O presidente da Câmara Municipal, André Martins, afirmou no dia 15, na sessão solene comemorativa dos 137 anos da Associação de Socorros Mútuos Setubalense, que a identidade solidária de Setúbal é construída com o trabalho deste tipo de instituições.
“Setúbal é uma terra solidária, e essa identidade constrói-se com o trabalho de instituições como a vossa, que contribuem diariamente para uma sociedade mais justa, mais humana e mais coesa”, disse o autarca, que deu os parabéns à associação “pelos seus 137 anos de serviço à comunidade” e reiterou o compromisso da autarquia “em continuar a apoiar e valorizar o papel fundamental” por ela desempenhado.
Após salientar a “relevância social” e a “confiança” que a Associação de Socorros Mútuos Setubalense mereceu da comunidade ao longo de gerações, o presidente da Câmara recordou que, em Portugal, o mutualismo “tem raízes profundas no século XIX”, surgindo “no seio do movimento operário” para “garantir apoio nas situações de doença, acidente, invalidez ou morte” dos trabalhadores, até aí desprotegidos.
“Muito antes de existirem sistemas públicos de proteção social, foi o espírito coletivo e a força criativa dos trabalhadores que deu forma a esta rede de entreajuda, assente em valores de solidariedade, partilha e dignidade humana”, notou, apelando a uma “intransigente defesa” do Serviço Nacional de Saúde, “uma das mais importantes conquistas de Abril”, por ter conferido a todos, “sem exceção”, proteção na doença.
“Vivemos, aliás, tempos complexos no que diz respeito ao Serviço Nacional de Saúde e às dificuldades que se têm vindo a agravar no funcionamento dos nossos hospitais e centros de saúde. Na Península de Setúbal temos sentido na pele estes problemas com o encerramento constante de urgências, em particular das urgências de obstetrícia”, afirmou.
André Martins frisou que “o problema continua a agravar-se sem que se vislumbrem soluções que impeçam situações mais graves, como as que têm vindo verificar-se nas últimas semanas, na prestação de cuidados de saúde a grávidas e à nascença de crianças”, recordando que na semana passada estiveram encerradas em simultâneo as urgências de obstetrícia de Almada, Barreiro e Setúbal.
Esse facto, como referiu, deixou “uma área com uma população de mais de 800 mil pessoas completamente desguarnecida de apoio médico de urgência, com a agravante de o hospital de Setúbal servir também boa parte da população do Litoral Alentejano”, razão pela qual salientou a necessidade de serem encontradas soluções.
“É obrigatório que seja encontrada uma solução para este problema que se arrasta há anos e em sucessivos governos. Uma solução que não passe pelo encerramento definitivo das urgências do Hospital de São Bernardo, prejudicando, uma vez mais, os setubalenses e todos os que, no Litoral Alentejano, são servidos por este estabelecimento hospitalar”, disse.
O presidente da Câmara salientou que a Associação de Socorros Mútuos Setubalense (ASMS), que classificou como “um farol de humanidade, competência e compromisso com o bem comum”, manteve-se “fiel ao espírito solidário e mutualista que esteve na sua origem” e hoje “continua a ser um pilar essencial do apoio aos seus associados”, com a oferta de consultas de várias especialidades no seu centro clínico.
“Estes cuidados, acessíveis e de qualidade, contribuem para a promoção da saúde e para a prevenção da doença junto de centenas de associados e seus familiares. Paralelamente, merece destaque o importante trabalho desenvolvido no apoio à população sénior, com várias respostas sociais que asseguram a dignidade daqueles que confiaram à Associação novas etapas das suas vidas”, notou.
O presidente da Associação de Socorros Mútuos Setubalense, Fernando Paulino – que recebeu do presidente da Câmara uma imagem de José Afonso –, lembrou que todo o caminho do mutualismo “foi alicerçado em princípios basilares da liberdade, da democracia, da independência e da solidariedade” e que o seu papel junto da comunidade é “um fator de coesão social da mais elevada importância”.
Fernando Paulino assegurou que a ASMS assume a sua “responsabilidade social, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida” dos seus associados e utentes. “Assumimos que temos um papel importante na sociedade setubalense e que o nosso trabalho faz parte de um todo fundamental para o apoio social no nosso concelho”, disse.
Com cerca de 2500 associados efetivos, a ASMS tem um centro de dia de terceira idade com cerca de 40 utentes e serve outros 45 no serviço de apoio domiciliário, enquanto, na área da saúde, anualmente são atendidos perto de 3000 utentes nas consultas de várias especialidades e de medicina física e de reabilitação e são praticados mais de 15 mil em atos de fisioterapia, “sempre com valores e preocupações sociais”, como frisou.
“Deixo um apelo para que a autarquia atenda, dentro das suas capacidades, àquelas que são as necessidades da associação. Precisamos de crescer, alargar e melhorar os nossos serviços, sem os constrangimentos existentes. Sentimos que a nossa vontade de crescer e fazer é maior do que nosso espaço físico”, afirmou o presidente do conselho de administração da associação.
Fernando Paulino garantiu, que a ASMS pretende “manter sempre a ligação umbilical à zona histórica e à baixa da cidade”, porque foi ali que nasceu e quer manter as suas “raízes”, mas salientou que a instituição tem necessidade de alargar os seus “horizontes”.
O bispo de Setúbal, Cardeal Dom Américo Aguiar, sublinhou “o trabalho, empenho e dedicação de tantos nas instituições” espalhadas pelo país, nas mutualidades, misericórdias, Instituições Particulares de Solidariedade Social ou coletividades de cultura e recreio, considerando que “sempre que os cidadãos se reúnem para darem resposta a um problema, as coisas resolvem-se e resolvem-se muitíssimo bem”.
Segundo o prelado, Portugal “não seria o que é se não fosse esta pequenina rede, esta teia” de instituições. “Porventura temos de ter mais confiança naquilo que são as nossas capacidades. E quando estamos no contexto de alguém que sopra 137 velas de aniversário, temos de ser muitíssimo agradecidos, aos da primeira hora e aos que – não sei se por martírio, se por loucura – continuam a tomar as rédeas destas tão nobres instituições”.



















