O seminário “Garantir Ambientes de Trabalho Saudáveis e Bem-Estar Psicossocial”, organizado pela ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, promove um momento de reflexão sobre a importância da prevenção e de garantir as condições necessárias ao bem-estar psicossocial dos trabalhadores.
Na sessão de abertura, o vereador do município com o pelouro da Gestão de Pessoas e Competências, Paulo Maia, garantiu que esta é uma matéria que tem vindo a ser assumida como prioritária pela Câmara Municipal de Setúbal.
“As instituições mais fortes constroem-se também através da valorização dos seus trabalhadores, da promoção de ambientes laborais saudáveis, da aposta em mecanismos de apoio, acompanhamento e prevenção. Não há desenvolvimento económico sustentável sem trabalho digno. Não há produtividade verdadeira sem bem-estar.”
O autarca recordou a decisão do Executivo municipal de alterar a designação do Departamento de Recursos Humanos para Departamento de Gestão de Pessoas e Competências “para mudar, não apenas o nome, mas o paradigma, porque as pessoas estão primeiro e as competências estão depois”.
Sobre o tema do seminário, “Garantir Ambientes de Trabalho Saudáveis e Bem-Estar Psicossocial”, o vereador Paulo Maia considerou que este é “um desígnio absolutamente central nas sociedades contemporâneas e particularmente relevante no contexto laboral atual”.
Para o autarca, falar de segurança e saúde no trabalho “é falar da dignidade humana” e do “direito de cada trabalhador a exercer a sua atividade em condições que salvaguardem não apenas a sua atividade, mas também a sua integridade física e ainda o seu equilíbrio emocional, psicológico e social”.
Durante muitos anos, a discussão em torno da segurança no trabalho “centrou-se, sobretudo, nos riscos físicos e operacionais”, mas “hoje sabemos que os desafios são mais amplos e exigentes”, assinalou.
“O desgaste emocional, a pressão constante, a precariedade, o assédio, a desregulação entre a vida profissional e pessoal e os impactes psicológicos associados às novas formas da organização do trabalho colocam-nos numa nova realidade que exige respostas integradas, humanas e responsáveis.”
Já o subinspetor-geral da ACT, Carlos Nunes, assinalou que a prevenção e a promoção da segurança e a garantia de condições de trabalho saudáveis deve ser uma preocupação de todos.
“Se não incorporarmos esta consciência de forma coletiva, não há estratégia que nos valha, não há organização que nos valha, não há legislação que nos valha, não há inspetores que nos valham e não há técnicos de promoção da segurança que nos valham. Somos todos responsáveis pela qualidade e pela segurança, nossa e dos nossos colegas.”
O subdiretor da Unidade Local de Setúbal da ACT, João Tavares, destacou que o tema do seminário, “Garantir Ambientes de Trabalho Saudáveis e Bem-Estar Psicossocial”, leva o debate sobre a prevenção da segurança no trabalho a centrar-se também na saúde mental.
“Se o nosso foco recaía antes sobre os chamados riscos tradicionais – os riscos físicos, os riscos químicos, os riscos biológicos –, hoje é impossível ignorar a saúde mental e os riscos psicossociais. O trabalho deve ser um lugar de realização e não de desgaste ou de esgotamento.”
Após a sessão de abertura, a técnica superior da Unidade Local de Setúbal da ACT Sandra Santos apresentou alguns dados sobre o tema do seminário e a técnica superior da ACT Emília Telo falou sobre “Cuidar de quem trabalha: Uma visão europeia para o futuro”.
Seguiu-se uma mesa-redonda, moderada pela técnica superior da ACT Isabel Nunes, que abordou o tema “Bem-estar psicossocial no trabalho: desafios, responsabilidades e boas práticas”, com a participação do coordenador científico do mestrado em Psicologia Organizacional e da Saúde Ocupacional da UAL, Samuel Antunes, da psicóloga do Gabinete de SST da Câmara Municipal de Setúbal Ana Rita Lopes, da representante da Comissão Executiva do Conselho Nacional da CGTP-IN Helena Martins, da secretária executiva da UG Vanda Cruz e do membro do Conselho de Fundadores da AISET Nicolas Heguaburo.
O encerramento do encontro contou com uma intervenção do subdiretor da Unidade Local de Setúbal da ACT, João Tavares.


