aviso n.º 01/C16-i02/2022 do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência para um investimento elegível de um milhão, 272 mil, 256 euros e 95 cêntimos, o segundo maior entre os 95 bairros digitais aprovados no país.
O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, afirmou que a apresentação, realizada no Convento de Jesus, servia para se ficar a conhecer “as capacidades” das novas ferramentas digitais e para perceber como estas podem ajudar os comerciantes “a potenciar os seus negócios e a chegar a mais clientes”.
O autarca sublinhou que o objetivo do Setúbal Connect é “apoiar o crescimento e a qualificação do comércio local” da baixa de Setúbal e torná-la “mais atrativa para os consumidores e os visitantes, que cada vez são mais”, notando que esse desenvolvimento “só pode assentar na inovação e no recurso às novas ferramentas digitais”, uma vez que que “o comércio online já é uma realidade incontornável”.
Salientou que só com “soluções integradas” é possível “criar uma baixa comercial dinâmica, viva e moderna”, razão pela qual “este projeto caminha lado a lado com outras responsabilidades”, como “a mobilidade, o estacionamento, o policiamento, a limpeza e a recuperação do património”, fatores de que, como frisou, depende “a vitalidade das baixas comerciais”.
No que diz respeito à segurança, afirmou que são necessários “mais meios humanos e materiais para reforçar as forças policiais do concelho e na cidade” de Setúbal. “Só com mais agentes na rua conseguimos garantir a segurança que todos desejamos, sendo esta uma exigência justa que temos vindo a fazer ao longo deste mandato autárquico junto das entidades competentes”.
André Martins recordou que o projeto dos Bairros Comerciais Digitais de Setúbal, “que promove a digitalização da economia, a modernização dos modelos de negócio e a capacitação de trabalhadores e empresários”, foi desenvolvido “com o apoio do PRR”.
Notou que foi feito um investimento na criação de um Marketplace que “integra comércio e serviços”, de uma aplicação móvel e de um sítio na internet “para dinamizar o bairro”, no acesso gratuito à internet, na instalação de painéis interativos e em bancos inteligentes com carregadores de telemóveis. “Tudo isto para dar novas ferramentas aos comerciantes e novas razões aos consumidores para virem até à baixa de Setúbal”.
O presidente da Câmara agradeceu à União das Freguesias de Setúbal e à Associação Bairro Cool, parceiros do município no consórcio, à MEO, responsável pela componente tecnológica do projeto, à Direção-Geral das Atividades Económicas, pelo apoio e coordenação nacional, aos trabalhadores do Município, que “deram o seu melhor” desde a candidatura até à implementação, e aos comerciantes presentes na cerimónia.
A gestora do Bairro, Beatriz Amaro, que está em contacto diário com os estabelecimentos – numa área de intervenção que vai do Troino ao Miradouro, abrangendo a Fonte Nova e a Baixa Comercial, e se estende para sul até à Avenida José Mourinho, incluindo o Mercado do Livramento – afirmou que o Setúbal Connect é o resultado de “quase dois anos de muito trabalho”.
Francisco Braga, consultor tecnológico da empresa de soluções digitais Immera, fez a apresentação do Marketplace, que classificou como “a montra digital do bairro”, salientando que, ao contrário de outras, esta plataforma está “centrada nas lojas e não nos produtos”, permitindo mesmo visualizar a respetiva localização num mapa.
Entre outras funcionalidades, o Marketplace, já disponível nesta ligação, tem um mecanismo de contacto com a loja, permite criar uma conversação entre esta e o cliente, prevê a possibilidade de fazer a pré-reserva de determinado produto e incorpora processos de fidelização, através de pontos que têm o objetivo de atrair clientes.
Mafalda Ricca, consultora tecnológica pela XPLR, apresentou a componente de realidade aumentada do projeto – que sobrepõe elementos digitais à realidade, permitindo o acesso a conteúdos adicionais ou observar determinados objetos de forma mais impactante e interativa – e a respetiva app, igualmente já disponível para descarregar nas lojas digitais ou através de um QR code.
Como notou, a aplicação informática concentra os pontos de interesse da cidade, com georreferências e, entre outros aspetos, oferece “conteúdos imersivos com realidade aumentada e visitas virtuais” e permite a gamificação, através de quizes destinados a “aumentar a ligação aos locais e suas histórias e curiosidades”.
Tiago Marques, consultor tecnológico da Visualforma, fez a apresentação do sistema de composto por sete mupis interativos digitais outdoor com informação útil e cultural, que, entre outras possibilidades, permitem tirar selfies com o local em que estão localizados como pano de fundo, as quais depois são enviadas por email.
Os mupis permitem conhecer o bairro, através da integração da listagem das lojas e estabelecimentos, de uma agenda de eventos, dos pontos de interesse a visitar e de contactos, mas o projeto contempla ainda cobertura wifi gratuita em toda a área, com 38 pontos de acesso instalados, e a colocação de seis bancos inteligentes, dotados de painéis solares e com portas USB para carregamento de aparelhos eletrónicos.











