Mercado do Livramento comemorou 150 anos

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O Mercado do Livramento celebrou no dia 31 de julho 150 anos com uma cerimónia durante a qual o vereador da Câmara Municipal Paulo Maia sublinhou a qualidade e o dinamismo do equipamento, que considerou um símbolo de Setúbal.

“Hoje celebramos os 150 anos do Mercado do Livramento, um ex-libris de Setúbal que, com grande dinamismo, tem acompanhado as transformações da cidade, nas vertentes urbana, económica e social”, disse o autarca, afirmando que o mercado é “um equipamento municipal estruturante, um símbolo de modernidade, um espaço onde se socializa e um elemento identitário” da memória coletiva setubalense.

Paulo Maia, que esteve acompanhado pelo vereador Bruno Russo, lembrou que o Mercado do Livramento é visitado por muitos turistas, que têm “a curiosidade de comprovar com os próprios olhos, e com os restantes sentidos, que o Mercado do Livramento é tão bom quanto dizem as notícias sobre ele que chegam aos seus países”.

E sublinhou que “muitos ainda ficam surpreendidos” tanto “com a beleza do edifício”, como “com os cheiros que o invadem, com o saber e a simpatia” de quem ali trabalha “e, principalmente, com a qualidade dos produtos oferecidos, com o peixe os restantes frutos do mar à cabeça”.

O vereador recordou a história do abastecimento da população de Setúbal, que entre os séculos XVI e XIX era feito em vários espaços urbanos, como a antiga Praça do Sapal, atual Praça de Bocage, o Largo da Ribeira Velha, a Fonte Nova e Palhais, até à inauguração do Mercado do Livramento, em 31 de julho de 1876, graças a uma estratégia de António Rodrigues Manito.

“Setúbal passava a ter um mercado moderno que reunia num espaço coberto, organizado e cómodo os comerciantes de peixe e produtos agrícolas, entre outros. Na época foi considerado um dos melhores mercados do país, pelas características arquitetónicas do edifício, pela organização interna e pelos equipamentos de apoio à atividade piscatória e agrícola”, recordou.

Paulo Maia salientou que, além de garantir o abastecimento público de produtos frescos a Setúbal, “contribui de forma determinante para a manutenção e a valorização da pesca e da agricultura de cariz familiar, dois setores tradicionais da economia”, bem como para a sustentabilidade, “por favorecer os circuitos curtos de comercialização, que resultam em ganhos ambientais muito claros”.

E notou que o mercado, que nas últimas décadas “foi também palco de eleição para a cultura e a sociabilidade, com grande relevância na vida da cidade e da região”, é “um importante equipamento público cuja atividade, dinamismo e viabilidade merece uma muito especial atenção” por parte da autarquia.

Por essa razão, a Câmara Municipal, que agradece aos funcionários que mantêm diariamente o mercado a funcionar, decidiu investir na requalificação e modernização do equipamento, realizando obras que “vão permitir ter um mercado mais qualificado e atrativo para as próximas décadas” e devem estar concluídas em finais de agosto.

“O Mercado do Livramento faz parte da nossa história coletiva e é um reconhecido símbolo de Setúbal no país e além-fronteiras. Cabe a todos nós, enquanto comunidade, assegurarmos não só a proteção desta joia urbana, mas também fazermos tudo para que ela brilhe cada vez mais aos olhos de quem a visita.  Parabéns a todas as gerações que por aqui passaram. Obrigado aos milhares de clientes e visitantes”, concluiu.

Henrique João, comerciante no Mercado do Livramento, afirmou que “a praça é um espaço vivo, alegre e em que todos os setubalenses têm orgulho”, sendo “um empregador por excelência”, porque “emprega diretamente entre 500 e 600 pessoas”, 80 por cento das quais “não tem mais rendimento nenhum no seu agregado familiar”, e “indiretamente dá trabalho a outras 4000 a 5000”.

A festa de aniversário contou com bolo e moscatel e foi acompanhada pelo fado de Deolinda de Jesus, terminando com os dois vereadores a entregaram aos comerciantes do mercado aventais alusivos à efeméride.

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