O Colóquio “O Mar: Tradições e Desafios”, a decorrer até às 18h00 no anfiteatro da Escola Superior de Educação, reúne especialistas da Marinha Portuguesa, da academia e de entidades ligadas ao mar e aos portos, para debater temáticas como a inovação tecnológica, inteligência artificial, sustentabilidade marítima, monitorização costeira, mobilidade elétrica náutica e a relação histórica de Setúbal com o mar.
Na sessão de abertura, a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, destacou a importância do papel desempenhado pelo mar no desenvolvimento económico e na construção da identidade do território setubalense.
“A história de Setúbal construiu-se em torno do rio Sado, da pesca, da navegação, da atividade portuária, da construção naval e das comunidades que fizeram do mar fonte de conhecimento e de cultura. Ao longo dos séculos, o mar trouxe pessoas, comércio, desenvolvimento e abertura ao mundo, moldou a economia local, marcou as tradições e ajudou a assumir aquilo que somos enquanto comunidade.”
Os desafios que se colocam à gestão dos recursos marítimos “exigem uma nova forma de pensar e de agir, consolidando desenvolvimento económico, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental”, referiu a autarca, sublinhando a importância da articulação entre academia, poder local, instituições do Estado e agentes económicos para a criação de “respostas inovadoras e sustentáveis”.
A realização de iniciativas como este colóquio “é fundamental” para a “partilha de conhecimentos e de novas perspetivas sobre o mar e sobre o papel estratégico que continua a desempenhar para Portugal”.
A presidente do município assinalou que Setúbal “tem todas as condições para se afirmar como território de referência” nesta reflexão, pela “sua localização, tradição marítima, importância do porto e património natural único da Arrábida e do estuário do Sado, mas também pela capacidade das suas instituições e das suas pessoas”.
O chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jorge Nobre de Sousa, destacou que “hoje, mais do que nunca, o mar é simultaneamente espaço de oportunidade e de risco, de conhecimento e de responsabilidade”, pelo que é importante promover uma “reflexão integrada sobre o mar, ampliar o conhecimento, estimular o pensamento crítico e reforçar a consciência coletiva sobre a sua centralidade”.
O colóquio “O Mar: Tradições e Desafios” está alinhado com a “missão estratégica” da Marinha de “responder aos desafios atuais e, sobretudo, aos desafios futuros”, focando-se na “otimização da sua presença e do controlo dos espaços marítimos, na transformação digital, nas tecnologias emergentes, nas ciências do mar e na valorização da cultura marítima”.
Na sessão de abertura, a vice-presidente do Instituto Politécnico de Setúbal, Luísa Carvalho, valorizou a diversidade dos temas abordados no colóquio, o que vai ao encontro “da expressão da missão do IPS de produzir, partilhar e aplicar conhecimento em diálogo com as instituições, com as empresas e com as autarquias e com a sociedade civil”.
Luísa Carvalho considera que os desafios do mar “exigem uma capacidade de articulação de saberes, entre a ciência e a tecnologia, entre a história e o futuro, entre a cultura e a economia, entre a segurança e a sustentabilidade” e ressalvou que, no domínio científico, o IPS “tem desenvolvido investigação nesta área e está ligado ao maior centro de investigação sobre o mar em Portugal, o MARE”.
No período da manhã, o encontro contemplou o painel “O Mar: Desafios de todos os tempos – Importância das novas tecnologias” e a primeira parte de um painel sobre “O Mar: Desafios da Atualidade I – Para um uso sustentável e seguro do mar I”, que abriu o período da tarde.
O programa da tarde inclui o painel “O Mar: Desafios de todos os tempos II – Passado e presente”, no qual são abordadas temáticas relacionadas com a ligação de Setúbal ao mar, concretamente as apresentações “Setúbal e a guerra. Dois episódios bélicos na história de Setúbal”, pelo capitão de mar e guerra Augusto Alves Salgado, e “Da fundação à extinção da Associação de Classe dos Trabalhadores do Mar de Setúbal (1899-1933)”, pelo historiador e técnico municipal Diogo Ferreira.
Após a sessão de encerramento do colóquio “O Mar: Tradições e Desafios” atua o Quinteto Clássico da Banda da Armada.


