Passavam poucos segundos das dez da manhã quando o alarme automático dispara no Palácio da Justiça de Setúbal. Há um foco de incêndio, detetado na zona do arquivo central, situado no piso térreo. Há rápida propagação de fumo e a evacuação do edifício torna-se indispensável.
No tribunal decorria um julgamento de alto risco associado à criminalidade organizada, o que motivou uma resposta tática que conciliasse a evacuação civil de emergência com a contenção prisional num ambiente de visibilidade reduzida e pânico. Este foi o cenário do simulacro à escala real (LiveX) “Chama da Justiça”.
Em escassos minutos, o imóvel é evacuado, com as pessoas a serem encaminhadas para os pontos de encontro de segurança definidos no exterior. Os Serviços Prisionais, a PJ e a GNR aplicam os protocolos de proteção tática para extração dos detidos, em rotas alternativas livres de fumo, com a mínima intersecção com a massa civil.
Quase em simultâneo, começam a chegar ao teatro de operações os diferentes meios de proteção e socorro, bombeiros, PSP, GNR e agentes da Proteção Civil. É estabelecido um perímetro de segurança exterior, com cortes de trânsito estratégicos na totalidade da Rua Cláudio Lagrange.
No local também já se encontram meios operacionais da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal e da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Setúbal, para atacar rapidamente o incêndio e desencadear uma operação de busca e salvamento, pois há um funcionário desaparecido.
O exercício, conduzido pelo Serviço Municipal de Segurança, Proteção Civil e Bombeiros de Setúbal, termina em cerca de quarenta minutos. Foi feito um resgate, o incêndio é extinto e o edifício ventilado. Há condições de segurança para regressar à normalidade. Sabe-se, agora, que o fogo foi provocado por um curto-circuito.
O vereador Paulo Maia, da Câmara Municipal de Setúbal, falou numa “ação proativa do município para tornar este exercício, de grande dimensão, real, o qual foi realizado num edifício complexo, com diferentes microssistemas de trabalho”.
O autarca deu ainda nota de que a evacuação do Palácio da Justiça de Setúbal, que “envolveu cerca de 250 pessoas, decorreu no timing mínimo dentro do padrão da escala”, e que, se necessário, os intervenientes “estavam preparados para fazer a evacuação do Centro Distrital de Segurança Social”, nas imediações do tribunal.
Além da vertente formativa, feita a cerca de uma centena de pessoas que todos dos dias trabalham no Palácio da Justiça, o vereador Paulo Maia adiantou que os participantes vão receber um guião elaborado pela Escola Nacional de Bombeiros, para que cada pessoa possa criar o seu plano de emergência familiar.
“Todos somos Proteção Civil. Todos fazemos parte deste ecossistema e, se cada um criar o seu plano de emergência familiar, todos estaremos mais capacitados para qualquer situação real que possa ocorrer. Hoje foi um exercício, mas se algum dia acontecer, estaremos mais bem preparados.”
O simulacro “Chama da Justiça” procurou testar a resposta imediata da equipa de segurança responsável pela primeira intervenção perante uma situação de incêndio no edifício, a ativação do alarme geral e a fluidez das rotas de evacuação sob a simulação de fumo denso.
Além do exercício de interoperabilidade, foi colocada à prova a gestão de crise, com a avaliação de protocolos de extração e confinamento seguro de detidos, a integração do Serviço Municipal de Proteção Civil, Segurança e Bombeiros na coordenação do apoio logístico e de socorro ao teatro de operações.
O simulacro contou com 12 viaturas, 15 bombeiros, sapadores, voluntários e respetivos comandantes, 11 agentes da PSP, 2 militares da GNR e 12 elementos da Proteção Civil, além do subcomandante regional da Autoridade Nacional de Emergência de Proteção Civil, da subdiretora da Prisão de Setúbal e do chefe dos Guardas Prisionais.




