História da imprensa no Antigo Regime em livro

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O presidente da Câmara Municipal, André Martins, destacou no dia 24 de maio a importância histórica e cultural do novo livro de Daniel Pires sobre a imprensa periódica no Antigo Regime, apresentado em sessão realizada na Casa da Cultura.

O presidente da Câmara Municipal, André Martins, destacou no dia 24 de maio a importância histórica e cultural do novo livro de Daniel Pires sobre a imprensa periódica no Antigo Regime, apresentado em sessão realizada na Casa da Cultura.

O “Dicionário de Imprensa Periódica do Antigo Regime em Portugal – Volume I (1704-1807)” é “mais uma extraordinária obra de Daniel Pires”, no âmbito do trabalho de investigação e de partilha de conhecimento que o autor tem vindo a desenvolver ao longo dos anos, focado particularmente no estudo do poeta Bocage.

“Agradeço mais uma vez todo contributo que tem dado para o enriquecimento cultural da comunidade. Hoje partilha connosco outro tema de grande relevância e que dá a conhecer de uma forma diferente, através da imprensa, como era a época do Antigo Regime e que foi também a época em que viveu Bocage”, sublinhou André Martins.

O autarca assegurou ainda que a Câmara Municipal de Setúbal será sempre um paceiro no apoio a iniciativas que como esta “contribuem para o conhecimento da história e para o enriquecimento cultural”.

A nova obra de Daniel Pires resulta de um trabalho de investigação de cerca de duas décadas sobre as publicações periódicas impressas na parte final do Antigo Regime, mais concretamente no período entre 1704 e 1807, e sobre aquelas que, submetidas pelos editores à Censura, foram por esta inviabilizadas.

Na sessão de apresentação, o autor explicou que começou por contactar colecionadores à procura de exemplares de jornais daquela época e depois partiu para o trabalho de pesquisa em arquivos e bibliotecas de vários locais do país.

“Não queria transcrever apenas o que já havia sido escrito sobre o tema, por isso utilizei uma metodologia diferente. Comecei por ver o que havia sido impresso e encontrei algumas informações inéditas.”

Daniel Pires quis também dar a conhecer “os jornais que se quiseram publicar no período pombalino”, mas que não chegaram a sair do prelo devido à censura existente na época.

“Neste dicionário são partilhados os manuscritos enviados ao Marquês de Pombal a solicitar a publicação de nove jornais, acompanhados da anotação “escusado” feita pelo Marquês. Entre 1760 e 1776, ele autorizou a publicação de um único jornal composto apenas por anúncios, alguns dos quais também publico no livro.”

O “Dicionário de Imprensa Periódica do Antigo Regime em Portugal – Volume I (1704-1807)” tem prefácio de Viriato Soromenho-Marques que foi um dos oradores na apresentação do livro, o qual considera ser “um trabalho de grande qualidade, na linha dos melhores estudos sobre imprensa realizados em Portugal”.

Soromenho-Marques defende que além da importância histórica, a obra de Daniel Pires é “um objeto literário importante”, uma vez que “não se limita a ser uma mera descrição, mas sim uma obra rica de conteúdo e de contextualização” que permite caracterizar também a sociedade daquela época.

O filósofo e professor universitário agradeceu, igualmente, a presença do presidente da Câmara Municipal de Setúbal na apresentação do novo livro de Daniel Pires e apoio prestado pelo município às iniciativas culturais.

“Nem sempre a cultura é vista pelos nossos representantes políticos com o interesse que o presidente da Câmara Municipal de Setúbal tem manifestado ao longo dos anos.”

Já o historiador José Eduardo Franco considera que o livro “vem colmatar uma lacuna grave” ao revelar “a história menos conhecida do germinar da imprensa em Portugal”, tornando-se numa “obra de referência para conhecer o ambiente, o contexto e os circuitos em que se movia a imprensa, bem como o que nela se publicava”.

José Eduardo Franco destaca, igualmente, a “singularidade” de Daniel Pires que “tem vocação para pesquisar nos arquivos e ver o que os outros não veem, trazendo a público novidades que permitem renovar o caminho historiográfico”.

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