Colóquio reflete sobre tradições e desafios marítimos

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A sustentabilidade marítima e a ligação de Setúbal ao mar são temas em análise num encontro que realizado no dia 22 no Instituto Politécnico de Setúbal, no âmbito das comemorações do Dia da Marinha de 2026.

O Colóquio “O Mar: Tradições e Desafios”, a decorrer até às 18h00 no anfiteatro da Escola Superior de Educação, reúne especialistas da Marinha Portuguesa, da academia e de entidades ligadas ao mar e aos portos, para debater temáticas como a inovação tecnológica, inteligência artificial, sustentabilidade marítima, monitorização costeira, mobilidade elétrica náutica e a relação histórica de Setúbal com o mar.

Na sessão de abertura, a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, destacou a importância do papel desempenhado pelo mar no desenvolvimento económico e na construção da identidade do território setubalense.

“A história de Setúbal construiu-se em torno do rio Sado, da pesca, da navegação, da atividade portuária, da construção naval e das comunidades que fizeram do mar fonte de conhecimento e de cultura. Ao longo dos séculos, o mar trouxe pessoas, comércio, desenvolvimento e abertura ao mundo, moldou a economia local, marcou as tradições e ajudou a assumir aquilo que somos enquanto comunidade.”

Os desafios que se colocam à gestão dos recursos marítimos “exigem uma nova forma de pensar e de agir, consolidando desenvolvimento económico, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental”, referiu a autarca, sublinhando a importância da articulação entre academia, poder local, instituições do Estado e agentes económicos para a criação de “respostas inovadoras e sustentáveis”.

A realização de iniciativas como este colóquio “é fundamental” para a “partilha de conhecimentos e de novas perspetivas sobre o mar e sobre o papel estratégico que continua a desempenhar para Portugal”.

A presidente do município assinalou que Setúbal “tem todas as condições para se afirmar como território de referência” nesta reflexão, pela “sua localização, tradição marítima, importância do porto e património natural único da Arrábida e do estuário do Sado, mas também pela capacidade das suas instituições e das suas pessoas”.

O chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jorge Nobre de Sousa, destacou que “hoje, mais do que nunca, o mar é simultaneamente espaço de oportunidade e de risco, de conhecimento e de responsabilidade”, pelo que é importante promover uma “reflexão integrada sobre o mar, ampliar o conhecimento, estimular o pensamento crítico e reforçar a consciência coletiva sobre a sua centralidade”.  

O colóquio “O Mar: Tradições e Desafios” está alinhado com a “missão estratégica” da Marinha de “responder aos desafios atuais e, sobretudo, aos desafios futuros”, focando-se na “otimização da sua presença e do controlo dos espaços marítimos, na transformação digital, nas tecnologias emergentes, nas ciências do mar e na valorização da cultura marítima”.

Na sessão de abertura, a vice-presidente do Instituto Politécnico de Setúbal, Luísa Carvalho, valorizou a diversidade dos temas abordados no colóquio, o que vai ao encontro “da expressão da missão do IPS de produzir, partilhar e aplicar conhecimento em diálogo com as instituições, com as empresas e com as autarquias e com a sociedade civil”.

Luísa Carvalho considera que os desafios do mar “exigem uma capacidade de articulação de saberes, entre a ciência e a tecnologia, entre a história e o futuro, entre a cultura e a economia, entre a segurança e a sustentabilidade” e ressalvou que, no domínio científico, o IPS “tem desenvolvido investigação nesta área e está ligado ao maior centro de investigação sobre o mar em Portugal, o MARE”.

No período da manhã, o encontro contemplou o painel “O Mar: Desafios de todos os tempos – Importância das novas tecnologias” e a primeira parte de um painel sobre “O Mar: Desafios da Atualidade I – Para um uso sustentável e seguro do mar I”, que abriu o período da tarde.

O programa da tarde inclui o painel “O Mar: Desafios de todos os tempos II – Passado e presente”, no qual são abordadas temáticas relacionadas com a ligação de Setúbal ao mar, concretamente as apresentações “Setúbal e a guerra. Dois episódios bélicos na história de Setúbal”, pelo capitão de mar e guerra Augusto Alves Salgado, e “Da fundação à extinção da Associação de Classe dos Trabalhadores do Mar de Setúbal (1899-1933)”, pelo historiador e técnico municipal Diogo Ferreira.

Após a sessão de encerramento do colóquio “O Mar: Tradições e Desafios” atua o Quinteto Clássico da Banda da Armada.

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