A vice-presidente da Câmara Municipal, Carla Guerreiro, sublinhou em 31 de maio a importância do mar e da pesca, em cerimónia evocativa dos pescadores desaparecidos, realizada no Dia Nacional do Pescador, no Cemitério de Nossa Senhora da Piedade.
“Esta área tem de ser uma área de futuro, porque, independentemente das condições da tecnologia e da ciência, continuamos a necessitar muito do mar para muitas atividades e a pesca é uma delas”, disse a autarca, recordando que a pesca é “uma atividade de resistência” e que muitas pessoas do concelho de Setúbal “continuam a sobreviver e a ter o seu pão desta atividade”.
Carla Guerreiro salientou que “todos os anos” continua a haver pessoas “que desaparecem no mar”, pelo que aquela era uma “mais do que uma justa homenagem”, mas adiantou que, embora se deva lembrar os que desapareceram, também é necessário “dar força àqueles que continuam a fazer desta atividade a sua vida e a sua sobrevivência”.
A vice-presidente da Câmara sublinhou que “Setúbal nasceu do rio e continuará a ser do rio, do mar, da serra”, lembrando que, entre 28 de maio e 8 de junho, o Parque Urbano de Albarquel recebe a Mostra das Tradições Marítimas, evento de celebração da ligação da cidade ao mar e às suas gentes e enquadrado nas celebrações do Dia Nacional do Pescador.
Organizada pelas juntas de freguesia do Sado, de São Sebastião e da União das Freguesias de Setúbal – territórios com forte ligação ao mar e à pesca –, com o apoio da Câmara Municipal, a mostra proporciona atividades para todas as gerações que valorizam a identidade e o património marítimo local.
A presidente da União das Freguesias de Setúbal, Fátima Silveirinha, afirmou que o Dia Nacional do Pescador deve estar presente na memória coletiva “todos os dias do ano” e defendeu a adoção de “políticas que defendam os trabalhadores da pesca”, que “correm riscos sempre que vão trabalhar”.
A sua homóloga da Junta de Freguesia do Sado, Marlene Caetano, lembrou “os que vão para o mar e os que ficam em terra à espera que seja um dia de mesa cheia”, ou “com receio de que alguém não volte”, defendendo a necessidade de “valorizar muito” a atividade da pesca “e todas as que com ela estão relacionadas”.
O “rendimento incerto” da pesca foi sublinhado pelo presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, Luís Matos, pelo que o Dia Nacional do Pescador, que “eleva quem trabalha no mar e os que já não regressaram” e recorda as famílias que “sentem a falta desses entes queridos”, devia ser celebrado “todos os 364 dias do ano” além do 31 de maio.
A cerimónia, realizada junto do Memorial ao Pescador Setubalense Desaparecido, contou igualmente com a presença do diretor nacional do Apostolado do Mar, Armando Oliveira, de Vanessa Amorim, do conselho de administração da Mútua dos Pescadores, do primeiro-tenente Pedro Simões, adjunto do capitão de porto, e do padre Casimiro Henriques, da Paróquia de São Sebastião.
Antes e após as intervenções e a deposição de flores pelas diversas entidades, um grupo de representantes do movimento Apostolado do Mar e da Paróquia de São Sebastião entoou cânticos alusivos aos marítimos.








