Integrado no Ciclo de Conferências “Valorizar o(s) Património(s)”, o colóquio, organizado pela Câmara Municipal de Setúbal, tem como palestrante Francisco Moniz Borba, neto de Francisco de Paula Borba, que em 1919 lançou uma campanha de angariação de fundos para a construção de um balneário público, com projeto do engenheiro Carlos Manito Torres.
Engenheiro agrónomo com uma longa carreira na administração pública e no setor vitivinícola, Francisco Moniz Borba é o autor de obras como “O Balneário, Memória de Setúbal”, de 2017, e “Francisco de Paula Borba – Vida e Obra 1872-1934”, de 2022. É ainda coautor do “Álbum Fotográfico de Anthero Frederico de Seabra, de 1867”, publicado em 2024.
Inaugurado em 31 de maio de 1926, o Balneário Doutor Paula Borba, médico que tinha os pobres e as suas doenças entre as suas preocupações centrais, é um dos grandes marcos da história da higiene pública em Setúbal.
Depois de a epidemia de gripe espanhola registada entre 1918 e 1920 ter provocado a morte de dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo mais de 60 mil portugueses, a abertura do Balneário Dr. Paula Borba resultou da crescente consciência da importância da higiene pessoal, prestando um serviço de grande importância para a promoção de hábitos de higiene e para a melhoria da saúde pública
Nascido em Angra do Heroísmo a 24 de março de 1873, Francisco de Paula Borba veio viver para Setúbal com 25 anos, em 1898, cidade onde morreu em 1934.
Em 1899, começou a exercer as funções de médico no hospital da Misericórdia, ao qual se ofereceu para trabalhar gratuitamente, iniciando uma longa dedicação à Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, onde foi impulsionador do assistencialismo e provedor entre 1 de julho de 1917 e 26 de setembro de 1934, data da sua morte, com 61 anos.
Em 1927 tornou-se a primeira pessoa a receber a distinção de cidadão honorário de Setúbal e quatro anos depois foi condecorado pelo Presidente da República Óscar Carmona com o grau oficial da Ordem de Benemerência.