“Portugal fez, há 50 anos, uma das mais importantes decisões no domínio da conservação da natureza e uma escolha de futuro, ao reconhecer que a Arrábida era património natural de valor excecional e que exigia proteção”, afirmou o vereador Paulo Maia, da Câmara Municipal de Setúbal, no encontro realizado no Convento de Jesus.
Na iniciativa promovida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e município de Setúbal, o autarca exaltou “a decisão visionária” de criação desta área protegida com uma visão a longo prazo para o território, garantindo que pudesse continuar a ser fonte de identidade, de conhecimento e de desenvolvimento sustentável.
“A Arrábida continua a ser um dos lugares mais extraordinários do país, e isso deve-se, em grande parte, à existência do Parque Natural e ao trabalho desenvolvido ao longo destas cinco décadas por instituições públicas, investigadores, técnicos, associações, autarquias e cidadãos”, frisou.
O vereador Paulo Maia enfatizou ainda o facto de a Arrábida fazer parte da identidade do concelho, constituindo-se enquanto elemento estruturante da paisagem e de memória coletiva, no qual a natureza, a cultura, o património e história testemunham uma relação secular entre as comunidades e os recursos naturais.
Ao destacar a importância deste Parque Natural, o qual “se afirmou ao longo de meio século enquanto referência nacional de conservação da natureza”, o autarca disse que conservar não implica perder o desenvolvimento do território. “Significa orientar, de forma inteligente, equilibrada e sustentável.”
A classificação enquanto Reserva da Biosfera da UNESCO, frisou, trouxe “um novo e importante reconhecimento” à Arrábida, disse o vereador, para depois afirmar que a proteção de uma área natural exige um “diálogo permanente para conciliar a preservação dos valores ambientais com a atividade económica, o turismo e a fruição”.
O autarca do município de Setúbal falou ainda nos novos desafios impostos ao Parque Natural da Arrábida relacionados com alterações climáticas, perda de biodiversidade, riscos acrescidos de incêndio, erosão dos solos, pressão urbanística e crescentes procuras turísticas e recreativas.
“Colocam novas exigências à gestão da área protegida, o que implica uma cooperação cada vez mais estreita entre a administração central, as autarquias e a comunidade científica, uma responsabilidade que o município assume plenamente e para o qual continuará a trabalhar para valorizar o território”, afirmou o vereador Paulo Maia.
Na cerimónia, a vice-presidente da Câmara Municipal de Palmela, Fernanda Pésinho, falou num “património natural, de valor excecional, que une os três concelhos [Setúbal, Palmela e Sesimbra], e que constitui um dos maiores símbolos do território”, cuja proteção “continua a ser uma responsabilidade partilhada”.
Já o presidente do município de Sesimbra, Francisco Jesus, partilhou uma necessidade com uma dupla dimensão. “É preciso criar neste território um valor acrescentado, que permita garantir que existem condições para a preservação da sua excecionalidade em termos naturais e para a valorização da economia local e de desenvolvimento.”
O evento, realizado no Dia Mundial da Conservação da Natureza, contou com o Secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, que enalteceu a capacidade de mobilização para a valorização conjunta e partilhada desta área protegida, na qual a natureza e a presença humana coexistem há séculos.
“Ao longo destas cinco décadas, o Parque Natural da Arrábida afirmou-se como um território singular, em que a extraordinária relação entre a serra e o mar deu origem a paisagens únicas, a ecossistemas de elevado valor ecológico e a uma notável diversidade biológica.”
O governante disse ainda que a celebração “presta homenagem a todos aqueles que contribuíram para este legado de 50 anos” do Parque Natural da Arrábida, criado em 28 de julho de 1976, através do Decreto-Lei n.º 622/76, para proteger os valores naturais, paisagísticos, geológicos, culturais e científicos da Serra da Arrábida.
O diretor regional da Conservação da Natureza e Florestas de Lisboa e Vale do Tejo, Carlos Albuquerque, salientou o “modelo de cogestão das áreas protegidas, incluindo a Arrábida, o qual congrega vontades e envolve todas as partes interessadas para alcançar mais e melhor governança destes patrimónios”.
Sobre o Parque Natural da Arrábida, realçou ser “um território único, construído por todos”, num trabalho que começou a ser feito há 50 anos, que “deixa marca” e que cria “as condições para que todos participem e sejam parte deste trabalho e destes resultados que dispomos”.
O programa contou ainda com a alocução “50 anos do Parque Natural da Arrábida”, a cargo de Viriato Soromenho Marques, e a apresentação do Livro de Honra dos 50 anos do Parque Natural da Arrábida, com testemunhos de vários participantes na elaboração da obra literária.
A iniciativa em Setúbal de celebração dos 50 anos do Parque Natural da Arrábida contou ainda com vários momentos culturais, com a abertura do evento realizado no Convento de Jesus a partilhar o apontamento musical “Escutar a Diferença: O Vento da Paz”, um projeto do Festival Internacional de Música de Setúbal.
Esta atividade, com direção artística de António Laertes e conceção e direção musical de Aleksandar Caric Zar, teve a participação de utentes da APPACDM de Setúbal, de alunos do Coro do 6.º ano e de alunos da orquestra de violinos Paganinus, do Conservatório Regional de Setúbal.
As celebrações proporcionaram ainda, no encerramento, com os momentos culturais “A paleta poética da Arrábida”, por João Reis Ribeiro, com Ana Acto, João Completo e Nuno David, e “Quando a minha Alma vagueia pela Serra”, com mulheres do Coro Setúbal Voz, dirigidas pelo maestro Jorge Salgueiro.






