O Festival Língua Terra, de celebração da música lusófona, regressa a Setúbal nos dias 5 e 6 de junho, com destaque para um concerto pela brasileira Melly com a participação especial do português Dino D’Santiago.
O concerto com a premiada cantora brasileira Melly abre, no dia 5, às 21h00, no Fórum Municipal Luísa Todi, a edição deste ano do Festival Língua Terra, a qual atua na companhia de Dino D’Santiago, para um espetáculo que fomenta uma ponte entre diferentes culturas lusófonas.
Natural de Salvador, Melly é uma das artistas mais celebradas da nova cena musical brasileira, o que lhe valeu, em 2024, uma indicação ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa com o disco de estreia, “Amaríssima”.
Dino D’Santiago é um dos principais nomes da música contemporânea em língua portuguesa e, com raízes cabo-verdianas, é conhecido pela fusão de ritmos africanos, R&B, soul e eletrónica, é também uma voz ativa nas discussões sobre identidade, migração e representatividade.
A primeira noite do Língua Terra conta ainda com um concerto pelo cabo-verdiano Eu.Clides, com sonoridades contemporâneas indie, soul e chanson, as quais estão patentes no álbum “Ecos de Sodade”, em que revisita clássicos da morna com arranjos minimalistas e modernos.
A segunda noite do Língua Terra, a 6, reserva um concerto de tributo que recorda a obra do músico guineense José Carlos Schwarz, igualmente no Fórum Luísa Todi, às 21h00, com atuações dos músicos da Guiné-Bissau Manecas Costa, Karyna Gomes e Remma Schwarz, filho do homenageado.
José Carlos Schwarz, falecido em 1977, fundador do grupo Cobiana Djazz, foi uma voz da cultura guineense que, através da música em crioulo e de letras fortemente politizadas, tornou-se um símbolo da luta anticolonial, tendo a sua obra atravessado fronteiras e gerações.
O concerto-homenagem propõe não apenas recordar a obra de José Carlos Schwarz, mas celebrar a importância no contexto das independências africanas de expressão portuguesa, reafirmando o papel da cultura como espaço de liberdade, afirmação e continuidade histórica.
O projeto Língua Terra, na quinta edição, é dinamizado com o objetivo de promover o intercâmbio artístico entre seis países unidos pela língua portuguesa, designadamente Portugal, Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Moçambique, fomentar ligações culturais e diálogos colaborativos.
“O ponto de partida do Língua Terra é a língua portuguesa, criando pontes entre África, Europa e América Latina a partir da música enquanto expressão da riquíssima diversidade étnica, linguística e cultural que compõe os distintos territórios”, afirma a diretora artística do evento, Mônica Cosas.
O festival, com bilhetes 10 euros para cada um dos concertos, disponíveis no Fórum Municipal Luísa Todi e na Bilheteira Online, é organizado pelo Língua Terra em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal e integra as comemorações do 25 de Abril, no âmbito do programa Venham Mais Vinte e Cincos.

