O presidente da Câmara Municipal, André Martins, sublinhou em 19 de março, na tomada de posse dos corpos sociais do Vitória Futebol Clube, que a autarquia tem atuado sempre com discrição na procura das melhores soluções para o clube.
Após a direção liderada por Francisco Alves Rito e os restantes órgãos sociais para o triénio 2025/2028 tomarem posse no Cinema Charlot – Auditório Municipal, o presidente da Câmara, “ultrapassado o processo eleitoral e sem correr o risco de influenciar as decisões que cabem” aos sócios, recordou a intervenção, “sempre com a discrição necessária”, da autarquia e dele próprio no processo de recuperação do clube.
O autarca disse que, no âmbito das suas “competências e possibilidades”, tem criado “as condições necessárias para que o clube possa superar as dificuldades” que tem atravessado e que “estão na origem das sucessivas despromoções que colocaram em risco a subsistência do próprio Vitória”, lembrando que “os novos e os anteriores dirigentes sabem bem que assim tem sido e assim continuará a ser”.
Após salientar que “o Vitória tem que ser agradecido”, Francisco Alves Rito disse que “só através dos bons ofícios da Câmara e do empenho pessoal seu presidente foi possível que a Parvalorem entrasse nesse processo e que ele tivesse o desfecho que teve”, frisando que esta empresa era “o maior credor” do clube e o seu voto “decidia a aceitação dessas decisões” na Assembleia de Credores.
“É bom que a cidade saiba isto, porque se, como o senhor presidente disse, há uma grande discrição, não deixa de ser devido, da nossa parte enquanto Vitória, reconhecer isso, porque é da mais inteira justiça”, afirmou.
André Martins assegurou que o Vitória Futebol Clube pode “continuar a contar com essa reserva e sempre com uma postura franca, aberta e leal na relação com o clube para que seja possível encontrar as melhores soluções”, afirmando que a “sobriedade” da autarquia não deve ser confundida com “com inação e com falta de alinhamento com o objetivo de manter e valorizar o clube” do Bonfim.
“Nunca foi o que aconteceu. Estivemos e estamos sempre ao lado dos nossos clubes para que sejam fortes e capazes. É o que continuará a acontecer”, salientou.
André Martins referiu que, “como já é público”, na sexta-feira o Vitória Futebol Clube entregou na Câmara Municipal um Pedido de Informação Prévia (PIP) relativo à remodelação do Estádio do Bonfim e construção nos dois topos, considerando que se trata de “uma iniciativa que, mantendo o Vitória no centro da cidade, permitirá revitalizar o património do clube e criar as condições para que se desenvolva e cresça”.
O autarca salientou que a iniciativa estava “plasmada nas decisões do clube e dos seus associados em assembleia geral” e tem como objetivo “concretizar e desenvolver o Plano de Insolvência em Recuperação de Empresa” apresentado pelo clube e aprovado pela assembleia de credores.
“Permitam-me então, e neste preciso contexto, dirigir uma palavra de saudação aos anteriores órgãos socais e de gestão, com quem trabalhámos para tornar possível as condições para que os representantes do clube pudessem apresentar as soluções que podem garantir a recuperação económica e financeira, mas também desportiva, do Vitória”, disse.
No seu discurso, o novo presidente do Vitória Futebol Clube agradeceu à Câmara Municipal “o cuidado com que está a gerir” o processo do PIP e o “papel determinante” da autarquia e do presidente André Martins para o clube ter chegado a uma situação que “é melhor agora do que há uns anos”, quando tinha uma dívida de 64 milhões de euros.
Segundo Francisco Alves Rito, se hoje clube tem “apenas 9,3 milhões de dívida”, isso deve-se à declaração de insolvência da SAD, cuja dívida de 34 milhões de euros deixou de existir, e à “renegociação da dívida que foi possível fazer com os credores do clube, para que perdoassem 91 por cento da dívida”.
Francisco Alves Rito salientou também o trabalho efetuado pelo seu antecessor, Carlos Silva, que “ficará na história do Vitória” por ter impedido o seu fim no “período mais negro” da sua existência, mas, apesar de ter “muita confiança no futuro” e admitir que encontra o clube “melhor do que estava há quatro ou cinco anos”, lembrou que “ainda existem riscos e não está tudo resolvido”.
O presidente da Câmara tinha considerado igualmente que os próximos tempos “serão muito exigentes e desafiantes” para o clube, para a nova direção e para Francisco Alves Rito, mas frisou que a autarquia e o Vitória Futebol Clube estão “a trabalhar em conjunto para a recuperação e revitalização deste enorme clube que se confunde com a cidade onde nasceu”.









