Na sessão de abertura da iniciativa organizada pelos Serviços Municipalizados de Setúbal, pela SIMARSUL – Saneamento da Península de Setúbal e pela Câmara Municipal de Setúbal, através do Serviço Municipal de Segurança, Proteção Civil e Bombeiros, a vice-presidente da autarquia, Maria do Carmo Tiago, destacou a importância de promover espaços de reflexão sobre desafios que afetam diretamente as populações e os territórios.
A autarca, a falar para uma plateia composta por diversos especialistas, autoridades de proteção civil e investigadores científicos no Cinema Charlot – Auditório Municipal, sublinhou que “é preciso resolver questões que a todos afetam”.
O presidente executivo da SIMARSUL, José Fialho, destacou a importância da partilha de experiências entre entidades, incluindo dificuldades e desafios encontrados no terreno, como forma de reforçar a capacidade de resposta dos sistemas e garantir a continuidade dos serviços essenciais.
As soluções baseadas na natureza, como o caso da bacia de retenção do Parque Urbano da Várzea, estiveram entre as respostas apontadas para aumentar a resiliência dos territórios face às alterações climáticas e aos fenómenos extremos.
“Temos aqui um exemplo interessante em Setúbal, que é exatamente a bacia de retenção que aqui foi construída”, afirmou o presidente do conselho consultivo do CEIPC – Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil, Duarte Nuno Caldeira, durante o painel “Água como Infraestrutura Crítica: Gerir o Risco”, moderado por Catarina Paz, do Instituto Politécnico de Setúbal.
Na apresentação “Infraestruturas de Água: Um dos Pilares do Sistema de Proteção Civil”, o especialista defendeu a adaptação climática como uma prioridade para os territórios e considerou que a infraestrutura hidráulica construída em Setúbal constitui um exemplo de como é possível “a partir da natureza, encontrar uma forma de contrapor os riscos inerentes e decorrentes dos eventos e das alterações do perfil climático”.
O painel “Água como Infraestrutura Crítica: Gerir o Risco” reuniu ainda Maria Adriana Cardoso, do LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que apresentou o tema “Resiliência Climática no Ciclo Urbano da Água. Importância de uma Abordagem Integrada do Diagnóstico à Ação”.
A investigadora abordou os impactes das alterações climáticas nos sistemas urbanos e a interdependência entre infraestruturas críticas, como a água, a energia e as telecomunicações.
Na conclusão da intervenção, Maria Adriana Cardoso afirmou que “todos são agentes para a construção de um futuro mais resiliente”.
As implicações dessa interdependência estiveram também em destaque na intervenção “Resiliência da Água: Lições Recentes e Prioridades de Ação”, apresentada por António Jorge Monteiro, da The Equator Company e do Instituto Superior Técnico.
O especialista analisou acontecimentos recentes, como o apagão energético, tempestades e períodos prolongados de seca, e defendeu o reforço da preparação dos sistemas.
“O apagão mostrou que estamos menos preparados do que outros países”, disse António Jorge Monteiro, para depois destacar a dependência de Espanha em termos de qualidade e quantidade de água e a necessidade de repensar o ordenamento do território nas zonas de risco de cheia.
Na sessão de encerramento, o administrador dos Serviços Municipalizados de Setúbal, José Alexandre, considerou que os objetivos do fórum foram alcançados. “A iniciativa foi muito importante porque nos conduz a pistas e à necessidade de aprimorar o nosso trabalho.”
Ao longo do dia, o REAGE – Fórum de Resiliência da Água e Gestão de Emergências reuniu contributos de especialistas, entidades gestoras, investigadores e agentes de proteção civil, num programa dedicado à resiliência da água, à gestão de emergências e à preparação dos territórios para responder a eventos extremos.



