Comemorações recordam Luiz Pacheco

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O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, considerou no dia 23, no início das comemorações do centenário do escritor, editor e crítico literário, que Luiz Pacheco foi um homem livre e figura incontornável da literatura e da cultura portuguesas.

O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, considerou no dia 23, no início das comemorações do centenário do escritor, editor e crítico literário, que Luiz Pacheco foi um homem livre e figura incontornável da literatura e da cultura portuguesas.

“É com grande satisfação que a Câmara Municipal de Setúbal vos dá as boas-vindas a esta sessão que inaugura o ciclo de comemorações do centenário de Luiz Pacheco, uma figura incontornável da literatura e da cultura portuguesas. Luiz Pacheco não era de Setúbal, mas Setúbal era dele. Por aqui passeou a sua libertinagem e aqui deixou raízes com a liberdade que sempre lhe conhecemos”, disse o autarca.

Numa cerimónia realizada na Sala José Afonso da Casa da Cultura de Setúbal, o presidente da Câmara sublinhou que Luiz Pacheco, nascido em Lisboa em 7 de maio de 1925, foi “um homem livre” que “viveu sempre nas margens e furiosamente se manteve independente, sem quaisquer cedências”.

André Martins considerou que Setúbal deve esta homenagem a Luiz Pacheco. “Aqui viveu até muito perto do fim da vida, aqui fez e deixou amigos, por aqui ganhou fôlego e inspiração. Nas margens do rio publicou, com o seu amigo João Carlos Raposo Nunes, uma coletânea de textos, a que chamou ‘Textos Sadinos’, em que reflete as vivências setubalenses”, recordou.

O presidente da Câmara disse que o projeto “Luiz Pacheco Passeia por Todo o Papel”, lançado naquela sessão, pretende, ao longo do ano, “recuperar, debater e divulgar a obra multifacetada de Luiz Pacheco”, um “autor que desafiou as normas, que expôs as contradições do seu tempo e que nunca se deixou domesticar por convenções ou silêncios impostos”.

Agradeceu aos parceiros que se juntaram à Câmara Municipal na homenagem, nomeadamente o Município de Palmela, o CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a Casa da Liberdade – Mário Cesariny, o CEHUM – Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho e o CLP – Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

“Ao longo do ano, daremos continuidade a este ciclo com novas sessões, sempre com o objetivo de aprofundar a relação entre a literatura, a liberdade e a crítica social. Hoje, damos também lugar ao lançamento de dois momentos centrais deste programa: ‘Luiz Pacheco Passeia por Todo o Papel’ e ‘Luiz Pacheco e a Resistência aos Regimes de Censura’, que contarão com a participação de Rui Sousa, Sofia Carvalho, Sofia Roque e Sofia Santos”, concluiu.

Na sessão que deu início a um ciclo de eventos que se vão estender até 2026, foram apresentadas as linhas estruturais do “Projeto Luiz Pacheco Passeia por Todo o Papel (1925-2025)” e do “Projeto Exploratório Surrealismo-Abjecionismo em Portugal – Da Folha Volante ao Mundo Digital”.

“[Os dois projetos] visam dar a conhecer um autor de relevo ímpar, no panorama literário português, situando-o no seu contexto e problematizando o problema da persistência dos regimes de censura na cultura portuguesa e o seu impacto no modo como se conformaram as especificidades da nossa Modernidade, tomando-o como estudo de caso”, afirmou Sofia Roque.

Promovidos pelo CLEPUL, com o apoio de fundos europeus da FCT, os projetos são desenvolvidos por uma equipa coordenada por Rui Sousa, doutorado em Estudos de Literatura e de Cultura pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigador daquele centro.

Sofia Roque, que agradeceu a colaboração da Câmara Municipal de Setúbal, em particular do presidente André Martins e do vereador da Cultura, Pedro Pina, recordou que Luiz Pacheco participou no “momento fulcral do movimento surrealista português, de que foi importante editor, ‘compagnon de route’ e editor de obras dos mais fulcrais autores surrealistas”.

Anunciou ainda que, no futuro, “um conjunto de cátedras do Instituto Camões” vai ajudar a levar a obra do autor português “ao Brasil, à Colômbia, a Vigo, a Itália, a França, a Lublin (Polónia), entre outros locais nos quais a língua portuguesa marca presença e a obra de Pacheco será, um dia, conhecida depois de devidamente vertida para os respetivos idiomas”.

As comemorações em Setúbal do centenário do nascimento do escritor Luiz Pacheco contam com encontros, exposições, leituras públicas, lançamentos de projetos literários, conversas e um congresso.

O programa “Luiz Pacheco 100”, das Comemorações do 25 de Abril, do projeto Venham Mais Vinte e Cincos, inclui um vasto conjunto de atividades culturais organizadas pela Câmara Municipal, com professores, atores e investigadores sobre a sua obra a dinamizarem vários eventos em diversos equipamentos culturais do concelho, entre os quais a Casa da Cultura e a Biblioteca Municipal.

Um dos momentos altos é o “Congresso Centenário Luiz Pacheco (1925-2025)”, a realizar no dia 22 de outubro no Cinema Charlot – Auditório Municipal, em Setúbal, e no dia 23 na Biblioteca Municipal de Palmela.

Os próximos eventos das comemorações do centenário de Luiz Pacheco acontecem em maio. No dia 9, a Casa da Cultura acolhe, às 21h00, uma leitura de Textos Malditos de Luiz Pacheco, com as participações de Lia Gama e Maria João Luís, numa iniciativa dos Artistas Unidos, e no dia 10 é inaugurada, às 18h00, a exposição de Teresa Dias Coelho “Comunidade”, criada a partir das ilustrações para a edição do livro homónimo publicada em 1980.

Ainda em maio, a Casa da Cultura recebe no dia 22, às 21h00, a apresentação da biografia de António Cândido Franco “O Firmamento é Negro e Não Azul – A Vida de Luiz Pacheco”, com a participação do autor e de Paulo Pacheco, Ana da Silva e Rosa Azevedo, numa sessão moderada por José Teófilo Duarte.

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