Alunos do ensino superior de Setúbal escolheram como ações prioritárias em defesa do clima introduzir incentivos para construção sustentável, expandir a rede de ciclovias e aproveitar a energia solar térmica em edifícios públicos.
A votação foi realizada no dia 14 de maio, numa sessão, na Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal, na qual três dezenas de alunos elegeram nas medidas que consideram prioritárias em cada um dos eixos de operacionalização do Plano Municipal de Ação Climática (PMAC) de Setúbal, em vigor desde abril.
A iniciativa, conduzida pela chefe do Gabinete de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável e Emergência Ambiental (GADSEA) da Câmara Municipal, Cristina Coelho, realizou-se no âmbito da II Semana da Sustentabilidade do Politécnico de Setúbal, a decorrer entre hoje e sexta-feira, integrada nas Jornadas de Ambiente de Setúbal, organizadas pelo município.
Com base nas medidas de cada um dos sete eixos prioritários do PMAC de Setúbal – governança, comunicação, educação ambiental, planeamento e uso do solo, mobilidade, energia e economia circular –, as prioridades fazem agora parte de uma iniciativa, intitulada “Laboratórios do Clima”, a implementar nas cinco freguesias do concelho.
Na sessão, a chefe do GADSEA salientou a importância deste tipo de eventos “pois vão ao encontro do que a Câmara Municipal de Setúbal pretende, de envolver, além das demais entidades, a academia e os estudantes nas decisões relacionadas com as alterações climáticas no concelho”.
A dirigente destacou ainda que o PMAC de Setúbal, cuja redação final foi aprovada em março pela Câmara Municipal e em abril pela Assembleia Municipal, é um documento “para as pessoas, para Setúbal, para todos”.
Cristina Coelho recordou que o território do concelho de Setúbal é composto em 60 por cento por áreas protegidas, sublinhando a mobilização dos jovens estudantes na defesa dos valores naturais e na mitigação das alterações climáticas.
“Quanto menos mitigarmos, mais vamos sofrer e ter de nos adaptar. A questão das alterações climáticas é uma questão do presente”, declarou.
Durante o evento, os estudantes elegeram as medidas do PMAC de Setúbal que mais valorizam, destacando-se a introdução de incentivos nos regulamentos municipais para intervenções de construção sustentável (Planeamento e Uso do Solo), a expansão da rede ciclável com a construção de mais ciclovias e o Passe Navegante Municipal (Mobilidade), assim como o aproveitamento de energia solar térmica em edifícios públicos (Energia).
O Plano Estratégico para as Águas (Economia Circular), o Plano Prévio de Intervenção para Fogos Rurais no Município de Setúbal e o Plano Municipal de Contingência para a Seca (Governança), a Aplicação Móvel da Economia Circular (Comunicação), assim como as atividades de sensibilização no âmbito dos Programas da Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação (Educação Ambiental) são as restantes medidas priorizadas pelos participantes.
Os alunos ficaram também a conhecer aspetos-chave do PMAC, o qual resulta do PLACC – Arrábida, um Plano Local de Adaptação às Alterações Climáticas elaborado pelo Centro de Estudos Geográficos do IGOT – Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, com o objetivo criar estratégias locais de adaptação nos três concelhos do território da Arrábida – Setúbal, Palmela e Sesimbra – que permitam reforçar a sua resiliência às alterações climáticas.
Nele são identificados os riscos climáticos a que Setúbal está sujeito até ao final do século relacionados com a subida do nível do mar, com a temperatura e com a precipitação.
No primeiro caso encontram-se as inundações estuarinas, as inundações e galgamentos costeiros e a erosão costeira e o recuo das arribas, no segundo o calor excessivo e os incêndios rurais e florestais e no terceiro as inundações fluviais por cheias rápidas, a instabilidade de vertentes e a seca meteorológica.
Prevê-se que, no que diz respeito aos galgamentos do estuário, algumas zonas ribeirinhas da cidade sejam inundadas uma vez a cada dez anos até ao final do século e que, em virtude do calor excessivo, no final do século XXI o número de dias por ano com temperatura máxima superior a 35º passe para o dobro ou o triplo dos dez que havia no final do século XX, consoante o cenário estudado.
Além disso, o calor também aumenta o perigo de fogos florestais, nomeadamente na Serra da Arrábida, enquanto a seca vai previsivelmente acentuar-se.




