O presidente da Câmara Municipal, André Martins, destacou em 11 de dezembro a importância do projeto Mares Circulares, iniciativa da Coca-Cola de combate ao lixo marinho e promoção da literacia sobre os oceanos, implementada em Portugal pela Liga para a Proteção da Natureza.
Na sessão de abertura do Encontro Mares Circulares 2024, realizado na Casa da Baía, o presidente da Câmara considerou que este projeto, desenvolvido na Península Ibérica, é uma “iniciativa exemplar que enfrenta o grave problema do lixo marinho, mas promove também profunda mudança de mentalidade” na sociedade.
“Este projeto evidencia que um futuro sustentável depende de cidadãos mais informados, conscientes e responsáveis, capazes de criar e implementar soluções ambientalmente sustentáveis”, disse, saudando a Coca-Cola por, em 2018, no âmbito da sua estratégia de sustentabilidade, ter lançado uma iniciativa que “abraça a economia circular, a sensibilização ambiental e a cidadania ativa através do voluntariado”.
André Martins recordou que o Mares Circulares, que “reflete uma visão moderna e comprometida com a gestão responsável dos resíduos e a educação ambiental”, conta desde 2019 “com a valiosa parceria” da LPN – Liga para a Proteção da Natureza, que tem sido a responsável pela sua implementação em Portugal.
Após manifestar o orgulho da Câmara Municipal por integrar a iniciativa desde esse ano, com outras nove autarquias, promovendo ações de limpeza de praias, que “restauram” os espaços naturais e “inspiram” a população a cuidar do património ambiental, lembrou que hoje o projeto é apoiado por 35 municípios nacionais, “num esforço coletivo” entre comunidades, organizações não governamentais, empresas e cidadãos.
“Os resultados falam por si. Até hoje há a registar quase dez toneladas de resíduos recolhidos em praias e zonas costeiras, a participação de mais de sete mil voluntários, numa demonstração concreta de cidadania ativa, e a formação e sensibilização de cerca de dez mil pessoas, promovendo um impacto educativo duradouro”, sublinhou.
O presidente da Câmara notou que, “em Setúbal, a colaboração com a Associação da Baía de Setúbal, por via do projeto Mar Adentro, fortaleceu as ações de literacia do mar” e salientou que o projeto Mares Circulares “é um exemplo de união de esforços entre as autarquias e Organizações Não Governamentais”, como a LPN, a SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, a Ocean Alive e a WWF Portugal.
Lembrou ainda que “é também graças a estas iniciativas” que, “ano após ano”, Setúbal tem conseguido a obtenção do galardão Bandeira Azul, símbolo do “compromisso com a qualidade ambiental nas praias da Figueirinha” e que que, como disse, o município tem como objetivo “estender também a Albarquel” já na próxima época balnear.
“Setúbal, com uma das Mais Belas Baías do Mundo e áreas protegidas de importância nacional e europeia, reconhece a sua responsabilidade acrescida na preservação deste património natural inestimável. Estamos determinados a garantir que as futuras gerações herdem um ambiente saudável e sustentável”, afirmou.
Na mesma sessão, a Câmara Municipal de Setúbal, através da vice-presidente Carla Guerreiro, assinou um protocolo de cooperação com a Coca-Cola Europacific Partners, a LPN – Liga para a Proteção da Natureza e o ICNF – Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas com o objetivo de contribuir para o conhecimento, monitorização e preservação das populações de cavalos-marinhos presentes no estuário do Sado.
André Martins afirmou que o projeto CavalSado nasceu depois de o estuário ter sido “identificado como uma das zonas mais ricas em cavalos-marinhos em Portugal”, registando “algumas ocorrências das duas espécies, assim como algumas bolsas de habitat favorável, como pradarias de ervas-marinhas, ou até mesmo estruturas e materiais resultantes da ação humana”.
Apesar disso, como notou, “é muito escassa” a informação sobre a presença de cavalos-marinhos no estuário do Sado, “o que justifica a urgência de estudar a situação atual das comunidades” daquela espécie na zona, resultando desse facto a assinatura do protocolo. “O futuro do nosso estuário do Sado, o futuro dos nossos mares e da nossa natureza depende de nós. Vamos continuar a fazer a diferença, juntos”, concluiu.
A instituição proponente do memorando de entendimento é a MARDIVE – Associação de Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha, que vai desenvolver o trabalho científico e de investigação em parceria com o MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente.
Este projeto, inserido no Mares Circulares, contempla a monitorização científica contínua no tempo para identificar tendências de abundância populacional e a identificação de hotspots de interesse para a conservação e de riscos e ameaças que se colocam a esta espécie.
A definição de áreas apropriadas para o restauro e enriquecimento do habitat e a promoção da conetividade ecológica, a caraterização da atividade antropogénica através do uso de drones ou satélites e o levantamento e mapeamento dos stakeholders do Estuário do Sado com os quais deverá ser implementado um programa de interação são outras ações a realizar.
Fazem ainda parte do plano de ação a implementação de programas educativos nas escolas, o desenvolvimento de campanhas efetivas para a conservação do Estuário do Sado e a criação de um comité de gestão para a biodiversidade marinha e de áreas de “santuário” ou de “conservação e compatibilização de usos” e de um centro de interpretação e de recuperação do cavalo-marinho.
A implementação destas ações implica o planeamento de uma “complexa operação de mergulho” em seis pontos de amostragem do Estuário do Sado, designadamente Ponta do Adoxe, Soltroia, Catita, Cais da Sapec, Pradaria Carraca e viveiros de ostras.
Os trabalhos, a decorrer até agosto de 2025, implicam um investimento de 19 mil e 479,38 euros, para o qual a Câmara Municipal de Setúbal contribui com um apoio financeiro de cinco mil euros, além de proporcionar apoio institucional.



