Cultura celebra cem anos do nascimento de Luiz Pacheco

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Encontros, exposições, leituras públicas, lançamentos de projetos literários, conversas e um congresso compõem o programa das comemorações do centenário do nascimento do escritor Luiz Pacheco, que têm início a 23 de abril.

Encontros, exposições, leituras públicas, lançamentos de projetos literários, conversas e um congresso compõem o programa das comemorações do centenário do nascimento do escritor Luiz Pacheco, que têm início a 23 de abril.

O programa “Luiz Pacheco 100”, das Comemorações do 25 de Abril, do projeto Venham Mais Vinte e Cincos, inclui um vasto conjunto de atividades culturais organizadas pela Câmara Municipal de Setúbal para homenagear a vida e obra do escritor e crítico literário, que nasceu em Lisboa a 7 de maio de 1925 e residiu largos períodos em Setúbal.

Até ao final do ano, professores, atores e investigadores sobre a obra de Luiz Pacheco dinamizam vários eventos em diversos equipamentos culturais do concelho, entre os quais a Casa da Cultura e a Biblioteca Municipal.

Um dos momentos altos está agendado para outubro com o “Congresso Centenário Luiz Pacheco (1925-2025)”, a realizar no dia 22 no Cinema Charlot – Auditório Municipal, em Setúbal, e no dia 23 na Biblioteca Municipal de Palmela.

Organizado pelo projeto “Luiz Pacheco Passeia por Todo o Papel”, o congresso conta com as parcerias das câmaras municipais de Setúbal e Palmela, do CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa, da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, da Casa da Liberdade – Mário Cesariny, do CEHUM – Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho e do CLP – Centro de Literaturas Portuguesas.

As comemorações têm início oficial no dia 23 de abril, às 19h00, na Casa da Cultura, com o lançamento do projeto “Luiz Pacheco Passeia por Todo o Papel (1925-2025)”, numa sessão dedicada aos temas “Bocage, Luiz Pacheco e Resistência aos Regimes de Censura”, com intervenções de Rui Sousa, Sofia A. Carvalho, Sofia Roque e Sofia Santos.

Este projeto integra um conjunto de atividades a desenvolver até 2026 pelo CLEPUL, com financiamento da FCT e está associado ao projeto “UnderDig – Surrealismo-Abjeccionismo em Portugal. Da folha volante ao mundo digital”, da autoria do investigador Rui Sousa.

Já em maio, a Casa da Cultura acolhe, no dia 9, às 21h00, uma leitura de Textos Malditos de Luiz Pacheco, com as participações de Lia Gama e Maria João Luís, numa iniciativa dos Artistas Unidos, e, no dia 10, às 18h30, é inaugurada “Comunidade”, uma exposição de Teresa Dias Coelho criada a partir das ilustrações para a edição do livro homónimo publicada em 1980.

A Casa da Cultura recebe, ainda, em maio, no dia 22, às 21h00, a apresentação da biografia de António Cândido Franco “O Firmamento é Negro e Não Azul – A Vida de Luiz Pacheco”, com a participação do autor e de Paulo Pacheco, Ana da Silva e Rosa Azevedo, numa sessão moderada por José Teófilo Duarte.

Em junho, dia 26, às 21h00, na Casa da Cultura, as comemorações reservam a apresentação da obra “Do Libertino”, por Rui Sousa e Rosa Azevedo e com moderação de José Teófilo Duarte.

A sessão literária “Bocage e Luiz Pacheco” realiza-se a 27 de setembro, às 16h00, na Casa Bocage.

O programa reserva, em outubro, uma exposição biobibliográfica do ciclo “Autor do Mês, patente de 1 a 31 na Biblioteca Pública Municipal.

Já em novembro, no dia 27, às 21h00, na Casa da Cultura, realizam-se duas sessões do Ciclo de Conversas 100 Anos de Luiz Pacheco, o qual inclui a projeção da peça “Morto o Cão, Acabou-se a Fúria – A Vida de Luiz Pacheco” e conversa com o ator Cláudio Silva.

A terminar o programa comemorativo, há nova sessão do Ciclo de Conversas 100 Anos de Luiz Pacheco, dinamizada por Rui Sousa, igualmente na Casa da Cultura, às 21h00.

Falecido em 2008, Luiz José Gomes Machado Guerreiro Pacheco frequentou o primeiro ano do curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, mas acabou por desistir devido a dificuldades financeiras.

Luiz Pacheco publicou dezenas de artigos em vários jornais e revistas, incluindo o antigo Diário Popular e a Seara Nova, e fundou a editora Contraponto em 1950, onde publicou obras de escritores como Raul Leal, Mário Cesariny, Natália Correia, António Maria Lisboa, Herberto Hélder e Vergílio Ferreira.

Dedicou-se também à crítica literária e cultural, ganhando fama como crítico irreverente, que denunciava a desonestidade intelectual e a censura imposta pelo regime do Estado Novo.

“Comunidade”, de 1964, considerada a sua obra-prima, mas também “Carta-Sincera a José Gomes Ferreira”, de 1958, “O Teodolito”, de 1962, “Crítica de Circunstância”, de 1966, “Textos Locais”, de 1967, “Exercícios de Estilo”, 1971, são algumas das muitas obras publicadas por Luiz Pacheco.

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