Livro evoca espiritualidade da serra

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O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, afirmou na apresentação do livro “A Espiritualidade da Arrábida”, dia 16, a importância da Serra da Arrábida enquanto local que permite a autodescoberta individual.

O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, afirmou na apresentação do livro “A Espiritualidade da Arrábida”, dia 16, a importância da Serra da Arrábida enquanto local que permite a autodescoberta individual.

“Ali, como escreveu Frei Agostinho da Cruz, naquele alto mais perto do céu, é fácil estar a sós com Deus. Poderia também dizê-lo de outra forma: ali é mais fácil estarmos a sós connosco próprios para descobrirmos quem afinal somos”, disse o presidente da Câmara na sessão realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

“A Espiritualidade da Arrábida”, um livro que André Martins qualificou como “verdadeiramente magnífico”, reúne trabalhos de 24 artistas, pensadores e fotógrafos da região, convidados pelos Amigos da Paróquia de São Sebastião a refletir sobre o Parque Natural da Arrábida.

“Nestas páginas, compreendemos que, afinal, a Espiritualidade da Arrábida está em todos nós que, dia após dia, acordamos em frente à majestosa serra, que lá no horizonte poente todos os dias nos dá alento para continuar a admirar a beleza do mundo”, referiu o autarca, manifestando a crença de que “será a beleza do mundo, convertida em paz, em justiça, em solidariedade, que prevalecerá”.

André Martins salientou ainda que, como recorda no livro o professor universitário Viriato Soromenho Marques, “foi também ali que nasceu o movimento ecologista português, muito em resultado do grito revoltado” do poeta azeitonense Sebastião da Gama, “que exigia que a Mata do Solitário sobrevivesse ao ímpeto destruidor de alguns homens”.

Com prefácio do bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, e texto de encerramento de Viriato Soromenho Marques, o livro baseia-se na exposição, com o mesmo título, que esteve patente há um ano no MAEDS – Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, por ocasião do 470.º aniversário da Paróquia de São Sebastião.

Coordenada pelo padre Casimiro Henriques e por António e Isabel Melo, a obra apresenta perto de 40 de fotografias e cerca de 30 textos e gravuras, incluindo imagens do fotógrafo setubalense Américo Ribeiro e poemas dos dois grandes poetas arrábidos, Sebastião da Gama e Frei Agostinho da Cruz, frade franciscano que viveu na Serra os seus últimos 15 anos de vida, no século XVII.

O padre Casimiro Henriques, pároco de São Sebastião, afirmou que a ideia do livro era a de “subir a Arrábida para estar com Deus, para ver Deus”, porque “o esforço da subida implica abandonarmo-nos” e “quando nos abandonamos é que nos encontramos”.

O clérigo citou o escritor e filósofo italiano Umberto Eco e o papa João Paulo II para afirmar que “é a beleza que salvará o mundo”, considerando que a subida da Arrábida permite “encontrar a beleza”.

Antes de agradecer os vários apoios, incluindo da Câmara Municipal de Setúbal e da Junta de Freguesia de São Sebastião, António Melo, dos Amigos da Paróquia de São Sebastião, disse que o livro é “uma obra inovadora que convida a percorrer o caminho dos poetas da Arrábida”, nomeadamente Frei Agostinho da Cruz e Sebastião da Gama, além do fotógrafo Américo Ribeiro.

Na apresentação da obra, João Reis Ribeiro, referiu que o livro “dignifica a todos”, porque nele “se canta” e “se glorifica” a Serra, e citou Viriato Soromenho Marques para notar o “permanente convite da Arrábida para a meditação e a viagem interior”.

Num Salão Nobre completamente cheio, a sessão contou ainda com um concerto pelo grupo E-Vox e com a leitura de algumas frases do livro por João Completo e Helena Almeida.

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