Durante a sessão, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal, o docente destacou a animação sociocultural como uma atitude perante a vida e um processo de aprendizagem mútua, criação e partilha.
“Está muito centrada na direção social, cultural e educativa, no sentido de tornar as pessoas protagonistas do seu próprio desenho humano”, afirmou perante profissionais da área, técnicos municipais e cidadãos interessados nestas temáticas.
Marcelino de Sousa Lopes apresentou uma análise histórica e conceptual da animação sociocultural, evocando as origens em França, as práticas participativas contemporâneas e as influências pedagógicas de autores como Maria Montessori, Carl Rogers, Ivan Illich e Paulo Freire.
Refletiu ainda sobre a importância das práticas participativas no desenvolvimento humano, recordando experiências pedagógicas e comunitárias que marcam a evolução desta área.
O docente, doutorado em Ciências da Educação pela Universidade Pontifícia de Salamanca e aposentado da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, salientou o papel do teatro como ferramenta educativa e transformadora, defendendo que a animação deve ser entendida como “vida em movimento”, promotora de participação, liberdade e transformação pessoal e coletiva.
“Educar é animar, e animar é dar alma e movimento à vida”, sublinhou.
O Seminário de Animação Sociocultural contou também com a presença de Paulo Prezado, da Cáritas, Joana Ideias, do Projeto Escolhas, e Rita Santos e Natasha, do Serviço Educativo dos Museus Municipais, que partilharam experiências e percursos profissionais na área da animação sociocultural.
O encontro, que se prolongou durante todo o dia no Arquivo Municipal, teve início com a intervenção de Nuno Soares, animador sociocultural do município e um dos responsáveis pela dinamização do evento.
“É um enorme prazer receber o professor Marcelino, uma figura de referência na animação sociocultural e na ação social em Portugal”, destacou o técnico, sublinhando o trabalho desenvolvido desde 2010 no serviço educativo do Arquivo Municipal, fruto de “vontade política e compromisso institucional”.

