Diogo Ferreira escreve sobre a história da freguesia do Sado

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O livro “História da Freguesia do Sado”, de Diogo Ferreira, foi apresentado em 12 de setembro no Moinho de Maré da Mourisca, numa sessão das Comemorações Bocagianas que contou com a presença de vários membros do executivo municipal.

A cerimónia, concluída com uma atuação do cantautor Vitorino Salomé, contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, André Martins, da vice-presidente Carla Guerreiro, da vereadora Rita Carvalho, dos presidentes das juntas de freguesia de São Sebastião e de Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra, Luís Matos e Luís Custódio, e de antigos presidentes da Junta de Freguesia do Sado.

 

Resultado de uma investigação feita em arquivo e pela recolha de memória oral, a obra tem por objeto um território até agora pouco estudado e é oferecida pela Junta de Freguesia do Sado, que promoveu a edição no âmbito das celebrações do 40.º aniversário da sua fundação.

 

A presidente da junta, Marlene Caetano, agradeceu ao historiador Diogo Ferreira, pelo “entusiasmo e empenho que dedicou a este livro”, ao editor e designer José Teófilo Duarte, ao professor Daniel Pires, apresentador da obra, e a “todos os que contribuíram para o desenvolvimento e para a história” da Freguesia do Sado e para “todas as recolhas” feitas no âmbito da publicação de “História da Freguesia do Sado”.

 

“Daqui a umas semanas a Freguesia do Sado celebra 40 anos. Mas a história deste território é muito anterior a isso e foi por isso que, há 40 anos, homens e mulheres perceberam que, pela sua identidade e para o seu desenvolvimento, este território merecia que fosse feita a criação desta freguesia. Agradeço a quem teve a coragem de a criar”, referiu a presidente da junta.

 

Daniel Pires começou por afirmar que os estudiosos da história de Setúbal “não têm vida fácil, porque uma parte considerável da documentação infelizmente desapareceu”, devido ao terramoto de 1 de novembro de 1755 e ao incêndio que destruiu o edifício dos Paços do Concelho em 4 de outubro de 1910, na véspera da revolução republicana.

 

“Tais perdas consideráveis de património não impediram Diogo Ferreira de conduzir uma extensa e prolífera investigação sobre Setúbal nos arquivos nacionais, como se conclui da leitura das suas obras. Tal investigação tem um timbre, é feita com competência, dedicação e crença, atributo igualmente fundamental”, disse Daniel Pires, salientando que o historiador setubalense “um corredor de maratona”.

 

De acordo com o professor, o livro “constitui uma viagem desde tempos imemoriais”, do neolítico até ao século XXI, pela economia – “centrada na indústria salineira, mas não só” –, tecido social, relações de propriedade, manifestações culturais, tradição e património arquitetónico e cultural da Freguesia do Sado.

 

“É a memória da cidade, e consequentemente do país, que está em causa, num período em que o camartelo nivela por baixo ou destrói as idiossincrasias dos povos”, concluiu Daniel Pires, referindo-se à necessidade de preservar e divulgar os documentos históricos de Setúbal.

 

Os templos religiosos desaparecidos, a segunda vaga industrial das décadas de 1960/1970, o associativismo e figuras que se destacaram na resistência à ditadura são temas abordados por Diogo Ferreira, que é doutorado em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e se tem dedicado à investigação da história local de Setúbal.

 

“Confesso que, na minha curta carreira de 10, 12 anos dedicada à história de Setúbal, este foi o livro mais difícil que fiz. Isto é uma história periférica, marginalizada, com muita coisa por contar, praticamente não existe bibliografia, há uns quantos apontamentos sobre esta zona, coisas muito dispersas”, afirmou o historiador.

 

Diogo Ferreira saudou o executivo da Junta de Freguesia do Sado por ter “a preocupação de preservar a memória coletiva do espaço de administra” e, em simultâneo, “comemorar os 40 anos da criação da freguesia, em 4 de outubro de 1985, juntamente com a freguesia-irmã de Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra”, cujo território até à data também pertencia a São Sebastião.

 

“E temos de celebrar sistematicamente o Poder Local Democrático, numa era em que os neofascismos e os extremismos populistas de direita cavalgam, com a mentira e a falsidade, perante todos”, salientou, destacando “o contacto direto dos autarcas com as populações”.

 

Editor e designer da obra, José Teófilo Duarte, afirmou que este é “um livro de muitas histórias” que desperta o leitor para “situações das vivências de cada um, para a autenticidade com que as pessoas vivem nas próprias regiões”, sendo com “a autenticidade dessas histórias que se faz depois a história do mundo”.

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