Juristas debatem litigância ambiental e domínios público marítimo e hídrico

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A litigância ambiental e climática e a proteção e fruição dos domínios público marítimo e hídrico são os temas em debate no dia 10 nas IV Jornadas de Direito do Ambiente da Comarca de Setúbal, que decorrem no Auditório do Mercado do Livramento.

Cerca de meia centena de participantes, entre magistrados, advogados, académicos e outros profissionais participam nas jornadas organizadas pelo Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal, com o apoio da Câmara Municipal, nas quais o poeta Sebastião da Gama foi evocado enquanto defensor do ambiente, e da Arrábida em particular, no dia do 102.º aniversário do seu nascimento, em Azeitão.

Na abertura, o vereador do Ambiente na Câmara Municipal de Setúbal, Bruno Russo, salientou que a iniciativa é um “espaço de reflexão qualificada, de partilha, de conhecimento” sobre “um dos temas mais exigentes do nosso tempo”, lembrando que “a proteção do ambiente não é apenas uma obrigação jurídica ou política, é também um compromisso, cultural, ético e humano”.

O autarca notou que o facto de Setúbal ser “um território de enorme riqueza natural” – com a Serra da Arrábida, o Estuário do Sado, a frente marítima e as praias, “que são parte essencial da identidade local e da qualidade de vida da população” – implica “uma responsabilidade acrescida de garantir que o desenvolvimento económico e social se faz em equilíbrio com a preservação dos ecossistemas”.

Bruno Russo considerou que “a questão do acesso às praias, enquanto espaços de fruição coletiva, levanta desafios importantes no que respeita à conciliação entre interesses públicos e privados” e “à garantia de igualdade no acesso à salvaguarda de valores ambientais”, destacando o “papel absolutamente central” do direito do ambiente.

Segundo o vereador, a litigância ambiental e climática “revela bem como os tribunais são cada vez mais chamados a intervir na proteção de bens jurídicos fundamentais, como o ambiente, a saúde pública e o direito a gerações futuras a um planeta sustentável”, razão pela qual considerou “particularmente relevantes” as IV Jornadas de Direito do Ambiente da Comarca de Setúbal, que decorrem ao longo do dia.

O procurador-geral da República, Amadeu Guerra, afirmou que um debate sobre a proteção dos recursos hídricos foi “acertada escolha, pela essencialidade da água, enquanto componente ambiental, bem escasso e fonte da vida”.

Amadeu Guerra destacou “a importância do acesso à água sobre múltiplas perspetivas”, incluindo a defesa das funções de soberania, a fruição recreativa por todos e a garantia da integridade dos recursos hídricos livres de poluição, afirmando que “o desenvolvimento económico acelerado nas últimas décadas colocou em crise os componentes ambientais escassos”, como a água, o mar ou o ar.

O juiz conselheiro Luís Azevedo Mendes, vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura, notou que a Câmara Municipal de Setúbal “tem sido pioneira no debate das questões do ambiente”, referindo que as questões do ambiente e do ativismo ambiental são hoje “muito preocupantes”, devido às alterações climáticas e a um “recuo na agenda das questões climáticas”, resultante das várias guerras em curso.

Considerou que “persistir no debate, na litigância e nas questões normativas é da maior importância”, uma vez que a criação de novas regras ambientais é fundamental “para a resiliência e para enfrentar as crises ambientais” que vão surgir “nos próximos anos”.

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