Arrábida Biosfera celebra primeiro ano com compromisso de proteção do território

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A proteção da Arrábida para as gerações futuras e a valorização do território uniram os municípios de Setúbal, Palmela e Sesimbra na celebração do primeiro aniversário da classificação como Reserva da Biosfera, realizada dia 26, na Quinta de São Paulo.

Na sessão, a vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, destacou as oportunidades que o reconhecimento internacional representa para os três concelhos, ao considerar a classificação uma “janela da oportunidade”.

A autarca defendeu a preservação da natureza e da biodiversidade como uma responsabilidade perante as gerações futuras, para as quais importa conservar “o nosso ar, a nossa natureza, o nosso rio”.

Maria do Carmo Tiago reconheceu a necessidade de procurar financiamento para concretizar o projeto e reafirmou o compromisso do município com a cooperação entre as entidades envolvidas. “Há muito mais que nos une do que nos separa.”

A presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, valorizou o contributo das equipas técnicas e científicas para a candidatura reconhecida pela UNESCO a 27 de setembro de 2025, fruto do envolvimento de “muitos cientistas, de muitos técnicos, de muitas pessoas” que reuniram conhecimento sobre a Arrábida.

Um ano após a classificação, a autarca salientou que a concretização dos objetivos da reserva exige continuidade e cooperação. “Há muito trabalho por fazer”, afirmou, ao defender o prosseguimento da estratégia apresentada na candidatura.

O presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Francisco Jesus, sublinhou que o reconhecimento internacional implica a responsabilidade de conservar as características que distinguem a Arrábida. “Esta excecionalidade tem de ser mantida.”

O autarca defendeu também que a reserva deve criar oportunidades para as populações e para as atividades económicas, com o envolvimento de quem vive e trabalha no território. “Todos fazem parte dela”, afirmou, num apelo à participação coletiva no projeto.

A diretora regional do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e membro da comissão técnica da Arrábida Biosfera Cristina Falcão destacou a importância da investigação científica para orientar a conservação do território, assente na necessidade de “conhecer para proteger”.

A participação das comunidades e das associações foi igualmente apontada como essencial para identificar dificuldades e construir respostas comuns, num processo que exige “ouvir quem está no território”.

Cristina Falcão manifestou a expectativa de que o próximo aniversário permita apresentar “projetos a anunciar” e “coisas concretas, efetivas”, resultado do trabalho desenvolvido pelas entidades parceiras.

A sessão contou ainda com a presença da secretária-geral da AMRS – Associação de Municípios da Região de Setúbal, Sofia Martins, e da presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Carla Salsinha, entre outras individualidades.

Participaram igualmente membros das comissões técnica, científica e consultiva da Arrábida Biosfera, representantes de entidades públicas e privadas e de movimentos de cidadãos de defesa da Arrábida.

A sessão integrou um programa comemorativo dedicado ao território, com iniciativas de ciência cidadã, visitas e atividades de divulgação do património natural e cultural da Arrábida.

A integração da Arrábida na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO, aprovada a 27 de setembro de 2025, em Hangzhou, na China, resultou de uma candidatura impulsionada pela AMRS em conjunto com as câmaras municipais de Setúbal, Palmela e Sesimbra e o ICNF.

Enquadrada no programa “O Homem e a Biosfera”, da UNESCO, a candidatura teve como objetivo conciliar a conservação da natureza com a atividade humana e valorizar o património natural e cultural da Arrábida, numa lógica de desenvolvimento económico, social e ambientalmente sustentável, com a participação ativa das populações locais.

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