“Ensinam-se as pessoas a administrar a alimentação”, a apoiar os doentes nas transferências e a prestar cuidados de higiene, explicou a enfermeira diretora da ULSA – Unidade Local de Saúde da Arrábida, Violante Nunes, sublinhando a importância de evitar a sobrecarga dos cuidadores.
O I Encontro do Núcleo de Enfermeiros Especialistas de Reabilitação da ULSA, realizado no Mercado do Livramento, sob o tema “Inovação no Cuidar em Reabilitação”, reuniu profissionais de saúde para debater novas tecnologias, inteligência artificial e continuidade dos cuidados.
Segundo Violante Nunes, o trabalho dos enfermeiros especialistas começa ainda durante o internamento, podendo a reabilitação iniciar-se logo após a estabilização clínica de pessoas que sofreram um AVC – Acidente Vascular Cerebral.
“O enfermeiro de reabilitação consegue trabalhar o doente logo na fase aguda, através dos posicionamentos, das mobilizações”, explicou, acrescentando que estas intervenções podem reduzir limitações motoras e permitir o treino da marcha mais precocemente.
A preparação da alta hospitalar pode também incluir visitas domiciliárias para avaliar as condições das casas e aconselhar adaptações que facilitem a mobilidade de pessoas com limitações físicas.
“Há algumas sugestões de alterações estruturais, nomeadamente em relação aos WC”, exemplificou a enfermeira diretora, referindo-se às dificuldades de circulação enfrentadas por pessoas que utilizam andarilhos.
O núcleo de reabilitação da ULSA integra enfermeiros especialistas e profissionais em formação, tendo como missão apoiar a direção de enfermagem na definição de estratégias, organização dos recursos e atualização de competências.
“O núcleo, basicamente, tem como objetivo constituir-se como um elemento consultor da direção da enfermagem na definição de estratégias internas”, explicou Violante Nunes, acrescentando que são promovidas reuniões científicas praticamente todos os meses.
Na sessão de abertura, Célia Roque, assessora da Saúde, em representação da vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, destacou a importância do ensino prestado pelas equipas de enfermagem às famílias e aos cuidadores para assegurar a continuidade dos cuidados após a alta hospitalar.
A representante municipal reafirmou ainda a disponibilidade da autarquia para colaborar com as instituições e os profissionais de saúde, apoiando projetos que promovam melhores condições de vida e respostas mais próximas da população.
“Afirmamos o empenho da Câmara Municipal de Setúbal em colaborar com os seus parceiros de saúde”, declarou, defendendo uma resposta “mais próxima, mais eficaz e mais humana”.
Violante Nunes salientou também que a inovação não depende apenas da utilização de novas tecnologias, mas da capacidade de melhorar os cuidados sem perder a dimensão humana da enfermagem.
“Inovar só faz verdadeiramente sentido quando a inovação acrescenta valor à vida das pessoas e reforça a nossa capacidade de cuidar”, afirmou.
O representante da Ordem dos Enfermeiros, Lino Oliveira, defendeu a valorização dos profissionais especializados e a necessidade de demonstrar os resultados da enfermagem de reabilitação na recuperação da autonomia e qualidade de vida dos utentes.
“Não basta dizer que fazemos reabilitação. Temos de conseguir demonstrar ganhos em saúde, ganhos em autonomia, ganhos na capacidade funcional e ganhos na qualidade de vida”, salientou.
Já Inês Costa, representante da Associação Portuguesa dos Enfermeiros de Reabilitação, destacou a importância da articulação entre os cuidados hospitalares, os cuidados de saúde primários e a comunidade, defendendo que a inovação tecnológica responda às necessidades das pessoas.
“A tecnologia tem que estar ao serviço das pessoas”, afirmou.
A sessão de abertura foi moderada pela enfermeira Cecília Almeida.


