O presidente da Câmara Municipal, André Martins, considerou em 24 de abril que o projeto Pequenas Bibliotecas Livres é uma iniciativa extraordinária da Associação Informal de Cidadãos “Letra Por Letra – Setúbal”, com a qual a autarquia celebrou um protocolo de cooperação.
“É uma iniciativa de facto extraordinária, fora da caixa como se costuma dizer. Bem-vindos a Setúbal, Setúbal precisa destas iniciativas”, disse o presidente da Câmara junto da primeira Biblioteca Livre do concelho, um frigorífico amarelo com livros instalado no topo norte do Parque do Bonfim, junto da interseção da Praça Vitória Futebol Clube com a Avenida Alexandre Herculano.
O autarca recordou que costuma dizer que o movimento associativo é “o maior parceiro do Poder Local”, mas admitiu que por norma se refere a associações formais. “Desta vez apareceu-nos uma organização informal, que merece o apoio da Câmara Municipal e por isso a Câmara Municipal deliberou apoiá-la, para que tenhamos estas iniciativas no nosso concelho”.
Na véspera do 51.º aniversário do 25 de Abril, André Martins sublinhou que “a cultura é uma forma de transformação da sociedade”, tendo em vista objetivos como a paz, a justiça social e a educação. “Estamos muito satisfeitos. Podem contar com a Câmara Municipal e as juntas de freguesia para apoiar este projeto”, disse.
Com o projeto “Pequenas Bibliotecas Livres”, a Associação Informal de Cidadãos “Letra Por Letra – Setúbal” pretende colocar frigoríficos amarelos em vários pontos do concelho com livros disponíveis para a população, para promover a leitura e o acesso à cultura e à informação de forma gratuita a todos os cidadãos, independentemente da sua localização ou condição social.
No âmbito do protocolo, a associação, de cariz voluntário e sem fins lucrativos, compromete-se a desenvolver e implementar a rede de Pequenas Bibliotecas Livres no concelho de Setúbal, através da colocação de frigoríficos e cedência de livros ao público, no pressuposto da troca e com base no lema “Leva um livro, Traz um livro”, em pontos estratégicos definidos e aprovados pela Câmara Municipal.
Compromete-se ainda a promover campanhas de sensibilização para incentivar a participação da comunidade, através da cedência de livros e do apoio ao funcionamento das bibliotecas, a garantir a organização e manutenção das bibliotecas com a colaboração de voluntários e a criar um sistema de reposição dos livros e do seu empréstimo, bem como a assegurar a formação de voluntários para a gestão local das Pequenas Bibliotecas Livres.
A Câmara Municipal de Setúbal, por seu lado, disponibiliza o apoio logístico necessário para a instalação e funcionamento das Pequenas Bibliotecas Livres e colabora na definição dos locais estratégicos para a colocação das bibliotecas, considerando a acessibilidade e a relevância para a comunidade.
Presta ainda apoio institucional ao projeto, através de promoção da iniciativa em canais municipais, redes sociais e outros meios de comunicação, e apoia a organização de eventos culturais e educativos relacionados com a rede de Pequenas Bibliotecas Livres, como workshops, sessões de leitura ou outras atividades.
O projeto, que vai ser alargado a outros locais do concelho, inclusive as praias, tem também como parceiro a União das Freguesias de Setúbal, que cedeu um espaço no Grelhal onde os voluntários da associação recuperam os frigoríficos.
Rui Santos, membro da direção da “Letra Por Letra”, agradeceu o apoio da Câmara Municipal e recordou que a associação “nasceu entre cidadãos que frequentavam o parque de Vanicelos, conversaram uns com os outros e resolveram exercer a sua liberdade de cidadania”.
De acordo com Rui Santos, o projeto, que vai instalar o próximo frigorífico na Praia da Saúde, tem três objetivos – promover a leitura e o livro, fazendo-os rodar pelos cidadãos, educar para a cidadania, habituando os cidadãos a respeitar os equipamentos existentes no espaço público, e reciclar os monos, nomeadamente os frigoríficos.
A inauguração da primeira Biblioteca Livre estava agendada para 10 de abril, mas teve de ser adiada devido ao mau tempo, razão que levou a presidente da União das Freguesias de Setúbal, Fátima Silveirinha, a afirmar que “foi São Pedro que quis” que acontecesse na véspera do 51.º aniversário do 25 de Abril.
“Ler é ser livre e o 25 de Abril afirma esses valores. Nada melhor do que termos um equipamento destes para promover a cultura”, disse, antes de agradecer à associação e manifestar a disponibilidade da autarquia para continuar a colaborar.
Isabel Quadros, do executivo da Junta de Freguesia de São Sebastião, considerou o projeto “muito válido” porque promove “a cultura e a literacia de quem passa” no local, que disse ser estratégico, porque as pessoas podem recolher um livro e depois lê-lo numa sombra do Parque do Bonfim, e sublinhou o seu caráter sustentável, por promover a reutilização de velhos frigoríficos.












